‘Tatuí é coração do Samu’, afirma ministro

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    Rafael Segato

    Autoridades, equipe do Samu, senador, ministro da Justiça, políticos e empresários da Rontan entregaram chave simbólica de viaturas a prefeitos

     

    “O coração do Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência) está aqui. Não seria possível fazer o Samu com a qualidade que fizemos, ter ambulâncias padrão UTI (unidade de terapia intensiva) e, agora, as novas viaturas adaptadas 4×4, sem a capacidade e o esforço dos profissionais de Tatuí”.

    Essa é razão que levou o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, a escolher Tatuí para a comemoração dos dez anos do Samu. O evento aconteceu na sede da empresa Rontan, quinta-feira, 5, e atraiu autoridades de diversas partes do Brasil.

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    Também participaram o senador Humberto Costa e deputados federais e estaduais. Os políticos chegaram à empresa com mais de duas horas de atraso.

    Eles foram recepcionados pelo prefeito José Manoel Correa Coelho, Manu, pelo vice-prefeito, Vicente Aparecido Menezes, vereadores e diretores da empresa de caracterização de viaturas.

    O cerimonial do ministério havia programado o início do evento para as 10h. Entretanto, por questão de agenda, Padilha fez primeira parada em Sorocaba. De lá, veio de “van” a Tatuí, com o grupo de políticos e empresários.

    Na cidade, o ministro participou da cerimônia, recebeu presentes, título de cidadania e tirou fotos com a equipe do Samu local. Em seguida, concedeu entrevista coletiva.

    Durante discurso, Padilha destacou a importância do município – e da Rontan – na história dos dez anos do serviço, anunciou aumento de repasse do SUS (Sistema Único de Saúde) para a Santa Casa da cidade e a cessão de nova viatura, uma 4×4, para reforçar a frota local e atender à área rural.

    O ministro ocupou a mesa de autoridades ao lado do prefeito, do presidente do Grupo Rontan, João Alberto Bolzan, do senador e dos deputados federais Cândido Vaccarezza, Iara Bernardi, Vanderlei Siraque e Francisco Escórcio, e estadual Hamilton Pereira.

    Representando a Câmara Municipal, esteve o presidente Oswaldo Laranjeira Filho. Também juntaram-se às autoridades membros do Ministério da Saúde, representantes da Rontan, de montadoras de automóveis e concessionárias, e o secretário estadual da Saúde da Bahia, Jorge Solla.

    A solenidade teve início com execução do Hino Nacional pela Orquestra da Associação dos Músicos de Tatuí, sob regência do maestro Rafael Pires e interpretação de Hugo de Araújo. Na sequência, houve apresentação de vídeo institucional da empresa e divulgação dos números do serviço nos dez anos.

    Nesse período, o ministério informou que o Samu chegou a 181 centrais de regulação. Elas estão presentes em 2.770 municípios, contando com 3.041 unidades móveis, sendo 2.251 de suporte básico, 560 de suporte avançado, 215 motolâncias, 8 ambulanchas e 6 unidades de atendimento “aeromédico”.

    O evento comemorativo marcou, ainda, a entrega de 363 novas ambulâncias para 199 municípios de 18 Estados. Para a compra dos veículos, o ministério investiu R$ 50 milhões.

    Além desse valor, a pasta federal anunciou que vai liberar, para as prefeituras atendidas, recursos adicionais para custeio das unidades, totalizando R$ 35,8 milhões por ano.

    Tatuí estará entre as contempladas, motivo que levou o prefeito a agradecer ao ministro. Manu abriu a série de discursos, que duraram quase uma hora e meia.

    Na solenidade, o prefeito elogiou Padilha e disse que ele “teve a coragem de enfrentar o problema da Saúde no Brasil”, em menção ao programa “Mais Médicos” – que “importou” profissionais de diversos países. “Com atos como este, vamos trazer, realmente, saúde de qualidade para o nosso país”, disse.

    A exemplo do Brasil, o prefeito disse que o município também sofre com a falta de médicos. Citou que o problema é mais crítico no Pronto-Socorro Municipal “Erasmo Peixoto” e afirmou que a Prefeitura espera ser atendida numa segunda seleção do programa Mais Médicos.

    O prefeito afirmou que aproveitou a viagem, de Sorocaba a Tatuí, para fazer solicitações a Padilha. “Tenho certeza que ele vai trazer boas-novas, boas notícias para nossa cidade”.

    Entre elas, o prefeito anunciou o aumento do repasse do SUS para a Santa Casa. De acordo com ele, a pasta federal aumentará de R$ 1,1 milhão o repasse anual para R$ 2 milhões. Manu destacou que o hospital é importante não só para Tatuí, mas para toda a região, por ser referência.

    Na conversa com Padilha, ainda sobre o hospital, o prefeito solicitou a duplicação do número de leitos da UTI. A unidade da Santa Casa conta, atualmente, com oito leitos. Número que, conforme Manu, é o mesmo há dez anos.

    “Nossa cidade cresceu muito. Quando tínhamos oito leitos, a cidade tinha 80 mil habitantes. Hoje, temos quase 120 mil habitantes e não há aporte financeiro para dobrarmos leitos”, citou o prefeito. “O meu celular toca todo dia, pelo menos uma vez por dia, sendo alguém pedindo vaga na UTI”, adicionou.

    A unidade do hospital, segundo o prefeito, está sempre cheia. O mesmo panorama é encontrado nos quatro leitos de urgência e emergência do pronto-socorro.

    O município, porém, não tem condições financeiras para ampliar o número de leitos. Nos cálculos da Prefeitura, a obra de uma nova ala (com mais oito leitos) custaria em torno de R$ 5 milhões, recursos que Manu pleiteou junto ao ministro.

    Segundo o prefeito, Padilha comprometeu-se a colaborar, com a condição de a Prefeitura conseguir a doação de uma ala do prédio da Santa Casa.

    “Ele disse que se dispõe e poderá ser possível. Então, fica aqui o pedido do prefeito e toda nossa população para que o senhor estude com carinho”, falou.

    Aos funcionários às autoridades, o prefeito enumerou conquistas obtidas pela administração municipal por meio do governo federal. Destacou, entre elas, duas verbas no valor de R$ 400 mil cada para obras de reforma do centro de fisioterapia e do laboratório municipal. Também falou sobre a UPA (Unidade de Pronto Atendimento) que está em fase de construção.

    O prefeito também citou que a cidade recebeu, da União, três novas viaturas do Samu. Ainda agradeceu ao ministro pela escolha da Rontan como palco da comemoração dos dez anos do serviço no país e enalteceu a empresa.

    Ao final do discurso, Manu aproveitou para solicitar uma unidade 4×4 ao município e entregou uma cesta com doces e produtos artesanais ao ministro da Saúde.

    Na sequência, Padilha recebeu, do presidente do Grupo Rontan, uma placa comemorativa aos dez anos de funcionamento do Samu 192 no país.

    João Alberto Bolzan leu o texto que acompanhou a placa, cumprimentou as autoridades da mesa e disse estar contente com a presença do ministro na empresa.

    Ele afirmou que as ações e programas realizados pelo governo federal na área da Saúde “reduzem a desigualdade social e garantem dignidade”.

    Também afirmou que as empresas do grupo, há mais de 40 anos, “compartilham do ideal reservado à iniciativa privada”. Segundo ele, o grupo contribui “decisivamente para a ordem econômica e social” ao manter quase 5.000 empregos diretos e “mais que o dobro em trabalho indireto”.

    Terceiro a discursar, Vaccarezza classificou o Samu como “ação fundamental para a saúde do povo brasileiro”. Para ele, além da Saúde, o serviço vem contribuindo para ações que buscam desenvolvimento econômico, por meio de distribuição de renda e criação de riquezas. “Basta ver a quantidade de pessoas que estão, aqui, trabalhando”, argumentou.

    Vaccarezza afirmou que a geração de renda e o desenvolvimento econômico são “a alma do Estado de São Paulo” e motivo de orgulho para os trabalhadores tatuianos.

    Segundo ele, “mais da metade da população do Brasil já viu ou está vendo um produto feito no município”, referindo-se às ambulâncias customizadas pelo Grupo Rontan.

    As menções às “consequências positivas” geradas pelo Samu também foram observadas pelo senador Humberto Costa. Responsável pela implantação do serviço na gestão do ex-presidente da República Luis Inácio Lula da Silva, o ex-ministro da Saúde disse ficar emocionado quando vê o sucesso do Samu.

    De acordo com ele, o serviço mudou o panorama da urgência e emergência no país, uma vez que permitiu o atendimento às pessoas de todas as classes sociais.

    “O programa é de inclusão social no Brasil. Nós não tínhamos atendimento pré-hospitalar de urgência gratuito. O Samu, atualmente, atende a pobres e a ricos. Já salvou milhares de vidas nesse país”, complementou.

    Na sequência ao senador, o ministro da Saúde recebeu título de cidadania tatuiana. A entrega ficou a cargo do presidente da Câmara, acompanhado do vice-prefeito e de cinco vereadores: André Marques, Dione Batista, José Eduardo Morais Perbelini, Jorge Sidnei Rodrigues da Costa e Rosana Nochele Pontes.

    Padilha dispensou o púlpito e discursou em tom de voz “mais alto” que as demais autoridades. Durante a fala, ocupou todos os espaços do palco, dando clima pré-eleitoral à cerimônia.

    O ministro é o nome indicado pelo PT para concorrer ao cargo de governador do Estado de São Paulo contra Geraldo Alckmin (PSDB) nas eleições gerais que acontecerão no ano que vem.

    Na solenidade, Padilha evitou nominar as autoridades e preferiu cumprimentar os trabalhadores dispensados temporariamente do serviço para acompanhá-la.

    Disse que os trabalhadores de Tatuí fizeram a história do Samu no país. “Nós poderíamos estar comemorando os dez anos em qualquer hospital, qualquer unidade do Samu, qualquer central de regulação ou posto de saúde. A gente fez questão de vir a Tatuí, aqui, na fábrica da Rontan, porque, se não fossem os quase 5.000 trabalhadores, não existiria Samu no Brasil”, afirmou.

    Nos agradecimentos, o ministro também mencionou os “samuzeiros”, as equipes que atuam no serviço. Afirmou que os profissionais são “especiais e verdadeiros heróis da saúde pública brasileira”.

    “Não fossem vocês, poderíamos ter a melhor ambulância do mundo, os equipamentos mais modernos, como nós temos, a viatura do Samu seria só mais um carro”, argumentou.

    Fazendo balanço do serviço, o ministro disse que ele está ligado, diretamente, com a área do emprego. Tanto que, por determinação do ex-presidente Lula e, atualmente, de Dilma Rousseff, o governo federal direciona a compra de ambulâncias e a adaptação delas para indústrias brasileiras.

    O ministro disse que estava feliz em ter, no município, a “fábrica do Samu”. Justificou-se lembrando que a região de Sorocaba, na qual Tatuí está inserida, é “conhecida na história do país por ter tido a primeira fundição de ferro e a primeira barragem para geração de energia elétrica do Brasil”.

    Afirmou, também, que a cidade é conhecida em todo o país como a “Cidade da Música”, por conta do Conservatório. Completou dizendo que “qualquer secretário municipal de saúde do Brasil tem conhecimento de que Tatuí é conhecida como a cidade onde surgiu e onde é fabricado o Samu”.

    Ainda em discurso, Padilha falou sobre a importância do serviço para a economia do país e do município. O ministro disse que somente o Samu abrange 60% da produção da Rontan. Os outros 40% somam adaptações de veículos para as Forças Armadas, Corpo de Bombeiros, polícias Civil e Militar, entre outros.

    “Mais da metade do que é produzido aqui tem a ver com o Samu. Isso significa que metade dos empregos está garantida pelas encomendas que fazemos todo ano para comprar e montar as viaturas em Tatuí”, falou o ministro.

    De acordo com ele, no início do programa, o governo federal priorizou “as grandes cidades”. Depois, estendeu-se às regiões metropolitanas e aos municípios com mais de 200 mil habitantes. Há três anos, a partir da gestão de Dilma, passou a levar o serviço a todas as cidades do interior dos Estados.

    Com a descentralização, o ministro contabiliza que o serviço passa a cobrir 150 milhões de brasileiros, incluindo os que vivem em Estados como o Amazonas. Para lá, o governo federal destina ambulanchas e veículos de porte 4×4.

    “Estamos distribuindo essas novas viaturas, nesse novo modelo. O prefeito de Tatuí, o Manu, pode preparar a garagem que vai ter uma ambulância 4×4 para atender à região rural também da cidade”, prometeu o ministro.

    Além da descentralização, Padilha afirmou que, com o Samu, houve mudança significativa no “uso da Saúde” por parte de políticos. Conforme ele, a cessão de viaturas pelo governo federal evita que haja uso eleitoral dos veículos.

    Também permite melhor uso dos equipamentos e qualidade do serviço, por conta do treinamento dos profissionais. Os “samuzeiros” recebem capacitações constantes e participam de cursos que os ajudam a se manterem atualizados.

    Junto com ambulância, Padilha disse que o governo federal libera recursos usados pelas prefeituras para a contratação de médicos, enfermeiros, técnicos em enfermagem e motoristas – também chamados de condutores.

    Por fim, comprometeu-se a ajudar a Prefeitura na ampliação dos leitos da unidade de terapia intensiva da Santa Casa. Após a solenidade, o ministro concedeu entrevista coletiva, almoçou com as autoridades e visitou as obras da UPA.


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