‘Matriz’ inicia nova etapa para ‘elevação’

444
Templo religioso é reconhecido como Patrimônio Histórico e Cultural de Tatuí (Foto: Juninho Oliveira)
Publicidade
Da reportagem

A Paróquia Santuário Nossa Senhora da Conceição iniciou nova fase na busca pela elevação da igreja Matriz de Tatuí ao título de basílica menor. No mês passado, o Vaticano autorizou a análise do pedido do título e enviou questionário solicitando dados para a possível concessão.

De acordo com o pároco e reitor do santuário, padre Élcio Roberto de Góes, o preenchimento do questionário é considerado um dos passos mais importantes dentro do processo de elevação.

Goés explicou que o título é concedido pelo Vaticano “após análise minuciosa”. A elevação é autorizada pelo papa às igrejas consideradas importantes no que diz respeito à veneração popular, relevância histórica e beleza na arquitetura.

Uma comissão formada por lideranças paroquiais ficará responsável pelo preenchimento do material e, por meio dos dados apresentados, a Santa Sé define se o santuário atende aos requisitos necessários para ser elevado.

A primeira reunião da comissão ocorreu no dia 24 de agosto, com participação do padre Márcio Almeida, reitor da Basílica de São Miguel Arcanjo, primeira igreja elevada à basílica na Diocese de Itapetininga.

Publicidade

O reitor orientou os membros da comissão sobre os passos necessários para a composição do questionário e às etapas seguintes dentro do processo de solicitação de elevação da igreja a basílica.

“O Vaticano nos encaminhou o questionário e, agora, nós entramos na fase mais trabalhosa, que é responder às perguntas. É um questionário criterioso, onde você vai ter que apresentar toda a realidade da igreja, desde a estrutura física até a composição litúrgica, pastoral e social”, detalhou Almeida.

Além de responder ao questionário, Goés explicou que a diocese e a paróquia terão de montar um processo completo, com fotos, histórico e arquitetura detalhada do templo religioso.

A comissão é dividida por membros responsáveis pelo levantamento das fotografias, planta baixa, relatório da vida pastoral, material litúrgico, imagens dos santos, brasões, histórico, vida litúrgica e financeira.

“Uma vez que este material é apresentado ao Vaticano, já não depende mais de nós. O Vaticano vai avaliar e, então, dar o título ou não. Nós acreditamos que esta igreja possa receber o título de basílica, e é com muita confiança que vamos apresentar os dados solicitados”, declarou Almeida.

O processo de elevação da paróquia a basílica menor começou em fevereiro deste ano, sugerido em reunião entre os padres das comunidades tatuianas e o bispo da diocese de Itapetininga.

Na ocasião, foram encaminhadas duas cartas, uma dirigida à CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil) e a outra ao prefeito da Sagrada Congregação para o Culto Divino e Disciplina dos Sacramentos do Vaticano, cardeal Robert Sarah.

A CNBB deu parecer favorável ao pedido de elevação no dia 11 de maio, em carta assinada pelo arcebispo metropolitano de Belo Horizonte (MG), dom Walmor Oliveira de Azevedo.

Já o Vaticano autorizou o processo de análise e enviou o questionário ao bispo diocesano no dia 12 de junho, em carta assinada por dom Arthur Roche, arcebispo secretário da Sagrada Congregação para o Culto Divino e Disciplina dos Sacramentos do Vaticano.

Conforme Góes, não há prazo estipulado para a entrega dos documentos solicitados. “Depende do empenho do nosso trabalho”, completou o sacerdote, indicando a intenção de finalizar o levantamento o “mais rápido possível”.

Caso o pedido seja aceito pela Santa Sé, o Santuário de Nossa Senhora da Imaculada Conceição será o segundo templo religioso da diocese de Itapetinga a receber o título de basílica.

No dia 25 de maio de 2018, o cardeal Sarah assinou o decreto de concessão do título de basílica menor à Igreja Santuário de São Miguel Arcanjo, situada nessa cidade.

Segundo Almeida, a elevação ao título de basílica menor traz mudanças na estrutura física e espiritual do templo religioso, “em virtude das muitas graças que uma basílica pode conceder aos fiéis”.

“Espiritualmente, a basílica passa a ser uma Igreja de comunhão mais ampla, mais próxima ao Vaticano. Além disso, ela passa a ter elementos próprios de uma basílica – que nos remetem à figura do papa e são próprias dessas igrejas”, explicou o reitor.

“Ela também passa a oferecer graças especiais, como as indulgências plenárias em seis datas ao ano, tudo isso próprio de uma basílica. Além de se tornar referência de beleza, arquitetura e, principalmente, de uma vida litúrgica vivida a partir dos ensinamentos da igreja”, completou.

Conforme o reitor, outra diferença é a disposição de quatro sinais visíveis que distinguem a basílica: o brasão do Vaticano na cadeira do presidente; a “Umbela” (o guarda-chuva com as cores e brasões do Vaticano, do papa, do bispo diocesano, da basílica, do reitor e da cidade), usada em procissões de rua; o “Tintinabulo” (brasão do vaticano com um sino); e a “Virga Rubra” (que acompanha as procissões).

“Já demos alguns passos e, agora, chegamos a uma fase crucial desta caminhada rumo à elevação. Contamos com as orações e ajuda de todos, para que, se for da vontade da Igreja, possamos, em breve, chamar o santuário de Basílica Nossa Senhora da Conceição”, concluiu Almeida.

História

O templo religioso foi tombado por decreto municipal em junho de 2007. O prédio é patrimônio histórico que preserva detalhes arquitetônicos do século 19 e possui afrescos pintados pelo artista plástico piracicabano Mário Tomazzi.

A pedra fundamental do prédio, que tem porte e estilo de catedral, foi instalada no dia 9 de agosto de 1884, sendo a primeira obra da cidade a utilizar tijolos cerâmicos.

Para a construção do edifício central – já com dois pavimentos – e das duas torres de 30 metros de altura cada, foram gastos 550 mil tijolos, 355 carradas (cargas de um carro) de pedra e 8.000 sacas de cal.

O templo foi eleito, em 8 de dezembro de 2006, patrimônio histórico e cultural da cidade e, em 2007, com o tombamento, passou a integrar o conjunto de prédios históricos do município.

Já em dezembro de 2009, na comemoração dos 180 anos, a pedido do padre Milton de Campos Rocha, a diocese de Itapetininga elevou a paróquia ao título de santuário.

Publicidade