Vagas de emprego formais registram baixa no mês de maio, aponta Caged

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Moraes afirma que construção civil deve ter crescimento nos próximos meses (foto: Diléa Silva)
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O mês de maio registrou o fechamento de 40 postos de trabalho em Tatuí. O resultado é decorrente de 696 novas admissões e 736 desligamentos somados durante o período nos 4.774 estabelecimentos avaliados. Os dados são do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados), órgão do Ministério do Trabalho, divulgados no dia 21 de junho.

Nos últimos três meses, a cidade vinha apresentando alta nos postos de trabalho, alcançando saldo positivo de 312 vagas. Neste ano, a geração de empregos em Tatuí havia ficado negativa apenas em janeiro, com menos 11 vagas. Em fevereiro, a alta havia sido de 300 novos postos, seguida de 23 em março e 70 em abril.

Nos cinco primeiros meses do ano, a variação positiva é de 342 novos trabalhadores empregados, mesmo considerando-se o baixo número de empregos gerados durante os meses de janeiro e maio. Em 2017, a cidade teve redução de 389 vagas.

O Caged fornece informações sobre trabalhadores regidos pela CLT (Consolidações das Leis do Trabalho) e que possuem carteira assinada. O levantamento não leva em consideração funcionários públicos estatutários e trabalhadores na informalidade.

De acordo com o mediador de negociações coletivas da agência regional do Ministério do Trabalho, Antonio Carlos de Morais, o resultado negativo já era esperado devido à crise econômica nacional à greve dos caminhoneiros – uma paralisação de caminhoneiros autônomos com extensão nacional, iniciada no dia 21 de maio, no Brasil.

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“Hoje, a situação é muito crítica. Com a crise econômica e as greves, houve uma retração de maneira geral na economia, e isso acabou refletindo no índice de empregabilidade. Tatuí já estava em dificuldade e acabou tendo um reflexo grande”, comentou o mediador.

O setor que mais sofreu com a queda foi o comércio, com 217 admissões para 266 demissões, apresentando saldo negativo de 49 empregos. Em seguida, vem o setor de prestação de serviços, com 172 admissões e 195 demissões, baixa de 23 postos.

Para Morais, a greve foi uma das principais causas para a queda nos índices do Caged nos dois setores. Ele afirma que o comércio ficou parado devido à falta de combustíveis, o que teria acarretado as demissões.

“Chega ao final do mês, eles (os comerciantes) têm que pagar as contas. A greve foi terrível para esses setores. Muitos produtos não chegaram aos estabelecimentos e os consumidores não tinham como sair para comprar, tudo isso afeta”, avaliou.

Três dos oito principais setores econômicos tiveram saldo positivo. O principal deles é o de construção civil, com 38 novos postos de trabalho, seguido por agricultura, silvicultura e criação animal, com 13, e extração mineral, com 7.

O crescimento na área de construção civil já era esperado. Morais afirma que muitas obras que estiveram paralisadas por um período estão sendo retomadas, e com isso a tendência era ocorrer o crescimento.

Em março, Morais avaliou, a O Progresso, que aguardava melhora nas vagas criadas pelo setor, o que acabou não atrasando nos meses de março e abril.

As perspectivas do órgão continuam positivas para o setor. Ainda segundo Morais, os índices de emprego da construção civil devem continuar crescendo. “Acredito que ainda deve ocorrer uma variação positiva. Talvez, não um crescimento grande, mas pelo menos de 20 ou 30 vagas”, argumentou.

Na agropecuária, houve 60 contratações e 47 demissões no mês de maio. O setor também deve aumentar as contratações nos próximos meses, conforme afirmou Morais.

Ele aponta que a área demorou a reagir neste ano, mas acredita que a tendência é manter o crescimento nos próximos meses. “Vejo a agricultura e a construção civil com possibilidades de crescimento”, observou.

Os setores de indústria de transformação, serviços de utilidade pública e administração pública obtiveram resultado negativo de menos 26 postos de trabalho.

Para os setores de comércio e serviços, as perspectivas não são boas para o próximo mês. De acordo com Morais, com o fechamento da fábrica de refrigerantes Dolly, muitas pessoas ficaram desempregadas (a assessoria da impressa da empresa havia informado em nota, na semana passada, que seriam mais de 700 funcionários, embora não todos de Tatuí).

“Acredito que vai, realmente, ocorrer uma queda bem acentuada, que afetará as áreas de comércio e prestação de serviço. Isso, infelizmente, vai representar um número alto de desemprego em Tatuí no resultado do Caged no mês que vem”, antecipou.

O desempenho regional do mês de maio, na microrregião de Tatuí, que inclui as cidades de Boituva, Cerquilho, Cesário Lange, Laranjal Paulista, Pereiras, Porangaba, Quadra e Torre de Pedra, foi de 383 novos trabalhadores empregados. Foram 2.573 pessoas admitidas e 2.190 trabalhadores desligados.

Para Morais, a crise brasileira acabou afetando toda a região. “Acredito que a tendência é um crescimento lento, a não ser que ocorra a instalação de uma nova indústria. Até o mês de dezembro, o saldo será positivo”, ponderou.

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