
Aqui, Ali, Acolá
José Ortiz de Camargo Neto *
Faleceu na madrugada de domingo, dia 12 de julho, perto das três horas da madrugada, um dos maiores gênios de nosso tempo. Nascido em São Carlos, no interior de São Paulo, ele tinha 99 anos e nos deixou um legado insubstituível — algo que as futuras gerações, sem dúvida, agradecerão e bendirão.
Ao todo, foram 50 livros publicados e traduzidos para diversos idiomas, cada um mais denso e profundo que o outro. Deixou também um invento premiado em dez países, capaz de solucionar a crise energética mundial: o Keppe Motor, do qual, paradoxalmente, pouco se ouve falar. Por quê?
Não é difícil ver que os indivíduos geniais despertam muita inveja, o que geralmente os leva a ser atacados ou simplesmente ignorados, como se não existissem. Por outro lado, a grande mídia, eivada de interesses inconfessáveis, quando não desinformou, manteve sobre ele um vergonhoso e tumular silêncio.
Tenho o orgulho de lembrar que o primeiro lugar no mundo onde ele proferiu uma conferência ao voltar da Europa, em 1997, foi em nossa cidade, na Escola Técnica Estadual “Sales Gomes” e no auditório do nosso Conservatório. Fazia nove anos que ele apenas escrevia e atendia clientes em psicanálise na terra de Voltaire.
Assim que chegou ao Brasil, fiz-lhe o convite para vir à Capital da Música dar uma palestra, e ele aceitou de pronto. O evento foi amplamente divulgado pelo jornal O Progresso de Tatuí, com matérias consecutivas na primeira página — demonstrando a força e a utilidade de uma imprensa honesta, verdadeiramente voltada para o bem da comunidade.
Sua vida foi inteiramente dedicada a aliviar o sofrimento humano na Terra, tratando doentes psíquicos e psicossomáticos. Mas, sobretudo, ele empenhou-se em fornecer as bases para uma reestruturação social que trouxesse a verdadeira civilização ao mundo.
Sua principal descoberta foi a Inversão que afeta a mente do ser humano, fazendo com que avaliemos a realidade ao contrário: enxergando os vícios, por exemplo, como algo bom, e a vida honesta de estudo e trabalho como um fardo prejudicial e cansativo.
Com base nessa descoberta, escreveu sobre educação, psicanálise, sociopatologia, economia, física, biologia e teologia, amparado por seu sólido trabalho clínico realizado anteriormente no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP e em seus consultórios particulares.
Muito eu teria a falar sobre este homem, com quem tive a rara sorte de conviver e ver o trabalho ao vivo ao longo de mais de 40 anos, mas o espaço não me permite alongar.
Assim, encerro este tributo a esse gênio da raça com um resumo que ele próprio fez de seu trabalho:
“Todo o meu trabalho tem sido realizado no sentido de aproveitar as descobertas do passado, com a correção de seus erros através da conscientização, para que seja desenvolvido um novo tipo de civilização; uso o processo dialético da fusão, que é o autêntico, com a finalidade de chegar ao terceiro e definitivo elemento – daí o nome que dei de Trilogia, que significa a realização de toda a realidade.” (Norberto Keppe, Metafísica Trilógica, A Libertação do Ser, Paris, 1993).
Até breve.
* Jornalista e escritor tatuiano.




