Conservatório lança minissérie radiofônica ‘Sinfonia de Amor’

De Júlio Carrara, folhetim é produzido pela área de cênicas

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Imagem de divulgação do novo trabalho da área de cênicas (Foto: AI Conservatório)
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Da redação

Conservatório de Tatuí acaba de lançar a minissérie radiofônica “Sinfonia de Amor”. Com texto de Júlio Carrara, autor consagrado e ex-aluno da instituição, o folhetim é produzido por professores da Área de Artes Cênicas da escola. A história é narrada em 15 capítulos, que serão publicados semanalmente em formato de podcast.

Amor, ódio, ciúme, intriga, traição, conflito, melodrama, comédia, suspense, romance, todos esses ingredientes estão presentes na minissérie. “Como se espera de um folhetim – e ‘Sinfonia de Amor’ não foge à regra – os protagonistas enfrentarão inúmeros obstáculos e sofrimentos em busca da tão sonhada felicidade”, conforme a assessoria de comunicação da escola.

O ano é 1953. Adriano, um cantor muito famoso, faz a última apresentação de sua turnê em um teatro de Londres. Após a apresentação, ele planeja viajar com Verônica, pianista e produtora que o acompanha na turnê, para Mar del Plata.

Mas, na última noite, após o show, ao voltar do teatro para o hotel, o cantor recebe uma carta de sua tia Laurinha, pedindo para ele vá a seu encontro o mais rápido possível. Adriano, então, embarca para São Paulo, enquanto Verônica segue sozinha para Mar del Plata.

Ao chegar no Brasil, Laurinha revela ao sobrinho que Roger, seu primo, está tuberculoso e fora internado em um sanatório de Campos do Jordão para se tratar.

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Adriano vai ao encontro do primo. Roger, muito debilitado, pede que Adriano tome conta de sua noiva Isabela, mas que nunca revele a ela o verdadeiro estado de saúde dele.

Adriano, então, parte para o sítio, onde o primo instalou Isabela, com a intenção de isolá-la das pessoas, e traz a moça de volta ao convívio social. Mas Adriano e Isabela se apaixonam e já não sabem o que fazer para não magoar Roger. “E agora? Adriano e Isabela vão abdicar desse amor?”, questiona a assessoria

A coordenadora da Área de Artes Cênicas do Conservatório de Tatuí, Fernanda Mendes, conta que o projeto é fruto de observações dela durante a quarentena.

“A ideia de gravar a radionovela surgiu a partir de um vídeo que assisti do professor Betinho Sodré sobre sonoplastia. Nesse vídeo, ele reproduz o som de um trovão a partir de um balão com algumas miçangas dentro. Aí, fiquei pensando nessa questão, de como o som nos instiga a imaginação e em como a gente cria imagens a partir dos sons. Então, surgiu a ideia da radionovela”, conta.

“A radionovela, também chamada drama radiofônico, é a dramatização do gênero literário ‘novela’, ou seja, feita em partes, sequencialmente, com uma profusão de eventos bastante grande”, acrescenta o professor e sonoplasta Betinho Sodré.

“A gente poderia chamar de teatro sem imagem ou de cinema sem imagem, uma vez que o suporte à ação dramática é feito única e exclusivamente através da trilha sonora, da sonoplastia”, segue ele.

“A radionovela no Brasil vai de 1941 a 1959 e estreia com o drama ‘Em Busca da Felicidade’. Produziu grandes sucessos, como ‘Jerônimo, o Herói do Sertão’, que depois se transformou num sucesso de telenovela também. E o maior de todos, ‘O Direito de Nascer’, de 1951, com 314 capítulos, praticamente três anos em cartaz, que também foi sucesso na TV”.

“Hoje, nós estamos vendo o ressurgimento desse gênero através dos audiodramas, que são podcasts que se utilizam dessa linguagem para fazer seus trabalhos”, conclui Sodré.

O elenco traz Adriana Afonso (Verônica, Enfermeira e Ruth), Betinho Sodré (Médico), Dalila Ribeiro (Laurinha), Érica Pedro (Elisa e Fred), Fernanda Mendes (Isabela), Flavio Vieira (Guilherme e Jairo), João Armando Fabbro (Adriano) e Thiago Leite (Narrador, Roger e José).

Podcasts

A minissérie radiofônica “Sinfonia de Amor” tem 15 capítulos, que serão divulgados semanalmente às sextas-feiras, em plataformas de podcast (https://anchor.fm/dashboard/episode/ek4eot). Também poderão ser acessados pelo canal oficial do Conservatório de Tatuí no Youtube (https://www.youtube.com/user/VideosConservatorio) e, ainda, pelas redes sociais da instituição.

O autor

A minissérie radiofônica “Sinfonia de Amor” foi escrita pelo dramaturgo e diretor Júlio Carrara, ex-aluno do curso de teatro do Conservatório de Tatuí.

“Como o tempo passa rápido! Parece que foi ontem, mas já se passaram 24 anos desde a primeira vez em que pisei no Setor de Artes Cênicas do Conservatório de Tatuí”, lembra Carrara.

“Trinta adolescentes sentados no chão de uma salinha assistiam atentamente às aulas ministradas por Dalila Ribeiro, Antônio Mendes, Carlos Ribeiro, Fábio Santana, Edson Pinto, Esmeralda Silva”.

“A cada aula, uma nova descoberta: um texto que não conhecíamos, uma série de jogos e improvisações de Viola Spolin, seminários e mais seminários sobre os grandes mestres do teatro, aulas de interpretação, de corpo, voz, canto, ensaios e mais ensaios (…) Guardo ótimas recordações, ótimas mesmo”, comenta o autor.

Após concluir o curso de teatro no Conservatório, em 1998, Júlio mudou-se para São Paulo. “Não fazem ideia de como estou feliz por ter um texto de minha autoria nas mãos de pessoas que admiro tanto. É como voltar para casa depois de tanto tempo fora”.

“Não consigo expressar com palavras a minha gratidão por todas as coisas maravilhosas que essa instituição, esses professores – que saudade do Mendes e do Carlão! – e esses amigos me proporcionaram. Muito obrigado é pouco. E que possamos nos encontrar brevemente para brindarmos”, acrescenta.

Carrara revela que já escrevia radionovelas para uma emissora quando surgiu a inspiração para a trama central de “Sinfonia de Amor”. Só que a história não se enquadrava na linha editorial da emissora, predominantemente religiosa – e o roteiro ficou engavetado.

“Desde 2016, acho, a obra está engavetada. E aí eu recebo o convite do Conservatório de Tatuí, me perguntando se eu não tinha uma radionovela, e eu lembrei dessa”.

“Era para ser mesmo, porque falava de música, então, está totalmente ligado (ao Conservatório). E para ser feito pelo Setor de Artes Cênicas, por um grupo que eu amo (…), e ver todos esses amigos falando um texto meu é maravilhoso, um tremendo presente”, descreve.

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