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    Cultura também é direito para a primeira infância

    Uma criança que brinca, escuta música, conhece histórias ou explora as cores de um desenho não está apenas se divertindo: está aprendendo, criando vínculos, desenvolvendo habilidades e descobrindo o mundo.

    Por isso, merece todo o apoio a iniciativa de incluir cultura, brincadeira, lazer e vivências lúdicas, apresentada por meio do Plano Municipal pela Primeira Infância (PMPI) 2027–2036, em elaboração em Tatuí.

    Conforme reportagem publicada na semana passada, a Secretaria Municipal de Esporte, Cultura, Turismo e Lazer participou, em 21 de outubro, do sétimo encontro do Comitê Intersetorial responsável pelo plano.

    A contribuição foi apresentada no eixo “Cultura, Brincar, Lazer e Vivências Lúdicas” pelo secretário-adjunto da Cultura, Rogério Vianna, pelo diretor de Museus e Memória, Cristiano Guimarães de Camargo, e pelo coordenador de comunicação da Cultura, Pablo Ruiz.

    A iniciativa parte de uma ideia fundamental: brincar não é um intervalo dispensável na formação infantil, senão direito e uma dimensão importante do desenvolvimento.

    O contato com as artes, a leitura, a música e as experiências lúdicas pode contribuir para a criatividade, a autonomia, a convivência e a expressão das crianças. Além de se oferecer atividades para que elas assistam, é preciso criar oportunidades para que participem, experimentem e produzam cultura.

    A apresentação municipal relacionou esse propósito à identidade de Tatuí e a equipamentos já existentes. O Conservatório, o Polo Guri e os pontos de cultura podem aproximar os pequenos da música; a Escola de Ballet Municipal e o CEU das Artes oferecem possibilidades de movimento e expressão corporal; o Museu Histórico “Paulo Setúbal” e a Biblioteca Municipal “Brigadeiro Jordão” podem aproximar as crianças da leitura, das narrativas e da memória local.

    Esses espaços podem ser mais que locais de visitação. Uma história compartilhada, uma oficina, a descoberta de um objeto ou o primeiro contato com uma expressão artística criam “experiências marcantes” — especialmente quando são planejados para receber crianças pequenas e suas famílias.

    Fazer da cultura parte da vida cotidiana, e não apenas de eventos ocasionais, é uma forma concreta de ampliar o acesso e fortalecer vínculos com a cidade.

    A proposta também acentua a necessidade de tornar essa participação acessível a crianças de diferentes bairros e condições sociais.

    Barreiras físicas, comunicacionais ou econômicas não devem impedir uma criança de brincar, visitar um museu, frequentar uma biblioteca ou participar de atividades artísticas.

    Para que o direito à cultura seja efetivo, é preciso considerar as diferentes necessidades das crianças e das famílias, além das distâncias e das condições de acesso.

    O uso de recursos tecnológicos também foi considerado, inclusive a possibilidade de desenvolver experiências interativas relacionadas à história e à cultura de Tatuí.

    A própria apresentação ressalva, acertadamente, que a tecnologia deve complementar — e não substituir — a interação humana, a presença de educadores e as vivências compartilhadas. Na primeira infância, o contato direto, a conversa, o movimento e a brincadeira conjunta continuam indispensáveis.

    Um dos méritos do processo é buscar articulação entre diferentes políticas públicas. O PMPI está sendo construído por um Comitê Intersetorial, instituído pelo decreto municipal 29.052, de 6 de agosto de 2026, com participação de áreas como educação, saúde, assistência social, cultura e meio ambiente.

    Essa integração é necessária porque o desenvolvimento infantil não depende de uma única secretaria nem de uma ação isolada. A cultura tem papel próprio, mas precisa coexistir e se relacionar com os demais serviços que acompanham a vida das crianças.

    A contribuição da Cultura e do Turismo ao plano ainda integra um processo em andamento. Segundo a prefeitura, o cronograma prevê 12 encontros até fevereiro de 2027 e também contempla a participação popular.

    É importante que as propostas apresentadas sejam discutidas, aperfeiçoadas e convertidas em metas claras, com responsabilidades definidas e continuidade ao longo dos anos. Um plano de dez anos precisa resistir às mudanças de gestão e ser acompanhado pela comunidade.

    A participação de famílias, educadores, artistas e moradores será essencial para que o documento reflita as experiências reais das crianças tatuianas.

    Afinal, são eles que podem apontar o que já funciona, onde há obstáculos e quais oportunidades ainda faltam. Ouvir essas vozes ajuda a evitar que o plano permaneça apenas como uma lista de intenções e favorece a construção de ações adequadas à realidade dos bairros e dos serviços municipais.

    A proposta merece apoio porque reconhece que a primeira infância é uma etapa decisiva e que cultura, brincadeira e lazer fazem parte do desenvolvimento integral.

    Garantir esse acesso desde cedo ajuda as crianças a se expressarem, conhecerem a cidade e construírem relações com sua comunidade.

    É também uma forma de afirmar que toda criança, independentemente de onde mora ou da condição de sua família, deve ter oportunidades para imaginar, criar, brincar e participar.

    Tatuí tem instituições, espaços e tradições que podem contribuir muito para esse trabalho. O desafio é conectá-los, garantir acesso e manter ações contínuas, para que a cultura não chegue às crianças apenas em ocasiões especiais.

    O plano em construção oferece uma oportunidade de organizar esse esforço e transformá-lo em política pública duradoura. Portanto, propondo que as crianças sejam reconhecidas não apenas como espectadoras, mas como participantes e criadoras, a iniciativa aponta para uma cidade mais acolhedora e inclusiva.

    Apoiar esse caminho é investir não só na infância de hoje, mas nas pessoas que, desde os primeiros anos, estão formando seus vínculos com Tatuí e imaginando o futuro que desejam construir.