Doce patrimônio

Recentemente, a Câmara Municipal de Tatuí aprovou projeto reconhecendo a Feira do Doce como mais um patrimônio cultural imaterial do município.

É importante lembrar, muita acima das formalidades, que a iniciativa se insere em um movimento tanto da valorização da cultura e das tradições locais quanto do incentivo à crescente exploração do turismo na cidade.

Este segundo aspecto, muito positivamente, tem ganhado corpo e adeptos nos anos recentes (salvo os dois últimos, em razão da pandemia), levando a população em geral a acreditar, enfim, que a cidade tem realmente algo a oferecer aos visitantes.

Esta percepção, gradativamente, acaba até estimulando novos empreendimentos no setor privado – extrapolando as ações do poder público e as eventuais iniciativas do Conselho Municipal de Turismo (Comtur).

A se ponderar que, há não muitos anos, o turismo em Tatuí era motivo até de deboche, o avanço tem sido francamente animador, sobretudo porque não necessariamente desenvolvido de maneira “articulada”.

Ou seja, é excelente a consolidação de uma nova visão sobre o turismo, de que essa atividade não só serve para resguardar e valorizar a própria identidade do município, mas instiga o empreendedorismo, sustentando-se como uma atividade geradora de emprego e renda, por conseguinte.

Tão interessante quanto, é o fato de esse movimento estar acontecendo não necessariamente a partir de um grande acordo entre os agentes a atuar na área, sejam diretamente junto aos atrativos, sejam na área de produtos e serviços, como os hotéis, bares e restaurantes

Em outras palavras, acreditar no turismo tatuiano e concluir que vale a pena investir nessa área já se tornou algo espontâneo, o que segue abrindo novas oportunidades.

Nesse caminho, a iniciativa do vereador Márcio Antônio de Camargo (PSDB), ao propor o projeto de reconhecimento da Feira do Doce como patrimônio cultural imaterial de Tatuí, não deve ter sido fruto de uma grande articulação plural, senão do movimento espontâneo a demonstrar crença no turismo e apreço às peculiaridades locais.

A partir da Câmara, com a aprovação pelo Executivo, o projeto de lei 108/21 deve levar a Feira do Doce a ser, de forma oficial, um patrimônio cultural e imaterial de Tatuí.

Juntamente com a propositura, foi acatada uma emenda permitindo que o evento seja reconhecido também como “Festa do Doce”. A medida foi apresentada pelo parlamentar Eduardo Dade Sallum (PT).

Esse era o nome do evento nas quatro primeiras edições, antes de a administração municipal mudar de gestão, em 2017. Na ocasião, a mudança foi justificada pela intenção de se “profissionalizar e privilegiar os empreendedores locais”.

O projeto de lei destaca que a Feira do Doce é o maior evento do segmento gastronômico doceiro do interior paulista, estando incluída no Calendário Turístico do estado de São Paulo, através da Lei 15.844/2015.

“É uma referência no interior do estado de São Paulo, em seu modelo de realização. A feira incentiva a produção local, que já é uma feira de negócios, e fomenta o turismo, gerando emprego e renda”, complementa o PL.

O evento retorna em 2022 após hiato de dois anos, em virtude da pandemia. A oitava edição da Feira do Doce terá duração de quatro dias, programada para acontecer de 7 a 10 de julho, de quinta-feira a domingo, na Praça da Matriz.

Também no dia da abertura do evento, será apresentada a nova edição do Guia Turístico e Gastronômico “Tatuí Cidade Ternura”, realizado em parceria com o jornal O Progresso.

A publicação, por sua vez, literalmente, “imprime” justamente alguns avanços no turismo observados nestes últimos dois anos – de maneira extraordinária -, mesmo a despeito da pandemia de Covid-19, que arrebentou com boa parte do turismo ao redor do planeta.

Para se ter ideia, a edição anterior, publicada em 2019, tinha em seu conteúdo 28 atrativos turísticos relacionados em Tatuí; agora, dois anos depois – marcados pela paralisação praticamente total da área e da consequente não circulação do próprio guia -, serão apresentados quatro novos pontos de interesse turístico.

Não é pouco, obviamente levando-se em conta o tamanho do desastre causado pelo novo coronavírus. E ainda haverá mais: o principal templo da cidade tornou-se basílica menor, ganhando outro status também no turismo e tendo, portanto, sua apresentação renovada.

Junto aos eventos anuais, outra novidade – talvez não coincidentemente, também relacionada à religiosidade: a Caminhada da Fé, organizada pela Igreja Católica e que já se pode considerar um sucesso.

Essas e as demais novidades chegarão aos leitores do jornal logo em seguida à Feira do Doce, como encarte gratuito na edição de aniversário dos 196 anos de Tatuí, a serem celebrados no dia 11 de agosto.

Pelo despertar para a importância e potencial do turismo, contudo, a cidade já está de parabéns desde agora!

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