Tatuí abriga a 22ª Basílica do estado de SP

Celebração da instalação católica será realizada na quinta-feira, feriado de Tiradentes

Igreja Matriz será a segunda basílica da Diocese de Itapetininga (foto: AI Prefeitura)
Da reportagem

Na quinta-feira, 21, feriado de Tiradentes, a igreja Matriz de Tatuí promove a missa de instalação canônica da Basílica Nossa Senhora da Conceição, que se tornará uma “extensão do Vaticano na Cidade Ternura”, como define o reitor da agora basílica, padre Élcio Roberto de Góes.

A cerimônia religiosa terá início às 16h e toda a população é convidada a participar. De acordo com o reitor, além do interior da igreja, toda uma estrutura está sendo preparada no exterior do templo para acolher os fiéis no dia da celebração.

A preparação religiosa para a instalação canônica da basílica começou na segunda-feira, 18, com o primeiro dia do tríduo preparatório, tendo missa celebrada pelo padre Márcio Almeida, da Basílica de São Miguel Arcanjo.

Na terça-feira, 19, às 19h30 (depois do fechamento desta edição), aconteceria o segundo dia do tríduo, com missa celebrada pelo padre Leonardo Mendes Soncin, da Paróquia São João Batista, de Itapetininga.

A preparação se encerra nesta quarta-feira, 20, às 19h30, quando a igreja Matriz celebra o terceiro dia do tríduo, com missa presidida pelo padre Lucas Augusto, da paróquia São João Batista, de Guareí.

“A ansiedade está a mil e a expectativa é boa”, declarou o reitor da nova basílica tatuiana. Segundo ele, as preparações ainda incluem reuniões e ensaios das equipes. Mais de 150 pessoas estão envolvidas nos preparativos da celebração.

Com a elevação, a Igreja Matriz de Tatuí se tornará a 74ª Basílica Menor do Brasil, a 22ª do estado de São Paulo e a 2ª da Diocese de Itapetininga, juntamente com a Basílica de São Miguel Arcanjo, na cidade homônima, que conquistou a elevação em 2018.

Góes explica que, diferentemente das outras celebrações do calendário católico, a missa tem um roteiro diferenciado. A particularidade ocorre, principalmente, nos momentos iniciais, quando os bispos presentes serão recepcionados pelo prefeito de Tatuí, Miguel Lopes Cardoso Júnior, e pelo reitor, nos arredores da Igreja.

De acordo com a organização da cerimônia, mais de mil pessoas devem estar presentes na basílica para a missa, entre autoridades religiosas, civis, militares, além dos fiéis, que, para melhor serem acomodados, terão um espaço amplo no exterior do templo para acompanharem a celebração, com cadeiras e telão.

Durante o rito, será apresentado o “Decreto Pontifício”, documento no qual constam as motivações que fundamentaram a concessão do título de basílica menor à igreja.

Haverá apresentação também da outorga do papa Francisco, por meio da “Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos”, que dispõe sobre os privilégios e as obrigações inerentes a este título.

Além disso, serão acolhidas as insígnias basilicais: Virga Rubra (uma espécie de bastão, revestido de tinta vermelha com decorações e ponteiro em prata), Tintinábulo (estandarte com um pequeno sino) e Umbela Basilical ou Conopeu Basilical (um tipo de guarda-sol, usado sempre semiaberto com as cores do Vaticano, o brasão do papa, o brasão do bispo, o brasão da diocese, o brasão do reitor da época da eleição e a bandeira do município onde está instalada a basílica).

A missa de instalação da basílica será presidida por dom Gorgônio Alves da Encarnação Neto, bispo de Itapetininga. O momento histórico acontece durante as comemorações de 200 anos de existência da igreja, fundada em 1822.

A prefeitura de Tatuí, por meio de nota à imprensa, destaca que a igreja é tombada pelo Condephat (Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico e Artístico de Tatuí), sendo considerada patrimônio histórico e cultural do município e, agora, também um templo reconhecido internacionalmente.

A cerimônia de instalação será presidida pelo bispo Alves da Encarnação Neto e, também, contará com a presença de outros bispos, como o arcebispo de Sorocaba, dom Júlio Endi Akamine.

A elevação

Conforme Góes, o processo de elevação foi sugerido em reunião entre os padres das comunidades tatuianas e o bispo da diocese de Itapetininga, e teve início em fevereiro de 2020.

Na ocasião, foram encaminhadas duas cartas, uma à CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil) e a outra ao prefeito da Sagrada Congregação para o Culto Divino e Disciplina dos Sacramentos do Vaticano, cardeal Robert Sarah.

O parecer favorável da presidência da CNBB chegou à diocese de Itapetininga em 11 de maio de 2020, em carta assinada pelo arcebispo metropolitano de Belo Horizonte, em Minas Gerais, dom Walmor Oliveira de Azevedo.

A partir da autorização da CNBB, a diocese e a paróquia começaram a montar um processo completo, com fotos da igreja, histórico e arquitetura detalhada do templo religioso para enviar ao Vaticano.

Já o Vaticano autorizou o processo de análise e enviou o questionário ao bispo diocesano no dia 12 de junho, em carta assinada por dom Arthur Roche, arcebispo secretário da Sagrada Congregação para o Culto Divino e Disciplina dos Sacramentos do Vaticano, quando a paróquia iniciou nova fase na busca pela elevação.

Uma comissão formada por lideranças paroquiais ficou responsável pelo preenchimento do material e, por meio dos dados apresentados, a Santa Sé definiu que o santuário atendera aos requisitos necessários para ser elevado.

A primeira reunião da comissão ocorreu no dia 24 de agosto, com participação do padre Márcio Almeida, reitor da Basílica de São Miguel Arcanjo, primeira igreja elevada à basílica na diocese de Itapetininga.

O reitor orientou os membros da comissão sobre os passos necessários para a composição do questionário e às etapas seguintes dentro do processo de solicitação de elevação da igreja a basílica.

A comissão foi dividida por membros responsáveis pelo levantamento das fotografias, planta baixa, relatório da vida pastoral, material litúrgico, imagens dos santos, brasões, histórico, vida litúrgica e financeira.

A documentação exigida para o processo de concessão foi reunida e, depois de pronta, entregue ao Vaticano pelo paroquiano Leonardo Costa de Camargo Barros, que esteve em Roma em agosto de 2021.

Barros participou de reunião com o secretário ecônomo da Sagrada Congregação para o Culto Divino e Disciplina dos Sacramentos do Vaticano, dom Salvatore, no dia 23 de agosto, na qual entregou um questionário respondido pela paróquia e um processo completo do local, com fotos, histórico e arquitetura detalhada do templo religioso.

No Vaticano, o paroquiano ainda participou de audiência pública com o papa Francisco e entregou ao pontífice uma cópia resumida do relatório sobre o processo de elevação canônica, além de uma pasta personalizada do Santuário Nossa Senhora da Conceição, de Tatuí.

Depois de quase dois anos de espera, o santuário recebeu a notícia da elevação à basílica menor, justamente na semana em que iniciou a programação dos 200 anos de fundação no município.

O evento teve abertura no dia 3 de janeiro, com a Missa da Solenidade de Epifania do Senhor, celebrada pelo bispo dom Gorgônio e pelo padre Élcio de Góes.

A elevação ao título de basílica menor traz mudanças na estrutura física e espiritual do templo religioso, “em virtude das muitas graças que uma basílica pode conceder aos fiéis”.

“Espiritualmente, a basílica passa a ser uma Igreja de comunhão mais ampla, mais próxima ao Vaticano. Além disso, passa a ter elementos próprios de uma basílica – que nos remetem à figura do papa e são próprias dessas igrejas”, explicou o reitor.

“Ela também passa a oferecer graças especiais, como as indulgências plenárias em seis datas ao ano, tudo isso próprio de uma basílica. Além de se tornar referência de beleza, arquitetura e, principalmente, de uma vida litúrgica vivida a partir dos ensinamentos da igreja”, completou.

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