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    Prefeitura de Tatuí realiza prestação de contas

    Reunião contou representantes do Legislativo e de secretarias, servidores e munícipes

    Rosângela Aparecida Domingues Fernandes da Silva fala sobre escolas municipais (Foto: AC Prefeitura)
    Da reportagem

    Na noite de terça-feira, 12, a prefeitura de Tatuí realizou uma nova reunião com representantes de secretarias e do Legislativo, servidores e munícipes, visando apresentar números da administração municipal, detalhar obras em andamento e discutir os impactos envolvendo projetos do Executivo.

    O encontro reuniu centenas de pessoas e teve como foco principal a defesa de projetos considerados estratégicos pela administração, especialmente iniciativas voltadas à educação, infraestrutura, mobilidade urbana, inclusão de pessoas com deficiência e desenvolvimento econômico.

    Durante a reunião, o prefeito Miguel Lopes Cardoso Júnior afirmou que “Tatuí vive um dos momentos de maior transformação estrutural da história recente do município” e destacou dados relacionados à geração de empregos, obras públicas, investimentos privados e reorganização urbana.

    Ao apresentar os números, o chefe do Executivo comentou sobre o desempenho de Tatuí na geração de empregos em 2025. A cidade apareceu entre os municípios que mais criaram vagas no estado de São Paulo.

    “Por três meses, fomos a cidade que mais empregou proporcionalmente no estado. Em números absolutos, ficamos atrás apenas de grandes cidades como São Paulo, Guarulhos, Osasco, São Bernardo e São Caetano”, declarou.

    O prefeito citou recentes contratações realizadas por empresas instaladas no município e afirmou que ficou “para trás” a imagem de “cidade dormitório”. “Nós estamos rompendo barreiras e colocando a cidade para andar”, sustentou.

    O prefeito Miguel comentou também sobre os novos acessos em construção no município. Ele lembrou que, ao assumir a prefeitura, identificou “problemas estruturais relacionados ao crescimento desordenado da cidade”, principalmente em regiões populosas com poucas alternativas de acesso.

    “Você tinha um bairro com mais de 30 mil pessoas com praticamente uma entrada e uma saída. E continuavam jogando gente para lá”, comentou, em referência ao Santa Rita.

    O prefeito detalhou obras já concluídas e outras em andamento em regiões como Pacaembu, Jardim Gonzaga, Santa Rita e Distrito Industrial.

    Entre os investimentos citados, estão: abertura de novas vias, revitalização de acessos, construção de rotatórias, pavimentação, iluminação pública, drenagem, ampliação da mobilidade urbana, ponte da região do rio Tatuí e novos corredores de desenvolvimento.

    Entre os exemplos citados, está a estrada que liga Tatuí a Cesário Lange, a rodovia Mário Batista Mori, onde foi construído um novo retorno. “Essa intervenção era obrigação do DER fazer, mas usamos a nossa contrapartida. Uma região que, quem não foi recentemente, não conhece mais”, acrescentou.

    O prefeito ainda citou a revitalização da praça Mário Coscia, a entrega da creche do Jardim Santa Cruz e a pavimentação atrás da Marquespan.

    Outro tema abordado foi o projeto do aeroporto municipal. Segundo o prefeito, a administração avançou nos trâmites necessários para implantação e adequação da área destinada ao empreendimento.

    Cardosos Júnior afirmou que o investimento inicial previsto gira em torno de R$ 100 milhões. “Temos uma área estratégica, e agora o processo já está caminhando. A pista será ampliada, e isso muda completamente o potencial econômico da cidade”, argumentou.

    “Há novos empreendimentos, lá, que já pensam nisso. Muda a concepção, às vezes, do próprio empreendimento, e, consequentemente, esse dinheiro fica dentro da cidade, o que é o mais importante para a gente”, acrescentou.

    O prefeito aproveitou a reunião para falar mais uma vez sobre as dívidas do município pagas pela atual gestão, que, de acordo com ele, ultrapassam os R$ 60 milhões até agora, com expectativa de chegar aos R$ 130 milhões.

    “São dívidas de lá de trás, de 20, 15, 10 anos, que, assim que viram precatório, precisam ser pagas, pois transitaram em julgado”, complementou.

    “Nós fizemos uma conta hoje e temos como provar que diminuímos em 50% a dívida desde que assumi a prefeitura”, declarou. Segundo ele, o objetivo é entregar o município financeiramente equilibrado até o final do mandato, em 2028. “Acredito que essa seja minha missão: entregar a cidade com as contas zeradas”, sustentou.

    O prefeito Miguel também falou sobre os projetos de lei que encaminhou ao Legislativo, dando ênfase ao relacionado à climatização das escolas municipais. O projeto tem parceria com o Desenvolve SP e, além dos aparelhos de ar-condicionado, propõe a reforma das escolas, somando o valor de R$ 78.909.428,23.

    “É uma reforma completa, que vai pegar do portão para dentro e ter ar-condicionado para as crianças”, acentuou. O chefe do Executivo ainda complementou enfatizando que o projeto inclui energia fotovoltaica nas escolas viáveis.

    A reunião também teve fala de uma mãe atípica. “Melissa”, integrante do grupo União TEA (Transtorno do Espectro Autista), afirmou que a climatização das escolas impacta diretamente crianças autistas.

    “Isso interfere no sensorial, na irritabilidade e na aprendizagem dessas crianças. Não é um detalhe simples”, declarou.

    Ela também antecipou que pretende mobilizar mães de crianças atípicas para acompanhar as discussões envolvendo os projetos. “Vou organizar essas mães para estarem na Câmara Municipal, porque nós precisamos lutar pelos direitos dos nossos filhos”, afirmou.

    “Acho isso importantíssimo. O prefeito me conheceu em uma época muito difícil, em que sentamos, conversamos e ele me ouviu. E, depois daquilo, tudo o que ele me prometeu naquela reunião ele cumpriu”, acrescentou.

    Ao comentar o tema, Cardoso Júnior relatou experiências vividas ainda quando era secretário da Educação. “O primeiro grupo que atendi foi justamente o de crianças autistas. Aquilo mexeu muito comigo”, afirmou.

    Ele comentou ter ficado “extremamente abalado” e citou que, em muitos casos, quando é descoberto que a criança tem TEA, o pai vai embora e a mãe precisa cuidar sozinha. “Tem mãe que cuida sozinha do filho autista severo 24 horas por dia”, declarou.

    A secretária da Educação, Rosângela Aparecida Domingues Fernandes da Silva, apresentou números relacionados ao atendimento de alunos com deficiência na rede municipal.

    De acordo com ela, atualmente, há 636 alunos com deficiência na rede municipal, sendo mais de 400 crianças autistas. “Eu vejo a trajetória do prefeito e o quanto ele tem trabalhado nessa questão, em relação ao CMEAA, onde hoje temos um atendimento de excelente qualidade, os professores de AEE, que conseguimos dobrar dentro da rede de ensino, e todo o equipamento que nós temos e pretendemos ampliar com isso”, acrescentou.

    “A questão sensorial e o calor impactam, sim, na aprendizagem da criança, bem como os espaços. Quando o ambiente tem acessibilidade, ele não evidencia a deficiência da pessoa. Quando tenho uma rampa, todos conseguem passar por ela; se eu só tenho uma escada, poucas pessoas conseguem”, finalizou.

    O vereador Vade Manoel Ferreira (Republicanos) defendeu investimentos contínuos em inclusão. Segundo ele, a falta de estrutura adequada no passado acabou afastando muitas pessoas com deficiência do ensino e do mercado de trabalho.

    “Durante muito tempo, essas pessoas ficaram invisíveis. Hoje, precisamos criar condições para que elas permaneçam na escola, se desenvolvam e tenham qualidade de vida”, afirmou.

    Ainda sobre a instalação dos aparelhos de ar-condicionado, questionado sobre a possibilidade de o projeto não ser aprovado, o prefeito comentou que “fez a parte dele”.

    “Fui buscar o recurso, o estudo, recebi autorização do principal órgão. Eles não vão liberar um recurso que eu não possa pagar, pois é pré-auditado”, observou.

    “Eles chegam nessa conta (do montante total do projeto) com uma série de indicadores do município. Nós nos debruçamos sobre isso com várias mãos, fizemos o projeto da melhor forma possível, seguindo todas as orientações do Desenvolve São Paulo e do BNDES, que são as agências reguladoras desse dinheiro. Passamos para os vereadores, eles compraram a ideia e agora está lá”, acrescentou.

    Ele ainda explicou que não detalhou todo o projeto porque os órgãos reguladores não exigiram. “Não tenho que me pautar por vereador da oposição, e sim por órgão oficial. Fizemos tudo de acordo e pegamos o modelo de outras cidades. Viemos aqui e apresentamos para a população”, assegurou.

    Ao longo da reunião, o chefe do Executivo também sugeriu a criação de um conselho com participação popular para discutir investimentos e prioridades da cidade.

    O prefeito citou o exemplo de Maringá e afirmou que modelos participativos podem ajudar no desenvolvimento urbano. “Quem sabe a gente não começa em Tatuí uma história nova?”, afirmou.

    Ele também incentivou os participantes a levarem outras pessoas para futuras reuniões. “Se cada um trouxer mais duas ou três pessoas comprometidas com a cidade, isso cresce muito”, ponderou.