Projeto que vincula ensino médio ao técnico chega a Tatuí­ com 40 vagas

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David Bonis

Ideia inicial é que alunos estudem na ‘Sinisgalli’ pela manhã e na ‘Sales Gomes’ (foto) à tarde

 

Tatuí tem uma novidade na área da Educação. O município passa a oferecer, a partir de 2015, ensino técnico vinculado ao médio. A proposta integra o programa “Vence”, do governo do Estado de São Paulo.

À disposição de todas as cidades estaduais, o objetivo do projeto é justamente vincular o ensino médio ao técnico de duas maneiras.

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A primeira é com os alunos tendo aulas do ensino médio em uma escola estadual enquanto fazem o curso técnico em uma Etec (escola técnica). Já a segunda funciona com as aulas de nível médio e técnico ocorrendo em uma mesma escola estadual.

Em Tatuí, o projeto oferece 40 vagas para o curso de administração na Etec “Sales Gomes”. Enquanto estudarem na unidade, localizada na praça Adelaide Guedes, 1, os alunos farão o ensino médio na escola estadual “Professor Ary de Almeida Sinisgalli”, que fica na vila Esperança. O curso é voltado aos estudantes que terminarão o fundamental em 2014.

Para participar da iniciativa, é preciso se inscrever no processo de seleção até às 15h do dia 7 de novembro, pelo site www.vestibulinhoetec.com.br.

Após a inscrição, é preciso pagar taxa de R$ 30. Apenas após o pagamento da tarifa o candidato estará apto a fazer a prova de seleção, que acontecerá no dia 7 de dezembro. Os locais das provas serão divulgados apenas seis dias antes.

Qualquer aluno que esteja concluindo o ensino fundamental pode participar do processo de seleção. Ao ser aprovado, terá apenas que se transferir para a “Ary de Almeida Sinisgalli”. Ao ser aprovado no vestibular da Etec, o estudante ganha vaga automática na escola da vila Esperança.

Candidatos divulgados como “afrodescendentes” e os oriundos de escolas públicas recebem acréscimo na pontuação do vestibulinho, de acordo com decreto estadual 49.602/05.

Em teoria, os aprovados na prova de seleção estudarão pela manhã na “Sinisgalli” e, à tarde cursarão o técnico em administração na Etec. O problema é a distância entre as duas instituições, de aproximadamente quatro quilômetros.

Devido a isso, as diretorias das duas escolas se reuniram, no dia 7, para discutir propostas a fim de conseguir soluções para o entrave.

Ainda não há nada decidido, como explicou a diretora da Etec “Salles Gomes”, Beatriz Soares Amaro. Mas, é provável que os professores do curso de administração sejam deslocados para a “Sinisgalli” para ministrar as aulas do curso. Dessa forma, os alunos não precisariam percorrer o trajeto.

Para a administradora da Etec, o ideal seria que os estudantes pudessem conviver dentro da Etec para compartilhar a experiência e as exigências de uma escola técnica.

Para manter essa ideia, há uma alternativa sendo discutida, que seria a Prefeitura disponibilizar um ônibus para levar os alunos da “Sinisgalli” à Etec.

Porém, o deslocamento entre as unidades não é o único problema nesse contexto. A “Sinisgalli” foi a única escola estadual do município que regrediu na nota do Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica), de acordo com dados divulgados no mês passado pelo Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira), responsável pelo levantamento.

Em 2013, a escola recebeu nota 3,3 no índice, que mede a qualidade do ensino aplicado nas escolas. Dentre as nove instituições de ensino estaduais do município, apenas a unidade da vila Esperança regrediu em comparação com a aferição anterior. Em 2011, ano da divulgação anterior da nota, a escola havia recebido 3,9. Para este ano, a projeção era de 4,1.

O único requisito que as escolas interessadas em receber o “Vence” tinham que atender era ter grade curricular para o ensino médio.

Por se encaixar no perfil, o diretor da “Sinisgalli”, Marcelo Edlinger Camargo, pleiteou, junto à Derita (Diretoria de Ensino da Região de Itapetininga), a inclusão da escola no projeto.

Como argumento, Camargo sustentou que beneficiar a unidade com o programa seria uma forma de “dar oportunidade aos menos favorecidos”.

“Fomos escolhidos porque a diretoria de ensino confia no nosso trabalho. Estamos inseridos em uma comunidade carente, sendo que muitos pais trabalham em olarias locais. E o projeto pode beneficiar nossa escola”.

Para que o projeto “Vence” tenha continuidade no município, é preciso que o número de inscritos seja “satisfatório”, segundo a diretora da Etec. Se a procura for boa, é possível, até, que aumente o número de cursos contemplados pelo programa.


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