
O prazo de inscrições ao 31º Concurso Artístico e Literário de Natal, de O Progresso de Tatuí, termina em 30 de outubro. Restam poucos dias para que crianças e adolescentes do 1º ao 9º ano do ensino fundamental participem de uma iniciativa que, há mais de três décadas, abre espaço para a imaginação, a escrita e o talento dos estudantes tatuianos.
Novamente com o tema “Tatuí no Natal”, propõe um desafio simples, mas cheio de possibilidades: olhar para a própria cidade e expressar, por meio de um desenho ou de uma redação, o que faz essa época do ano ser tão especial.
Pode ser uma rua iluminada, um lugar querido, uma lembrança em família, uma tradição do bairro ou uma cena inventada. O importante é que cada trabalho apresente o olhar de quem o criou.
O concurso, além de prêmio em dinheiro, oferece aos estudantes a chance de produzir algo próprio, dedicar tempo a uma ideia e perceber que a sua forma de ver o mundo tem valor.
O regulamento prevê duas categorias — desenho e redação — e cada estudante pode apresentar um trabalho em cada modalidade. Na redação, é possível escolher qualquer estilo literário, desde que o texto respeite o tema.
O desenho deve ser feito em folha sulfite A4. Não se exige experiência artística ou literária: espera-se criatividade, originalidade e uma produção que represente a percepção do próprio aluno.
Esse aspecto é essencial. O concurso não busca premiar quem já domina técnicas sofisticadas, mas incentivar crianças e adolescentes a experimentar e se expressar.
Um texto pode começar com uma lembrança; um desenho, com um detalhe observado no caminho para a escola. A capacidade de criar não é privilégio de poucos: ela se desenvolve quando encontra estímulo e espaço para aparecer.
A participação pode ter especial importância para quem ainda não teve oportunidade de ver seu trabalho reconhecido. Ter um desenho ou uma redação publicados em um jornal, com o próprio nome e o da escola, é uma experiência concreta de valorização.
Para um estudante, esse reconhecimento pode fortalecer a confiança, despertar novos interesses e mostrar que suas ideias podem alcançar outras pessoas. Mesmo para quem não vencer, o processo de participar já representa uma oportunidade de aprendizagem e realização.
A edição especial de O Progresso que circulará em 25 de dezembro publicará os três melhores trabalhos de cada categoria. Além disso, o certame distribuirá R$ 3.200 em prêmios, com valores destinados aos vencedores dos grupos previstos no regulamento.
O reconhecimento, porém, não se limita ao prêmio em dinheiro: a publicação registra a produção dos jovens e a incorpora à edição de Natal do jornal, fazendo com que desenhos e palavras se tornem parte de uma memória compartilhada.
A história do concurso demonstra a força dessa proposta. Criado em 1995, o certame chega à sua 31ª edição em um ano singular para Tatuí, que celebra o bicentenário.
São duas trajetórias que se encontram: a de uma cidade que revisita sua história e a de uma iniciativa que, ao longo de décadas, convida novas gerações a contar como a vivem.
O tema dá aos estudantes a possibilidade de deixar também seu próprio registro de Tatuí — não apenas a cidade dos livros de história, mas aquela que conhecem, frequentam e imaginam.
As experiências dos vencedores da edição anterior ajudam a compreender o alcance do concurso. Houve estudantes que consultaram o dicionário para encontrar as palavras certas, dedicaram muitas horas ao desenho ou buscaram orientação de professores para desenvolver os trabalhos.
Esses relatos mostram que a criação envolve empenho e escolhas. Mostram também que o incentivo de um educador ou de um familiar pode ser decisivo para que uma criança vença a insegurança e se anime a participar.
Por isso, o convite não se dirige somente aos alunos. Professores e escolas têm papel importante em divulgar o certame e transformar a proposta em oportunidade de expressão.
As famílias também podem apoiar: conversar sobre o Natal em Tatuí, compartilhar lembranças, observar os espaços da cidade e incentivar os estudantes a confiar nas próprias ideias. O apoio deve acompanhar, não substituir, a criação da criança ou do adolescente. A autoria e o olhar precisam ser deles.
O concurso conta com o patrocínio do comércio local e, neste ano, também com o apoio cultural da Prefeitura, por meio das Secretarias Municipais da Educação e do Esporte, Cultura, Turismo e Lazer. Essa união expressa uma compreensão importante: estimular a formação cultural dos jovens é uma tarefa compartilhada. Quando empresas, educadores, poder público, famílias e imprensa apoiam iniciativas desse tipo, ajudam a construir um ambiente em que a criatividade é levada a sério.
Há algo especialmente valioso em oferecer às crianças uma alternativa que não depende de telas, curtidas ou algoritmos. Um papel, um lápis, uma folha em branco e algum tempo para pensar bastam para começar.
Não se trata de opor o digital à criação, mas de garantir que os estudantes tenham diferentes formas de imaginar, comunicar e compartilhar aquilo que pensam. Escrever e desenhar são maneiras de organizar ideias, experimentar linguagens e dar forma a sentimentos e observações.
Os trabalhos podem ser enviados pela escola, pelos professores ou diretamente pelos próprios estudantes até 30 de outubro, à praça Adelaide Guedes, 145. O regulamento completo, encontrado no portal do jornal O Progresso de Tatuí, traz as demais orientações.
Que professores, escolas e famílias ajudem a fazer chegar o convite a todos os alunos. E que cada criança ou adolescente com vontade de participar encontre incentivo para fazê-lo.
Aos 200 anos de Tatuí, o concurso é também uma maneira de ouvir as novas gerações e reconhecer que elas já fazem parte da história da cidade.
No mais – fundamental observar – em um momento de tanta superficialidade e da supremacia do efêmero, desenhar, escrever, revisar e concluir um trabalho também ensina concentração, paciência e persistência. São aprendizados que ultrapassam a sala de aula e acompanham os jovens em diferentes momentos da vida – o de agora e, com certeza, o do futuro de Tatuí.








