Câmara reforça pedido de comissão para ‘fiscalizar’ o Conservatório

Presidente do Legislativo esteve em reunião no Palácio dos Bandeirantes

73
Sallum (terceiro agachado da esquerda para a direita) participa de manifestação em frente ao Conservatório (foto: Arquivo pessoal)
Publicidade
Da reportagem

O presidente do Poder Legislativo, Antonio Marcos de Abreu (PSDB), reforçou, durante a sessão ordinária da noite de segunda-feira, 13, a proposta de criação de uma comissão para “fiscalizar a utilização dos recursos” a serem destinados ao Conservatório Dramático e Musical “Dr. Carlos de Campos”, de Tatuí.

Abreu esteve presente no Palácio dos Bandeirantes participando de um café da manhã, na quarta-feira da semana anterior, 8, com o governador de São Paulo, João Doria, e lideranças de 30 empresas convidadas a integrar um plano de captação de investimento privado para instituição tatuiana.

A reunião também teve a presença do prefeito de Tatuí, Miguel Lopes Cardoso Júnior, do secretário da Cultura e Economia Criativa do estado, Sérgio Sá Leitão, da deputada Damaris Moura (PSDB) e de representantes da Sustenidos Organização Social de Cultura – atual gestora do CDMCC.

Nessa reunião, a Sustenidos apresentou um plano de captação de recursos com a intenção de arrecadar R$ 20 milhões em novos investimentos, além do orçamento próprio.

Abreu revelou que, entre as 30 empresas convidadas pelo governo, estiveram presentes na reunião representantes da Eurofarma, Pfizer, Pirelli, Coca-Cola, CCR SPVias, Sabesp (Companhia de Saneamento Básico de Estado de São Paulo) e dos bancos Safra, Santander e Itaú.

Publicidade

De acordo com Abreu, fora solicitada a formação de um conselho de pessoas “conceituadas e que residem em Tatuí” para acompanhar o que será feito com os recursos que estão por vir ao Conservatório.

Durante a palavra livre da ordem do dia, o vereador afirmou que o ideal seria que o conselho fosse composto por pessoas que já trabalharam e se dedicaram à instituição tatuiana. “É uma necessidade para que se forme esse conselho para fiscalizar e dar opiniões sobre o CDMCC”, reforçou Abreu.

Além desse pedido, a comitiva tatuiana solicitou para que não ocorra diminuição de funcionários e professores no Conservatório de Tatuí, assim como pediram que não sejam efetuadas mudanças no regimento escolar da instituição.

A última solicitação, segundo Abreu, seria a melhoria da estrutura física do local. Contudo, a Secec ressaltou, em nota encaminhada ao jornal O Progresso de Tatuí, que, além do orçamento estadual de R$ 27 milhões, estimado para o CDMCC em 2022, está previsto um recurso do estado de R$ 4,6 milhões para reforma de instalações.

“Saímos muito satisfeitos com os empresários, o governador, a deputada estadual e com o prefeito Cardoso, pelos benefícios que serão gerados ao CDMCC”, garantiu.

“Não adianta somente questionar, também é preciso buscar soluções. Através dessas soluções, o Conservatório irá continuar tendo uma grande atuação em Tatuí”, complementou Abreu.

Protesto

Três dias após a reunião no Palácio dos Bandeirantes, no sábado, 11, o parlamentar Eduardo Dade Sallum (PT), acompanhado de um grupo de estudantes, ex-alunos e munícipes, participou de um ato em frente ao Conservatório.

Um dos motivos da manifestação, segundo o vereador, foi o fato de o Teatro “Procópio Ferreira” ter sido reinaugurado, naquela noite, com apresentação de músicos “de fora” do município

Durante a manifestação, foram entregues panfletos para as pessoas que participaram da reinauguração, “explicando o desmonte da escola, a ameaça permanente de demissão de músicos, a diminuição de concertos e de grupos artísticos”.

Já durante a reunião parlamentar, na segunda-feira, 13, Sallum relembrou que a Sustenidos não terá renovado o contrato com o governo do estado de São Paulo para a gestão do Projeto Guri a partir de 2022.

O vereador ainda frisou que o Tribunal de Contas do Município de São Paulo julgou parcialmente procedente uma representação do Instituto Baccarelli questionando os critérios utilizados para a escolha da Sustenidos como nova gestora do Theatro Municipal de São Paulo.

Na sequência, Sallum cobrou uma resposta “definitiva” da OS sobre a demissão ou não dos músicos profissionais do Conservatório. Conforme ele, em setembro, a Sustenidos informou que iria demitir parte dos 70 profissionais contratados somente para atuar nos grupos artísticos.

“Imagine que você dedicou 30 anos da sua vida ao CDMCC e, desde então, não sabe nem como irá planejar a vida no ano que vem. Eles estão vivendo na tortura de não saber se serão demitidos agora ou no ano que vem, daqui três meses ou seis meses”, declarou. “A OS diz que é mentira, mas não fala que não vai demitir”, completou Sallum.

Publicidade