
Raul Vallerine
Feliz daquele que desfruta agradavelmente da sociedade! Mais feliz é quem não faz caso dela e a evita! (Voltaire)
Na Grécia Antiga, os vínculos de convivência entre os gregos eram efetivos, os mesmos apreciavam a companhia e alegravam-se por meio do diálogo.
Mas, nesta época em que vivemos, é conhecido que os vínculos de convívio tem se tornado cada vez mais difícil, tendo em vista as relações sociais.
Em consequência disso, veem-se, atualmente características de uma sociedade individualista, sabendo, senão, preocupar-se somente consigo e com suas próprias necessidades.
Neste ponto, observa-se que a falta de respeito pode ser levada em consideração ao tratar-se da dificuldade de se conviver em sociedade, acarretando situações de problemas como a falta de empatia, o declínio da cordialidade, e dentre outros fatores.
Há duas tendências muito fortes no ser humano: uma para buscar a autonomia, a autossuficiência, a independência; e outra para fazer parte e pertencer a uma unidade maior.
Essa unidade maior pode ser definida como a família, a nação, uma ideologia, ou seja, um universo maior que tenha um significado importante.
Dessa forma o indivíduo se desenvolve, ultrapassa sua individualidade e busca a integração com os outros.
Para se desenvolver de forma equilibrada, a pessoa precisa se comprometer, se adaptar, ceder. Tudo isso não é muito fácil, pois sempre haverá conflitos entre o eu e o outro, entre o querer tudo para si e precisar fazer algo para o outro.
A vida em sociedade fica mais fácil quando entendemos que dependemos uns dos outros para viver melhor, e que juntos somos mais fortes.
Os seres humanos não vivem juntos apenas por escolha, mas porque a vida em sociedade é uma necessidade.
Se alguém, por livre vontade, se isolasse numa ilha, com todos os recursos para sobrevivência, em pouco tempo sentiria falta de companhia e sofreria com a solidão, por não ter com quem conversar,
compartilhar ideias, dar e receber afeto.
Poderia até mesmo enlouquecer. Portanto, as pessoas satisfazem suas próprias necessidades vivendo em sociedade.
Quando a autoestima e a visão que a pessoa tem de si mesma é positiva, o relacionamento em sociedade torna-se mais fácil, mais saudável e mais satisfatório.
O inverso também é verdadeiro, isto é, um bom relacionamento social alimenta a autoestima positiva.
Para manter um bom relacionamento com as outras pessoas são necessárias algumas condições básicas: sermos autônomos, assertivos, confiantes e termos autoestima elevada.
Sem essas condições, atribuiremos aos outros a causa das dúvidas, fraquezas, incertezas e desconfianças que temos a respeito de nós mesmos.
Em sociedade o eu e o outro sempre se relacionam, e as necessidades sociais vão sendo estabelecidas. Elogiamos e somos elogiados; compreendemos e somos compreendidos; amamos e somos amados; vemos e somos vistos; valorizamos e somos valorizados.
Até as frustrações são mútuas: rejeitamos e somos rejeitados; causamos dor no outro e ele em nós; discriminamos e somos discriminados. O certo é que para o bem e para o mal, querendo ou não, o outro é parte de nossa vida e nossa vida é parte do outro.
Muitas pessoas se queixam de que a sociedade define muitas regras e que sem elas a vida poderia ser melhor.
A verdade é que cada um deve definir seu limite, respeitar a sua individualidade e também a do outro. Aí surge a pergunta: isso também não é uma regra?
A necessidade de nos mantermos unidos a outros seres humanos não é um capricho ou um desejo individual, é uma questão de sobrevivência orientada pelo instinto e referendada pela razão.
Aproveite para crescer, melhorar e aperfeiçoar-se como ser humano. Assim, você estará sempre motivado para praticar o bem e para o bem-estar de si mesmo e de todos os que convivem com você em sociedade.