Beatles lá e Renato e seus Blue Caps aqui

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Foto: Arquivo Voss
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LUIZ ANTONIO VOSS CAMPOS

Bem, nestes dias passados, a notícia do falecimento do músico, compositor, guitarrista Renato Barros, fundador do Renato e seus Blue Caps (RBC), nos pegou de surpresa.

Sim, para mim, fã incondicional  dessa banda, pois acompanhei  toda a carreira artística deles, mesmo com toda  a dificuldade de acompanhar o lançamento anual dos seu LPs (long playing), hoje vinis, pois a chegada desses “bolachões  pretos” era aguardada ansiosamente por todos que, como eu, amavam e amam a jovem guarda.

Era na Casa dos Presentes ou amigos que iam para a capital que traziam sob encomenda. E tinha uma curiosidade nessa  história de lançamento dos discos, pois toda quarta-feira,  das  20h às 22h, acontecia no Clube Recreativo XI de Agosto (hoje Casas Pernambucanas) um bailinho ao som do toca-discos do clube, onde você levava o seu LP lá e o senhor Hélio Pontes colocava para todo mundo ouvir e dançar.

Porém, cada disco tem seis faixas, e ele colocava e tínhamos que ouvir todas. Assim, acabávamos decorando o disco inteiro, e o salão inteirinho aceso, para evitar “abusos”.

Mas, vamos a um breve relato da referência, que eles tiveram na vida de todas e todos aqueles que viveram naquela fase linda e inesquecível da nossa juventude aqui em Tatuí.

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A grande diferença do RSB foi que, além de colocar nas suas músicas que compunha as emoções e situações da juventude da sua época, de forma inteligente aproveitava os sucessos dos Beatles, que chegaram como uma bomba, pulverizando o mundo com as suas músicas e letras, com as quais nós não nos importávamos com que eles cantavam.

E ele, muito criativo, com letras simples e rimas sempre doces, balançou o Brasil de ponta a ponta, em 1965, com “Menina Linda”, numa versão adaptada de “I Should Have Known Better”, dos Beatles, e o resultado era o encaixe da letra em português  na melodia  e, assim, RBC  acharam o mapa da mina do sucesso.

A partir daí, vieram: “Feche os Olhos” (“All My Loving”, “Ana” (“Anna”), “Até o Fim”  (“You Won’t See Me”), “Sou  Tão Feliz” (“Love Me Do”), “Meu Primeiro Amor” (“You’re Going to Lose That Girl”) e a muito executada  “Não te Esquecerei” (“Califórnia Dreamin” – dos  The He Mama’s Anda Papa’s), e muitas outras.

E nós, jovens daquela época que não éramos bons de  bola ou vôlei, basquete, futebol de salão, migramos para a música e fundamos  o Conjunto  Musical The Johnnies, por onde passaram, dentre tantos: Paulo Guelo, Tatit, Toninho Bonga, Zé Eduardo Boneder (Zé Gaiola), Zé Erasmo, Cacá Vasconcelos, Jarbinhas, Tato Sax, Thyrso Menezes, José Luís Penatti.

A partir de 1990, a formação ficou sendo: Didi Costa (bateria), Dirceu (baixo e vocal), Zé Emílio (teclado e vocal), Burt (guitarra e vocal) e Voss (vocal principal). E, atualmente, Marcelo Sá assumiu a guitarra.

Ressalto ainda que a primeira música que nós cantamos em público foi “Meu Bem Não Me Quer” (RBC), em um show no salão nobre da Escola Industrial, em 1966.

E foram Renato e Seus Blue Caps os nossos professores, que nos ensinaram a cantar em duetos, guitarras contrapondo, bateria bem marcante e o baixo do Paulo César (irmão do Renato).

Ao ouvirmos as músicas, percebemos o encaixe das vozes do Renato e Cid Chaves, que no início tocava sax. Em cada vinil, era uma história de amor não correspondido, temas dos mais variados, e nós sentíamos que, às vezes, a música foi feita para nós.

Em todos os programas de televisão onde estavam Roberto, Erasmo e Wanderléia, também estavam os Blue Caps. E, como foram muitas frases, muitas postagens, eu tomei o cuidado de publicar aqui declarações de brasileiros que amaram e amam esses cinco Blue Caps e os quatro Beatles que alegraram o mundo com mensagens de amor, paz, saudade, esperança, alegrias, tristezas  e momentos: Amor que não volta mais / Saudades que ficaram/ Viagem no tempo / As músicas eram top e quem melhor  representava os Beatles / Lembranças  gostosas e a realidade agora é outra, tantos se foram, outros permanecem / Meus pais dançando na sala de jantar, de rostinho colado / a minha vitrola Philips e o compacto que tocava sem parar / Bons tempos que tivemos o privilégio  de ter vivido / O RBC sempre esteve presente na nossa primeira vez, no primeiro beijo, a primeira decepção, a primeira frustração, hormônios à flor da pele e, resumindo, cada um de nós tem uma ou mais músicas que marcaram a sua presença musical.

Em 20 de novembro de 1992 (há 28 anos atrás), eles estiveram aqui, no Tro-lo-ló, trazidos pelo Rizek, e, como eu fui o apresentador, colhi autógrafos nos vinis e, graças ao amigo Carlinhos da  Elétrica, que registramos esse momento nessa foto, que para mim foi como se estivesse ao lado do John ou Paul.

As vozes, as letras, as músicas ficarão para sempre nas nossas mentes e corações. Agora, então, vamos ouvir os Vinis, CDs, Fitas K7, pen drive ou o que quer que seja.

“Feche os Olhos”, “Menina Linda” você será sempre “O Meu Primeiro Amor” e “Não Te Esquecerei!”. Valeu, e muito Renato e Seus Blue Capas, “Forever And Ever”.

Abraços!

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