
Da reportagem
O Grupo BT/Clube de Campo, o Basquete Tatuí, está vivendo um momento marcante em sua trajetória. O time está na final da Liga Ouro – principal competição de acesso ao basquete nacional brasileiro (NBB).
As datas das possíveis cinco partidas para a definição da disputa, contra Brusque, já estão definidas. O primeiro jogo acontece na terça-feira, 19, e o segundo, na quarta-feira, 20. Ambos no Clube de Campo de Tatuí, a partir das 20h.
Já a terceira e a quarta partida serão na Arena Brusque. A terceira está marcada para segunda-feira, 25, às 19h30, e a quarta, para quarta-feira, 27. O último jogo – se necessário – está marcada para sábado, 30, também no Clube de Campo.
As duas últimas partidas ainda não têm horário marcado. Caso alguma das equipes vença três jogos antecipadamente, já será o campeão, e, portanto, o quarto e o quinto jogo podem não acontecer.
Para chegar até aqui, os apoios têm sido fundamentais, “desde os jogadores até aqueles que organizam o evento”, afirma o técnico do time, Daniel Leque.
Segundo a Liga Nacional de Basquete (LNB), Tatuí é o único representante do estado de São Paulo na Liga Ouro 2026, portanto, “a expectativa tem sido muito grande para as próximas partidas”, antecipa Leque.
Um dos motivos apontados para o sucesso no campeonato é que o time tem mostrado “reação rápida”. Um exemplo foi na estreia da Liga Ouro. No início, Tatuí chegou a ficar 19 pontos atrás do Unoesc Basket e conseguiu virar o jogo, com o placar final de 91 a 89.
Já nos três jogos mais recentes, a resiliência e a disciplina têm sido fatores fundamentais para manter a equipe tatuiana na corrida pelo tão sonhado NBB, avalia Leque.
Além disso, para o técnico, “carregar o nome da cidade em uma competição nacional é extremamente importante e inspira novos atletas a continuarem futuramente com o projeto”.
Ainda segundo Leque, mudanças precisas foram feitas no decorrer das disputas, principalmente no perfil de jogo. “Não foi uma tarefa fácil. Porém, a partir do momento em que os jogadores abraçaram a ideia e acreditaram na mudança, o time passou a ter a melhor defesa do campeonato, baseada em um novo padrão defensivo trabalhado pela comissão técnica”, avaliou.
O time mantém invencibilidade em casa. As próximas decisões da equipe ocorrem nestes dias 19 (terça-feira) e 20 (quarta-feira), em Tatuí. E isto é considerado muito importante pela equipe.
“Em momentos difíceis, a torcida local pode levantar e motivar a equipe”, garante o técnico. No confronto contra o então líder Fluminense, em outro, exemplo, Tatuí venceu o adversário “com a torcida em peso nas arquibancadas, com gritos, músicas e palavras de motivação”.
“Eu vinha jogar contra aqui e já sentia a energia dessa torcida; mas, jogando a favor, é incrível. Eles levantam o elenco. A torcida é uma das peças fundamentais nos próximos dois jogos”, reitera Leque.
Em entrevista a O Progresso de Tatuí, o técnico acentuou que as principais qualidades do time são a entrega, a união e a defesa. “A força mental também é algo primordial para os atletas”, acrescentou.
Para Leque, conversas individuais e em grupo são necessárias para “conter” os ânimos à flor da pele, seja para disputar a próxima partida ou administrar situações dentro do jogo.
O técnico encerrou dando ênfase à importância do auxiliar técnico Felipe Taddei estar ao lado dele neste momento. Segundo Leque, ao chegar ao Basquete Tatuí, Taddei lhe transmitiu grande confiança, construindo juntos uma excelente relação técnica.
A equipe conta com jogadores experientes, que acumulam passagens por equipes da região e de diferentes partes do Brasil. João Machini (armador), por exemplo, é natural de Franca – conhecida como a capital do basquete.
Sempre foi incentivado pelos pais, desde pequeno, a acompanhar os jogos na cidade natal. Percebendo sua paixão pelo esporte, os pais o matricularam em uma escolinha aos oito anos.
Após passar por algumas categorias de base, aos 17 e 18 anos, vendo a rotina dos colegas, decidiu que era aquilo que realmente “queria para a vida”. “Treinar com eles era uma motivação enorme”, afirmou Machini.
O atleta teve a experiência de sair de casa cedo para buscar seus objetivos. Essa decisão ocorreu quando teve uma breve passagem por Caxias do Sul (RS) e, em seguida, chegou à equipe tatuiana, onde está há cinco meses. Para ele, a adaptação com o grupo foi muito positiva.
Durante a entrevista, o jogador revelou que a probabilidade de se tornar um jogador de basquete era muito pequena pelo fato de ter 1,76 m de altura. “Muitos até zombavam”, conta.
“Nunca deixei isso me afetar. Você tem que seguir seus sonhos e não escutar essas pessoas, manter a cabeça sempre firme e acreditar que você consegue”, destacou o armador.
Em relação aos próximos jogos, o atleta disse estar com expectativa muito grande. Segundo ele, o time fez um campeonato muito bom até o momento.
Por sua vez, Rafael Castellon (ala) tem vasto histórico no basquete brasileiro. Sua trajetória começou aos 18 anos, passando por equipes de São Bernardo, Presidente Prudente, Rio de Janeiro, Nordeste, Paraná e Fluminense.
Castellon está no projeto há cinco anos e, segundo ele, “é uma grande honra fazer parte do time”. O ala ainda disse que pretende se aposentar na equipe tatuiana.
“É um projeto que está crescendo a cada ano. Estive aqui quando estava no início, e ver o tamanho que ele se tornou me deixa muito feliz”, sustentou.
O jogador destacou a importância da torcida presente nos jogos. Segundo ele, ela faz muita diferença. “Existem momentos em que a energia acaba e o desânimo começa a aparecer, mas a presença da torcida evita que isso aconteça dentro de quadra. A energia transmitida funciona como combustível para os jogadores, por isso é muito importante jogar em casa”, argumenta.
Castellon reforça o convite para que todos estejam presentes nos próximos dois jogos da equipe. Segundo ele, é fundamental o projeto chegar até à final justamente no ano em que a cidade comemora o bicentenário de existência.
Para o dirigente do projeto, Emanuel Lopes, antes mesmo do time chegar até aqui, foi traçado um desafio: montar uma equipe para se tornar campeã. Caso contrário, o projeto nem seria iniciado, lembra ele.
Apesar de ainda haver um caminho pela frente, o diretor afirma, “com toda certeza, que o trabalho tem dado resultado”. Para ele, “é uma grande responsabilidade representar a cidade através do time”. “A gente não representa apenas 12 pessoas, mas sim uma população de mais de 130 mil pessoas”, acentuou.
Apesar da alegria em ver o time avançando cada vez mais, o dirigente disse que, para não perder o foco na competição e prejudicar o desempenho técnico nos jogos, tenta tratar os confrontos decisivos como “mais uma partida”. “Controlar a mente em momentos como esse é quase impossível”, relata.
O responsável pelo projeto destaca “a grande responsabilidade e a filosofia de trabalho adotada não apenas nesse elenco, mas no projeto como um todo”. “A filosofia é prezar pelo impacto além da quadra. A ideia é inspirar pessoas, não apenas atletas, mas todos em geral”, frisa Lopes.
“É ver um pai de família, por exemplo, que trabalha o dia inteiro, mas tem como hobby buscar os filhos depois do trabalho para assistir ao jogo”, acrescenta.
O dirigente também destacou a presença “contagiante” da torcida. Por isso, sorteios e decorações vêm sendo preparados no ginásio para que a quadra fique com a identidade do time.
“Meu sonho é ver esse ginásio lotado. É para isso que a gente trabalha. Esse é meu sonho. Coloquei isso no meu coração, um legado que devo levar adiante”, afirma.






