
Aqui, Ali, Acolá
José Ortiz de Camargo Neto *
“Meu trabalho trilógico tem a finalidade de recuperar para a Ciência, tanto a Filosofia como a Teologia, eliminadas pelos cientistas já no início de sua formação – o que considero o maior erro cometido nesse setor. A verdadeira função da Ciência está na Experimentação justamente da Filosofia de Vida (Weltanschauung, como fala a língua Alemã) e principalmente a Teologia, Base da Civilização, e não como os cientistas a têm colocado, como um processo de superstição” (KEPPE, Norberto. Parusia (Restauração do Paraíso. São Paulo: Proton Editora, 2021).
Considero esta citação o maior esclarecimento sobre os equívocos da chamada ciência materialista moderna. Ao desligar-se do Amor (Ética) e da Razão (Estética) , essa ciência reducionista lançou a Humanidade no beco sem saída em que hoje ela padece.
A Ciência jamais poderá criar o Pensamento, nem o Amor; sua única função é estudar e experimentar os conceitos emanados da mente humana, da Teologia e Filosofia, para comprovar sua veracidade. Um exemplo disso são os chamados milagres de Lourdes, que, examinados pelos cientistas, puderam ter sua comprovação científica, experimental.
Se o campo da experimentação se recusa a estudar os conceitos emanados do setor teolófico e filosófico, taxando-os preconceituosamente de supersticiosos, para que serve a ciência? Para encher o mundo de bombas atômicas, canhões e lança-mísseis? Onde está o amor à Humanidade e a integridade científica desses homens, uma vez que se dedicam à destruição do nosso planeta?
A síntese de uma vida
Neste penúltimo livro de Norberto Keppe, publicado em 2021, encontrei não só a explicação exata para as crises de nosso mundo atual, mas também a síntese do propósito ao qual ele dedicou a vida: reintegrar os campos do saber – Ciência, Teologia, Filosofia e Artes – que foram divididos pela patologia humana.
Acompanhei por quase 50 anos o trabalho deste genial e íntegro cientista. Tive o privilégio de ouvir de sua boca as explicações sobre cada obra sua, transmitidas para nosso grupo de discípulos. Jamais conheci alguém tão dedicado a salvar o gênero humano de suas enfermidades físicas, psíquicas, sociais e espirituais. Foi um esforço sobre-humano e ininterrupto, mantido até seus últimos momentos: no dia de seu falecimento, aos 99 anos, ele ainda atendeu e confortou pacientes.
Infelizmente, a Inveja – esse antissentimento que historicamente persegue todos os grandes espíritos – bem como a corrupção de interesses inconfessáveis contrariados – ainda impede que muitas pessoas se beneficiem com seu genial e generoso trabalho. É um fenômeno recorrente na história humana.
Contudo, à medida que o “sentimento” invejoso arrefece, as pessoas, como sempre sucede, reconhecerão: “Que trabalho incrível! Que gênio! Como essas descobertas transformam a vida!”
É doloroso perceber que muitos anos precisem transcorrer para que esse reconhecimento se consolide. Enquanto isso, vemos, pesarosos, pessoas ao nosso redor, que passam por sofrimentos inauditos, ignorarem e até rejeitarem inconscientemente aquilo que poderia aliviá-las do padecimento da patologia.
Contudo, como o Bem conta com o irrestrito amparo divino, é muito provável que essa desinversão ocorra muito antes do que esperamos!
Até breve.
* Jornalista e escritor tatuiano.




