
Da reportagem
No sábado da semana passada, 26 de setembro, aconteceu o lançamento de “Tráfego de Afeto e Fúria”, novo texto teatral de Ivan Camargo, em formato de livro, com leitura dramática por atores.
O evento ocupou o Complexo Cultural de Memória, que abrange o Museu da Imagem e do Som – MIS Tatuí “Jornalista Renato Ferreira de Camargo” e o Memorial do Rugby 1928 “Dr. Gualter Nunes”.
A publicação da peça integra uma das ações do projeto “Delivery de Paixão”, aprovado pelo edital PNAB 01/2024 – Estímulo, Fomento, Produção e Difusão de Arte e Cultura, para Todas as Áreas e Linguagens Artísticas.
Como atores convidados para apresentar o texto, estiveram Érica Pedro, Marcos Caresia, Pedro Couto, Leandra Oliveira e Amanda Balula. Também houve acompanhamento em Libras.
Conforme Cristiano Guimarães, diretor de Museus e Memórias da prefeitura, “foi um grande prazer estar presente e prestigiar o lançamento do texto teatral, em formato de livro”.
“Uma tarde de sábado maravilhosa, de reencontros, boas conversas e muita emoção, especialmente por poder rever grandes amigos atores de nossa cidade e apreciar, por meio de uma leitura dramática, esse texto tão bonito e sensível”, acrescentou Guimarães.
“Fico muito feliz e orgulhoso em ver nossos escritores cada vez mais criando, colocando no papel suas emoções, suas histórias e seus sentimentos, transformando tudo isso em arte e compartilhando com nossa comunidade”, complementou o diretor.
Guimarães ainda salientou que o fato de o projeto ser contemplado pela PNAB “torna esse momento ainda mais especial e demonstra a importância de continuarmos incentivando e valorizando a nossa cultura”.
“Parabéns, meu amigo Ivan (Camargo), por mais esse trabalho e por acreditar na força da arte e da palavra. Saiba que poderá sempre contar comigo! Parabéns a todos os envolvidos e, acima de tudo, viva a arte tatuiana!”, finalizou.
Já Christian Pereira de Camargo, historiador e presidente da recém-formada Academia Tatuiana de Letras (ATL), parabenizou o autor pelo texto, evento, leitura dramática e lançamento do livro.
“Achei muito bem amarrada toda a história. Os 14 quadros foram muito bem colocados em uma situação que o público conseguiu compreender, também graças à forma de escrita que ele faz, sempre com muito bom humor, leve e bastante próxima da nossa realidade”, argumentou.
“Gostei muito, gostei dos atores que estavam ali empenhados na dramatização, e também devo parabenizá-lo e incentivá-lo a continuar sua produção dramática, e que ele possa realmente, a cada tempo de sua vida, fazer esse registro que, para nós, é muito importante”, acrescentou.
O secretário-adjunto do Esporte, Cultura, Turismo e Lazer da prefeitura, Rogério Vianna, observou que essa foi a 11ª publicação de livro realizada em Tatuí neste ano.
“É um número muito expressivo, visto os lançamentos que aconteceram nos meses de abril, maio, junho, agosto, e, agora, estamos no 11º livro deste ano da nossa cidade, valorizando cada vez mais a literatura tatuiana”, apontou.
“A obra traz o conflito de quatro personagens que são encantadores, e posso dizer que tem uma naturalidade interpretada pelos atores de forma tão gostosa de ouvir, como se fosse até um programa de rádio que gostamos de ouvir no dia a dia”, comentou.
“Foi muito agradável, e é claro que a obra está pronta para subir aos palcos; estou curioso para vê-la montada. É um grande prazer e satisfação ter participado desse momento tão importante de lançamento, e espero que, futuramente, possamos vê-la no palco da nossa cidade”, complementou.
Por sua vez, para Jorge Rizek, produtor cultural e colunista do jornal O Progresso de Tatuí, “foi uma experiencia muito boa a leitura dramática de “Trafego de Afeto e Fúria”.
“Consegui ‘ver’ o espetáculo no palco. Os atores que participaram da leitura foram eficientes, passando todo o humor do texto. Parabéns a todos, parabéns Ivan, por esse divertido texto para teatro. Que venham mais leituras”, concluiu o produtor.
Já Érica Pedro agradeceu pelo convite para participar da leitura dramática: “Foi uma experiência muito prazerosa, e é sempre muito bom estar em projetos com Camargo, porque eu me considero uma fã do trabalho dele”.
“Gosto muito do jeito que ele escreve, das sutilezas, ao mesmo tempo em que coloca questões políticas e sociais como críticas. É muito prazeroso para a gente e até nos provoca, como artistas, a pegar um texto que foi lido apenas algumas vezes e tentar colocar uma visão artística de criação de personagem em cima de algo que pode começar a dar voz a uma escrita tão fabulosa”, falou.
“Eu acho muito relevante isso para nós, artistas da cidade, poder ter esse espaço de participar, e que tenham mais leituras como essa. Gosto muito de como ele utiliza o humor e até mesmo o absurdo dentro do texto, que reflete as condições sociais e políticas de um período em que, ao mesmo tempo, já esqueceram, mas que é muito necessário lembrarmos. Que nos afetou e afeta muito até hoje, principalmente adolescentes e pessoas negacionistas”, argumenta ela.
“Ao mesmo tempo que levanta questões que podem levar a plateia ao riso, são questões muito incômodas e que precisam ser refletidas na nossa sociedade. Gosto muito da forma como as personagens aparecem, como elas se cruzam entre si e como há essa inversão dos desejos delas e essa reflexão que a pandemia nos deixou”, continua Érica.
Ela também diz ser muito grata pelo projeto ter acontecido com pessoas com quem ela já tinha trabalhado no teatro local, “e por ser Ivan um nome muito significativo na dramaturgia da cidade. Nós precisamos exaltar sempre as pessoas daqui da cidade, dar voz a essa produção”, defende a atriz.
“Gostaria muito de ver esse texto um dia montado para que essa dramaturgia e nossos artistas possam circular no interior e nas capitais e mostrar o enorme talento que se encontra na nossa cidade”, conclui Érica.
Já Caresia comentou ter sido uma satisfação o convite para fazer parte da leitura dramática no lançamento. “Um texto gostoso, com humor, com muitas pitadas inteligentes sobre política, questão social, pós-pandemia; é um texto de que qualquer ator gostaria de participar, atuar e colocar em cena”, acentuou.
“Fiquei muito feliz porque, para mim, foi um resgate. Há muito estou fora dos palcos, não fazia um evento com plateia e tive a possibilidade de fazer a leitura dramática na frente de uma plateia muito boa, com amigos, representantes da secretaria (da Cultura), convidados e familiares”, declarou.
“Para mim, foi maravilhoso, e estou vislumbrando para o ano que vem muito trabalho. Gostaria muito de fazer um trabalho com Camargo, para que possamos levantar o espetáculo. Vamos acreditar no nosso trabalho, porque temos um time bacana, e podemos convidar outras pessoas para participar do projeto”, continuou.
Já Pedro Couto comentou que as personagens, na peça, “revelam gradativamente seus conflitos internos por meio de suas interações, expondo suas fragilidades, contradições e diferentes visões de mundo”.
“Embora cada uma habite um universo particular, suas trajetórias refletem a sociedade contemporânea, marcada pela polarização política, pelo negacionismo, pelas fake news, pela religiosidade, pela desigualdade social, pela homofobia, pela xenofobia e pelo radicalismo em suas mais diversas manifestações”, acrescenta.
O ator ainda observou que, “em meio à fúria e às tensões do cotidiano, essas personagens ainda encontram espaço para sonhar com acolhimento, afeto e a possibilidade de estabelecer relações mais humanas”.
“A leveza e o humor, elementos fundamentais da narrativa, provocam risos, mas também reflexões, revelando as contradições de nosso tempo e a necessidade de resgatar a empatia, o diálogo e a capacidade de convivermos com as diferenças. Afinal, em meio a tantos conflitos, o afeto permanece como uma possibilidade de aproximação e transformação”, finalizou Couto.
De acordo com Camargo, o projeto tem como foco alguns dos principais fenômenos gerados ou intensificados em razão da pandemia de Covid-19, como o crescimento abrupto do serviço de entregas e o transtorno alimentar.
Para tanto, “Tráfego de Afeto e Fúria” apresenta situações ficcionais, porém baseadas em incontáveis relatos e registros tanto sobre as sequelas de saúde física e mental deixadas pela doença quanto sobre a rotina “desafiadora” dos entregadores.
Apesar do tema “sério”, como sempre em seus trabalhos na ficção, Camargo opta pelo gênero do humor para costurar uma história marcada pelos “quiproquós”, em que um ou mais personagens (ou a própria plateia) confundem pessoas, objetos ou situações com outros indivíduos ou contextos, desencadeando uma sequência de confusões, desencontros e possíveis mentiras.
O projeto “Delivery de Paixão” foi contemplado pela Política Nacional Aldir Blanc (PNAB), por meio da Secretaria de Esporte, Cultura, Turismo e Lazer da prefeitura da estância turística de Tatuí, com recursos do Ministério da Cultura e do governo federal.








