‘Marco na Saúde de Tatuí­’ é inaugurado

619
Publicidade





Cristiano Mota

Vereadora Rosana Nochele Pontes, filha e irmã de homenageado (Marília e Leila Sallum), prefeito Manu e secretária da Saúde, Cecília Oliveira França descerram fita inaugural de centro

 

Considerado “marco na Saúde” de Tatuí, o novo Cemem (Centro Municipal de Especialidades Médicas) teve inauguração realizada pela Prefeitura na manhã de sábado, 27. A obra, que promete uma “nova dinâmica” no atendimento, leva o nome do médico tatuiano Jamil Sallum.

Localizado na rua São Bento, 14, o novo prédio é composto por 47 salas, aguarda 10 mil atendimentos por mês e terá custo de manutenção de R$ 7 milhões por ano. A apresentação dos números ficou a cargo do prefeito José Manoel Correa Coelho, Manu, que encerrou a série de discursos.

Publicidade

Além do prefeito, familiares do homenageado participaram da inauguração. Entre eles, a irmã e professora Leila Sallum Menezes da Silva, os filhos Jamil Sallum Filho e Marília Sallum, netos e sobrinhos do médico.

A cerimônia contou com a presença da secretária municipal da Saúde, Cecília Aparecida Xavier de Oliveira França, demais titulares e funcionários municipais.

O novo prédio do Cemem “Dr. Jamil Sallum” tem o dobro do tamanho do anterior (na praça Adelaide Guedes, sem número). São 1.357 metros quadrados de área construída, com 22 consultórios – 13 a mais que o antigo prédio.

Construído com recursos da própria Prefeitura, o imóvel abriga salas de exames e curativos, além de oferecer atendimento com médicos de 14 especialidades.

Entre eles, cardiologista, ortopedista, neurologista, oftalmologista, nefrologista, neuropediatra, urologista, ginecologista e nutricionista.

O centro conta, ainda, com dois espaços inéditos: centro cirúrgico – para pequenas cirurgias – e sala de audiometria (exame de capacidade auditiva por meio de equipamentos). Esses são serviços que devem fazer o número de atendimentos mensais aumentar. “A tendência é essa”, disse a secretária.

Em entrevista a O Progresso, Cecília afirmou que o centro cirúrgico permitirá intervenções sem complexidade que só eram realizadas na Santa Casa. “São pequenas coisas, como cirurgias dermatológicas. As maiores continuam a ser feitas no hospital”, exemplificou.

A secretária também falou sobre a mudança na dinâmica do atendimento. Os pacientes que se dirigirem ao novo prédio terão de passar por dois setores.

O primeiro é a recepção, no qual devem apresentar documentos ou o cartão SUS (Sistema Único de Saúde). O segundo é o serviço de triagem, quando será “logado” ao sistema (registrado em programa de computador).

Desse ponto em diante, o paciente será informado sobre a especialidade médica e o número do consultório. Todos os ambientes são dotados de cadeira para espera.

Outra novidade é a inclusão de uma sala específica para aplicação de colírio – no caso de quem vai consultar-se com oftalmologista. Até então, o Cemem não dispunha de local apropriado para que as pessoas submetidas à aplicação pudessem aguardar pelo exame de vista.

“Antigamente, não tinha. As pessoas ficavam no corredor, expostas”, disse Cecília. A secretária afirmou que a criação da chamada “sala reservada” é “um grande ganho para os munícipes”.

Também destacou a realização dos serviços de ultrassom, raio-X e aplicação de gesso. “A população não vai precisar se deslocar mais para conseguir receber esses atendimentos”, comemorou.

Na solenidade, o cerimonial da Prefeitura citou que a construção do Cemem, iniciada em 2011, estava orçada, inicialmente, em R$ 1.789.922,56. Quase dois anos depois, 70% das obras estavam concluídas, com 25% do valor total repassado para a empreiteira responsável.

O município levantou recursos para dar início às obras com a venda de terreno que abrigou a Ciretran (Circunscrição Regional de Trânsito), localizado na rua 15 de Novembro.

Primeira a discursar, a secretária da Saúde destacou a “grandiosidade do prédio”. Ela iniciou o pronunciamento agradecendo apoio da equipe da pasta, citando nomes de coordenadores e destacando que eles tiveram papel importante na inauguração.

“Uma grande conquista de todos e que deve ser muito comemorada. Afinal, são raros os municípios que o possuem (um centro municipal de especialidades médicas) para dar uma atenção maior aos seus munícipes”, afirmou.

Dirigindo-se ao prefeito, Cecília fez novo agradecimento, alegando que o empenho de Manu em concluir a obra “mostra o compromisso, a atenção e a seriedade com a saúde da população”.

A secretária voltou a falar que o Cemem é “um grande marco na história da Saúde do município” e ressaltou que a construção e a aquisição de equipamentos “aconteceram com uso de recursos próprios”.

Convidado a discursar, o vereador Jorge Sidnei Rodrigues da Costa destacou a figura do médico Jamil Sallum. O parlamentar retomou discurso feito no início do ano passado, afirmando que Manu “será o melhor prefeito de Tatuí”.

Sobre o novo prédio, Jorge Sidnei considerou que ele “é um marco na Saúde da cidade” e classificou-o como o “melhor prédio da Saúde de Tatuí até o momento”.

O vereador alegou que o Cemem deve “perder o posto” para a UPA (Unidade de Pronto Atendimento), com previsão de conclusão em 2015. Jorge Sidnei declarou, ainda, que o espaço permite melhores condições de trabalho aos especialistas. Disse que é muito importante o especialista ser reconhecido e ter local de trabalho “digno da profissão”. “E aqui vai trazer dignidade aos especialistas de Tatuí”, complementou.

O parlamentar também comentou críticas exercidas pela oposição sobre o prefeito e vereadores da situação. Reiterando dados apresentados pelo mestre de cerimonial, Alexandre Scalise, o vereador disse que o Executivo enfrentou problemas com relação à falta de recursos para concluir o Cemem e falou, ainda, sobre o IPTU (reportagem nesta edição).

Dando sequência à solenidade, Marília Sallum fez considerações a respeito do patrono do Cemem. Filha do homenageado, ela mencionou pesquisas realizadas pelo pai para a formação em mestrado e doutorado e falou sobre a trajetória dele no meio acadêmico e como profissional.

“Este Cemem levará o nome de um dos médicos mais brilhantes que eu, como médica, já conheci”, sustentou. Marília afirmou que o pai “sempre primou pela ética, boa educação e pelos estudos”, tendo lecionado na USP (Universidade de São Paulo).

Acentuou que ele também “batalhou pelo bem-estar alheio e priorizou o lado humano das pessoas”. “Nunca abandonou suas raízes, se dirigindo a Tatuí sempre com muito orgulho e carinho”, disse.

Com orientação da irmã, a professora Leila Sallum, o médico escreveu duas teses baseadas na Estação Experimental de Tatuí, e serviu de exemplo para a família. Na solenidade, a filha dele entregou flores à secretária municipal da Saúde, como forma de agradecimento pela homenagem.

Seguindo o protocolo, o vereador Wladmir Faustino Saporito deu sequência aos pronunciamentos. O parlamentar falou em nome da Câmara Municipal, a convite do presidente do Legislativo, Oswaldo Laranjeira Filho.

No discurso, Saporito declarou que o novo prédio “é um ganho para o município”. Também comentou sobre o processo de construção do imóvel, citando a polêmica levantada em 2011, por ocasião do leilão do terreno pertencente à Prefeitura e que abrigou a 109ª Ciretran (reportagem nesta edição).

Saporito afirmou que a cidade precisa do novo prédio inaugurado, uma vez que “está crescendo”. Destacou o empenho do prefeito na melhoria do atendimento à população, citando a aplicação de 34% do Orçamento local na Saúde.

O parlamentar disse que a Saúde “é cara e que não traz voto”. Apesar disso, afirmou que a área é uma das mais avaliadas por novos investidores – juntando-se à Educação e infraestrutura – que buscam locais para instalação de empresas.

Ainda no discurso, Saporito tornou públicas críticas que teria recebido de parlamentares de oposição. Citou que “alguns vereadores falaram mal” da Creche “Vicente de Camargo Barros”, inaugurada no dia 13 de setembro. “Eu não entendo, precisa de creche, mas fala mal, mas pede vaga”, comentou.

Ele também falou sobre a postura adotada na Câmara com relação aos projetos do Executivo. Saporito declarou que está apoiando Manu por conta dos “novos investimentos realizados”. “Estou vendo a cidade melhorar, apesar de tudo que falam”, declarou.

Para o vereador, o Cemem representa “um resgate que o prefeito tem feito”. Saporito rebateu declarações, também atribuídas à oposição, sobre a “autoria” das obras entregues pelo prefeito – o Cemem foi iniciado na gestão anterior.

“Falam que as obras não são dele. São. São de todos, independente de quem as termina. Eu sou de São Paulo e, em São Paulo, tem obras que um prefeito começa e o outro não quer terminar porque tem outro que fez”, argumentou.

Último a discursar, o prefeito também rebateu críticas à administração dele. Acompanhando a linha dos vereadores que o sucederam nos pronunciamentos, abordou questões não ligadas diretamente ao prédio ou ao homenageado.

Manu comentou sobre obras de saneamento básico e tratamento de esgoto, falou a respeito da questão da infestação de mosquitos no município. Também mencionou a duplicação da rodovia Gladys Bernardes Minhoto (SP-129) e construção de novo acesso para a rodovia Antônio Romano Schincariol (SP-127).

O prefeito iniciou falando sobre a inauguração do novo prédio do Cemem. Citou o comprometimento dos funcionários públicos – que atuaram na limpeza e instalação dos equipamentos entre a sexta-feira, 26, e o sábado, 27 – e sobre a atuação da secretária municipal da Saúde.

Citou, ainda, colaboração pelo trabalho dos ex-secretários da Saúde José Luiz Barusso, Fábio Villa Nova e Máximo Machado Lourenço. Agradeceu a presença de familiares do homenageado e dirigiu palavras de agradecimento para a primeira-dama e presidente do Fundo Social de Solidariedade, Ana Paula Cury Fiuza Coelho.

Ela deu à luz ao segundo filho do casal na noite do dia 25 de setembro, na maternidade da Santa Casa.

Ainda no evento, Manu citou que a Prefeitura realizou um “ciclo de inaugurações” na área de segurança pública. Compuseram o ciclo a entrega de novas viaturas e a incorporação de 15 novos integrantes à Guarda Civil Municipal, além da inauguração do complexo da Polícia Civil.

Manu comentou, ainda, sobre dívidas herdadas e a respeito de entrega de quatro creches, investimentos que passaram de R$ 2 milhões, sendo R$ 1,4 milhão por conta da unidade escolar e mais de R$ 1 milhão anual com folha de pagamento dos novos GCMs.

Seguindo com o pronunciamento, Manu destacou outros números, como o investimento de R$ 1 milhão na Escola do Senai (Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial) e a própria construção do Cemem – com gasto de R$ 3 milhões.

O centro contará com 20 novos funcionários, que custarão para o Executivo R$ 80 mil, mais de R$ 1 milhão por ano (somando-se custos trabalhistas).

Para manter o centro funcionando, o Executivo estima gastar R$ 7 milhões por ano. Desse valor, R$ 6 milhões (R$ 500 mil por mês) com pagamento de funcionários e médicos e custos de exames e de fornecimento de medicamentos. O outro R$ 1 milhão representa o pagamento dos 20 novos servidores.

“Esse é o valor que vamos ter que gastar para manter o Cemem, para trazer qualidade na Saúde. E o mais importante: com recurso próprio municipal. Não tem um centavo do governo do Estado, do governo Federal. São os nossos impostos, que nós pagamos, é que vão manter esse mini-hospital”, declarou.

O prefeito declarou estar, ainda, “indignado” com a atitude de vereadores da oposição. Afirmou que só fez oposição em uma ocasião, nas três em que exerceu mandato de vereador, e que há parlamentares que “votam contra a cidade”.

Manu também elogiou os vereadores da base e disse que “está fazendo a cidade funcionar”. Como exemplo de ações, citou a inauguração do Cemem. “Hoje é um dia importante. O prédio ficou glamoroso, espetacular”, concluiu.

Em seguida, o prefeito, a secretária da Saúde, vereadores e familiares do homenageado participaram do corte da fita inaugural. Eles também realizaram o descerramento da placa interna e conheceram as salas do novo prédio.

O Cemem ganhou atendimento por senha e banheiros para a população e funcionários. Os servidores passaram a contar, também, com vestiários. “Tudo foi pensado para dar maior comodidade para as pessoas”, disse a secretária.

Cecília ressaltou que o CS 1 (Centro de Saúde) “Aniz Boneder” continua no endereço atual, na praça Adelaide Guedes.

“Houve uma separação de prédios. As unidades de saúde são o programa de atendimento preconizado pelo Ministério da Saúde. Esse sistema de atenção básica continua no prédio antigo. O que está no novo são as especialidades”, encerrou.


Publicidade