
Aqui, Ali, Acolá
José Ortiz de Camargo Neto *
“E outra vez conquistemos a distância, do mar ou outra, mas que seja nossa!” (Fernando Pessoa – Prece – Mensagem).
“Assim meu pobre livro as asas larga, neste oceano sem fim, sombrio, eterno” (Espumas Flutuantes – Dedicatória – Castro Alves)
“Pode parecer a princípio que o homem está à procura da verdade; mas o que ele fez mesmo, foi uma fuga desabalada que empreendeu e não pára mais de correr: esta é a sua doença” (Norberto Keppe, A Libertação, p. 239).
Antigos navegadores,
Pelos mares materiais,
Buscavam o reino sem dores,
Que criam longe do cais.
Quantas buscas incessantes,
Quantas milhas, quantos nós,
Até verem os navegantes
Que esse reino, desde sempre,
Esteve dentro de nós!
Hoje, mares interiiores
Singramos em busca da paz,
E as águas que navegamos
São mares espirituais.
Só que o esforço que fazemos
É o de voltar para o cais…
Ao mundo que nós deixamos
Lá dentro, longe, lá atrás…
Mas como aceitar esse reino
Que brilha dentro de nós?
Se nós sempre o recusamos,
Como se fosse um algoz?
Como estar no paraíso
Que Deus fez e sempre existe
Se a humanidade resiste?
Que está em nós aonde formos
Se fora dele nos pomos?
Hoje não há outro meio,
Senão ver nosso desvio,
A maldade que fazemos,
A mentira que “criamos”,
Nossa busca do que é feio
E toda ruim intenção.
Por isso estamos aqui
Nesta nau desbravadora
Nos mares espirituais,
Correndo atrás desse bem,
Do qual fugimos também,
Que sempre enxergamos além,
Mas que deixamos aquém!…
(trecho da poesia “Novos Mares”, de nosso livro “Rosa Na Noite”)
Até breve.
* Jornalista e escritor tatuiano.




