Adrenalina intramuscular no tratamento de reações alérgicas agudas graves

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Dr. Jorge Sidnei R. da Costa – Cremesp 34.708 *

Reações alérgicas agudas graves, como anafilaxia, podem ser provocadas por numerosos agentes. Alimentos, medicamentos e insetos (abelhas, vespas, marimbondos e formigas) são os desencadeantes mais comuns.

Anafilaxia é uma emergência médica. Portanto, a pessoa que sofreu este tipo de reação deve estar preparada para enfrentar um eventual novo episódio. Compete ao médico assistente dar orientações gerais que diminuam a chance de nova reação, assim como informar como identificar precocemente uma crise e quais atitudes adotar naquele momento.

O que é anafilaxia?
Anafilaxia é uma reação alérgica aguda e muitas vezes grave, que começa subitamente, entre menos que um minuto e até umas poucas horas após a exposição a um alérgeno ao qual a pessoa desenvolveu um tipo de hipersensibilidade, e que se não for socorrida rapidamente pode ser fatal.

Quando o corpo é exposto a substâncias que ele considera perigosas, ativa seu sistema imunológico, que produz anticorpos. No entanto, algumas pessoas têm uma reação exagerada do próprio corpo a substâncias ordinariamente inofensivas, produzindo sintomas de alergia.

Em geral, esses sintomas são incômodos, mas não causam perigo de morte. Contudo, algumas pessoas podem desenvolver essa hipersensibilidade, tendo reações alérgicas severas que levam à anafilaxia e ao perigo de morte.

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Causas
A anafilaxia é geralmente causada por um alérgeno específico, mas pode, sob condições especiais, ser desencadeada inespecificamente. A anafilaxia é um tipo exagerado de reação alérgica, que produz sintomas mais intensos e pode ser causada por várias substâncias, sendo as mais comuns: medicações, especialmente penicilina, analgésicos, anti-inflamatórios não hormonais e antibióticos; alimentos, como amendoim e outras oleaginosas, trigo (principalmente em crianças), peixes, crustáceos (especialmente camarão), ovos e leite; picadas e ferroadas de insetos como abelhas, marimbondos, vespas ou formigas “de fogo”, entre outros.

Fatores de risco
Alguns fatores podem aumentar a gravidade da anafilaxia: infusão intravenosa do alérgeno, idade avançada, ter alguma doença cardíaca e asma.

Sintomas

Incluem: inchaço na garganta, lábios e língua; coceira localizada ou por todo o corpo; rouquidão; dificuldade para respirar, causada pelo estreitamento das vias aéreas que o inchaço provoca; dificuldade em engolir; urticária; avermelhamento generalizado da pele, que a deixa também mais quente; cólicas abdominais; náuseas; aumento da frequência cardíaca; fraqueza súbita; queda da pressão arterial; vômito ou diarreia; inchaço em todo corpo; ansiedade; confusão; tosse.

A adrenalina é o medicamento de eleição para o tratamento da anafilaxia. Administrada por via intramuscular, na face anterolateral da coxa, na dose indicada para a idade, apresenta grande eficácia e segurança comprovada desde que o seja tão logo quanto possível. A demora na sua aplicação pode favorecer a evolução da reação alérgica aguda a patamares mais complicados de controlar.

Paciente em risco de anafilaxia deve portar a adrenalina junto a si, e se possível tê-la disponível nos locais em que permaneça mais tempo, sobretudo se exposto a risco de nova reação (escola, creche, casa de campo, casa de familiares).

O paciente e seus familiares, assim como outros profissionais que passem mais tempo em contato com a criança de risco, devem ser orientados pelo médico assistente como proceder diante de uma anafilaxia.

No Brasil, a adrenalina é disponível em ampolas para uso hospitalar, além de existir os aplicadores autoinjetáveis (epinefrina) – em dose individual, que se compra somente em importadoras de medicamentos (ver na próxima edição).

Estes últimos contêm no seu interior a dose correta para uso em crianças e adultos, agulha para aplicação intramuscular, que possibilita a absorção mais rápida e em maior quantidade que a sua administração por via subcutânea. Outros sistemas liberadores de adrenalina precisam de maiores estudos para garantir a sua eficácia e segurança.

Assim, a escolha da melhor apresentação da adrenalina deve ser analisada pelo médico e o paciente, levando em consideração a relação custo x benefício, a disponibilidade da medicação autorizada e a habilidade ou capacitação do paciente para aplicá-la de forma correta.

Fontes:https://www.minhavida.com.br/saude/temas/anafilaxia; site da Abai (Associação Brasileira de Alergia e Imunologia)

Obs.: Na próxima edição, informaremos (também retirado de arquivo da Asbai) as doses de adrenalina e onde comprar as canetas importadas autoaplicáveis para serem usadas emergencialmente, nas casos de anafilaxia, que podem estar acompanhada de um severo edema de glote (“fechamento da garganta ao respirar”), com risco de morte;

* Médico pediatra com título de especialista em pediatria pela AMB e SBP e membro da Asbai.

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