Secretário estadual da Cultura virá a Tatuí para tratar sobre o CDMCC

Sérgio Sá Leitão e Sustenidos têm reunião agendada para a terça-feira

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Edis foram informados sobre visita de secretário estadual durante sessão (foto: Eduardo Domingues)
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Da reportagem

A movimentação política após o anúncio de rompimento de contrato com pelo menos 50% dos professores monitores do Conservatório Dramático e Musical “Dr. Carlos de Campos”, de Tatuí, feito pela Sustenidos Organização Social de Cultura, gestora da instituição, trará o secretário estadual da Cultura, Sérgio Sá Leitão, ao município na próxima terça-feira, 19.

Durante sessão ordinária, realizada na Casa de Leis, na noite de quarta-feira, 13, o presidente do Legislativo, Antonio Marcos de Abreu (PSDB) afirmou que as reações contra os cortes na instituição haviam chegado ao governador João Doria e que o secretário estadual viria ao município para tratar sobre o assunto ainda neste mês.

Na manhã de sexta-feira, 15, Abreu confirmou à reportagem de O Progresso que a informação fora levada a ele pela deputada estadual Damaris Moura (PSDB), que acompanhará o secretário municipal na visita ao município.

O presidente da Câmara Municipal informou que também fora convidado a participar da reunião (cujo horário não foi divulgado) entre Sá Leitão e a Sustenidos a respeito do Conservatório de Tatuí.

“Fui convidado e irei apresentar as demandas. Acho que o Conservatório deve voltar da forma como era, cumprindo com todas as exigências”, afirmou.

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Durante a fala na reunião parlamentar, Abreu disse que um novo recurso será liberado ao Conservatório. Questionado pela reportagem, afirmou que poderá dar mais informações sobre a verba somente após a reunião de terça-feira.

Esclarecimentos

A reunião acontece de forma paralela ao convite, feito através do requerimento 2.944/21, aprovado pelos vereadores durante a sessão parlamentar desta semana, para que a Sustenidos preste uma série de esclarecimentos à Câmara Municipal.

Protocolado por Abreu, com aval dos demais parlamentares, o requerimento possui 14 questionamentos, desde o número e funções dos colaboradores demitidos, até perguntas sobre o orçamento, continuidade dos cursos oferecidos, participação em festivais e manutenção de grupos e orquestras do Conservatório de Tatuí.

“O que queremos do Conservatório é uma qualidade de atendimento e aos alunos, que não ocorram mais demissões de professores e que volte a ser como era antigamente”, reforçou o presidente da Casa de Leis.

“A cidade leva o título de Capital da Música devido ao Conservatório. A nossa preocupação é de que a instituição continue andando e levando o nome de Tatuí dentro e fora do Brasil”, completou Abreu.

Em conjunto, Fábio Antônio Villa Nova e Micheli Cristina Tosta Gibin Vaz (ambos do PP) protocolaram o requerimento 2.943/21, cobrando ações do Poder Executivo em relação ao Conservatório.

Após revelar que a filha estudou trompa na instituição por sete anos e o filho está no primeiro ano do mesmo instrumento, Micheli afirmou que, “considerando a gravidade das recentes notícias”, acredita que o Executivo irá defender, junto ao governo estadual, a permanência da escola de artes e música no município.

A vereadora também relatou que, na semana passada, o deputado federal tatuiano José Guilherme Negrão Peixoto, o Guiga Peixoto (PSL), fez cobranças ao governo estadual sobre o Conservatório de Tatuí em entrevista à rádio Jovem Pan. “Estamos lutando e nos posicionando, cada um lutando do seu jeito, para que o município não perca o Conservatório”, declarou Micheli.

Posteriormente, Abreu agradeceu, nominalmente, Guiga e os deputados estaduais Damaris, Ricardo Madalena (PL) e Carlos Giannazi (PSOL) por “terem se sensibilizado e estarem defendendo a permanência do Conservatório em Tatuí”.

Elefante branco

Na parte final da ordem do dia, pela primeira vez, os parlamentares da atual legislatura tiveram tempo disponível para a palavra livre. Declarações do vereador Cláudio dos Santos (PSL), então, receberam críticas de outros pares.

Santos iniciou a fala questionando se realmente o Conservatório de Tatuí pertence aos tatuianos e afirmando que, de “bate e pronto”, poucos munícipes saberiam informar o nome completo, quais os cursos e a forma de ingressar na instituição.

O vereador disse ter ligado para uma pessoa que trabalha na instituição e ter sido informado de que a organização social estaria demitindo funcionários com salários “astronômicos” e, possivelmente, contrataria profissionais com salários mais baixos dentro da categoria.

“Isso é uma prática bastante comum, pois o governo do estado e empresas visam lucro. No ponto de vista do governo, o Conservatório não dá lucro e é algo que, ao governo, não está servindo para nada”, declarou.

“Para nós, é gostoso ter o status de cidade da música e o Conservatório. Agora, se existisse o Conservatório sem ser usado, apenas por status e gerando gastos para a sociedade, não serve para nada”, completou Santos.

Ele disse ter feito alguns questionamentos à Sustenidos e estar aguardando as respostas para se posicionar. “A gente precisa saber disso (respostas dos questionamentos) para realmente defender se fica aberto ou fecha. Se for ficar só por status, como um elefante branco, que feche então”, afirmou o parlamentar.

“Logicamente que, olhando por outro lado, fechar não seria bom para Tatuí, mas o que é de benefício para a cidade de verdade? Ter o Conservatório só por bonito, que feche então. Agora, se for para ser como era um tempo atrás, ‘vivo’, que atraia e realmente formava grandes pessoas, eu sou favorável”, acrescentou Santos.

Reações

Tanto Villa Nova quanto Eduardo Dade Sallum (PT) disseram ter ficado tristes com as declarações de Santos.

Para Villa Nova, “infelizmente, por conta de desgastes e diminuição de recursos destinados pelo governo estadual, alguns munícipes estão tendo uma visão parecida com a de Santos”.

“O Conservatório vai se desgastando cada vez mais, até que a população fala: ‘Não tem necessidade mesmo’. Assim, a dor é menor, quase não é sentida”, afirmou.

O parlamentar lembrou que, quando estudava em Campinas, costumava encontrar amigos que haviam estudado com ele no Conservatório de Tatuí, tocando na Sinfônica de Campinas. “Nós temos de lutar para que o Conservatório voltar a ser grande”, ressaltou Villa Nova.

Segundo Sallum, a fala do vereador Santos “mostra total desconhecimento do que é a instituição, da importância que tem para a vida de Tatuí e a vida de tantos jovens e adultos, na geração de empregos e na criação de profissionais de excelência”.

Na sequência, Sallum expôs que, aos seis anos, começou a estudar no Conservatório de Tatuí e, após dois anos de iniciação musical, pôde escolher “o violino grande”, o violoncelo, instrumento pelo qual estudou por mais seis anos, sem ter que pagar por ele.

Conforme o vereador, o Conservatório é uma escola de excelência, pois, no primeiro ano tocando um instrumento, os professores davam aulas individuais, “respeitando a singularidade de evolução de cada estudante”.

Sallum relatou que, conforme a evolução, os estudantes passavam por três orquestras, formadas somente por alunos da escola, até chegarem na Orquestra Jovem, nos últimos anos de curso.

Nesse momento, os alunos disputavam quem seriam os melhores para se tornarem bolsistas e tocarem na Orquestra Sinfônica Paulista, a orquestra dos professores.

De acordo com o parlamentar, a Orquestra Sinfônica Paulista é referência internacional. Segundo ele, a Osesp (Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo) e a Orquestra Municipal de Campinas são consideradas as duas melhores do país, sendo que ambas possuem “mais da metade” dos músicos formados no Conservatório de Tatuí.

“Eles (Sustenidos) vão acabar com a Orquestra Sinfônica Paulista, tirando todos os professores dela”, assegurou.

O vereador lembrou que parte do salário dos professores equivale a bonificação por tocarem na orquestra, a qual será reduzida.

“Não irá compensar para esses professores, que são os melhores do país, receber um salário ‘mixaria’. É mixaria o que eles querem dar aos professores, cortando a monitoria das orquestras. Já os músicos que não são professores serão demitidos de imediato, isso está na proposta técnica da OS”, frisou Sallum.

O vereador ainda ressaltou que o orçamento anual de R$ 25 milhões é o mesmo desde 2010, o qual, se acompanhasse a inflação, teria de ser de R$ 45 milhões no momento.

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