Apae realiza Semana da Excepcionalidade

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Amanda Mageste

Evento acontece entre os dias 21 e 28 de agosto; haverá noite de jantar para a população

 

A Apae (Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais) realiza a 22ª Semana de Prevenção à Excepcionalidade “Professora Eunice Nobile Orsi”. As atividades visam integração e conhecimento sobre os direitos dos deficientes.

De acordo com a diretora administrativa da Apae de Tatuí, Rita de Cassia Leme Ramos, a semana de prevenção terá diversas atividades entre as 280 pessoas atendidas pela entidade.

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A abertura da semana será um encontro sobre o projeto “Todos pelos Direitos: Deficiência Intelectual, Cidadania e Combate à Violência”, idealizado pela Apae de São Paulo e patrocinado pela Petrobras.

De acordo com a Apae estadual, o projeto foi criado para fortalecer a rede de proteção à criança e ao adolescente com deficiência. “Prevenindo e enfrentando as ações de violência física e moral sofridas por essa população, bem como violações dos direitos associados”.

O encontro será na quinta-feira, 21, às 13h30, na sede da Apae. A diretora afirmou que farão responsáveis pela assistência social, Educação, Saúde e Judiciário do município.

De acordo com Rita, o primeiro dia da Semana de Prevenção será para apresentar as melhores formas de oferecer tratamento aos deficientes e para saber como isso está sendo feito em Tatuí.

“Queremos saber como funciona aqui essa articulação, como funciona essa questão da garantia dos direitos”, salientou Rita.

De acordo com ela, a Apae de São Paulo enviará coordenadores da área para ajudar no desenvolvimento das discussões que serão levantadas sobre os direitos dos deficientes.

Ainda conforme Rita, o encontro servirá para que a Apae saiba como os deficientes são tratados e o que acontece quando há violação dos direitos deles.

A diretora afirmou que, antigamente, eles eram “invisíveis, mas, hoje, são mais vistos”. Segundo ela, a população de deficientes precisa estar no mercado de trabalho e ter a questão da educação “bem certa”.

“A questão da saúde delas é uma coisa muito diferente do que era antigamente. Até a própria morte era muito rápida. Hoje, eles vão até os seus 60, 65 anos”, comentou a diretora.

De acordo com Rita, a cidade registrou aumento no número de deficientes. Por isso, aponta ela, também é importante ter atenção com essa população e apresentar todos os direitos para ela.

Rita disse que pretende saber como a Educação faz para se adequar aos deficientes, como as escolas os recebem e tratam. Ela disse que a Saúde é outro ponto importante no tratamento a essa população.

“Os estudos avançaram muito na questão da deficiência intelectual, por exemplo, diferente da mental. Antes, eram todos tratados iguais; hoje, sabe-se que a doença mental é uma coisa, ela tem um tratamento com medicamento. A intelectual nem sempre, é aquela que tem que ser trabalhada com outras estratégias”, contou Rita.

Na parte educacional, a diretora disse que pretende saber quais métodos são utilizados para a integração social dos deficientes No Judiciário, a questão a ser debatida é a violação de direitos.

A diretora adiantou que pretende chamar representantes do Conselho Tutelar e Promotoria Pública para entender como eles trabalham a questão da pessoa com deficiência.

“Quando ela faz uma denúncia, ela é creditada? Se ela denuncia que, de repente, está sendo vítima de abuso, as pessoas dão credibilidade, uma vez que ela já é diagnosticada como deficiente intelectual?”, questionou.

Na Saúde, a discussão também será em torno do tratamento que as pessoas com deficiência têm ao serem atendidos, ou diagnosticadas com problemas mentais ou intelectuais.

De acordo com Rita, essas questões não serão levantadas apenas na abertura da Semana de Prevenção à Excepcionalidade. Conforme ela, isso já está sendo mais discutido na atualidade. Portanto, o evento será realizado “a partir desse contexto”.

De acordo com a diretora, a equipe da Apae vai procurar tratar os assuntos de saúde, direito e educação com “mais atenção e cuidado”, para que os deficientes e familiares entendam sobre essas questões.

Além disso, os assuntos levantados na semana de prevenção – e durante o ano todo na Apae – “visam a integração dos assistidos com a sociedade”, ela ressalta. A diretora acredita que, conscientizando os deficientes de que possuem direitos e deveres, eles consigam sair e interagir mais.

“A gente procura fazer a parte da integração, e envolver um pouco de tudo, porque é um universo muito grande. São muitas áreas atuando sobre uma mesma pessoa”, salientou Rita.

Na semana da prevenção, os deficientes que frequentam a Apae, junto com os familiares, realizam atividades em conjunto para receberem auxílio na verificação de cuidados com saúde e higiene.

Além disso, nos dias de atividades, serão levantados temas como vícios, sexualidade e mercado de trabalho. A Apae também fará ações para o lazer.

Na sexta-feira, 22, haverá um piquenique com o objetivo de “interação”.

No sábado, 23, a partir de 18h, haverá a Noite do Yakissoba, aberto à população, no salão de festas da Apae, à rua José da Rosa, s/n.

“No dia, vamos fazer uma abertura com o nosso pessoal, aproveitar para trazer pessoas para falarmos um pouco da deficiência e fazer com que o espaço seja conhecido pela população”, ressaltou a diretora.

Além da intenção de envolver a população com a instituição, outro objetivo da diretoria é angariar fundos para ajudar a Apae.

Na segunda-feira, 25, os assistidos farão a inauguração de uma agência do Banco do Brasil. No dia seguinte, terça-feira, 26, haverá um “dia da beleza” aos deficientes da Apae.

“Seria um dia do autocuidado, para fazer uma maquiagem, fazer um cabelo. Até porque temos muitos adultos aqui, não tenho só crianças. E esse negócio de se olhar, se cuidar, faz parte da semana”, explicou a diretora.

Na quarta-feira, 27, a Apae está organizando um “dia da família”, com gincanas e brincadeiras entre os deficientes e seus familiares.

De acordo com a diretora, esse dia é importante porque existem muitas famílias que “limitam os deficientes”. E, com essa atividade, a diretoria pretende mostrar que, muitas vezes, essa limitação não existe.

Na quinta-feira, 28, haverá apresentação dos assistidos no Centro Cultural Municipal. Os deficientes farão mostras de teatro e dança para os familiares e convidados.

Conforme a diretora, nas edições anteriores da Semana de Prevenção à Excepcionalidade, sempre houve um dia de casa aberta à população. “Porém, é difícil manter isso, porque são muitas pessoas que querem conhecer, e é difícil manter o foco dos deficientes durante as atividades que realizam”.

“A gente abria a casa para que as pessoas vissem um pouco sobre como é nossa metodologia. Só que imagina os professores tentando trabalhar com uma criança autista severa e várias pessoas tentando olhar. Seria muito complicado. O estresse dessa criança seria muito grande”, explicou.

Por isso, a Apae decidiu limitar a visitação na Semana de Prevenção à Excepcionalidade às pessoas que estejam envolvidas nos direitos, saúde, educação e bem-estar dos deficientes.

Ela disse que, antigamente, era mais fácil realizar “visitações em massa”, porque as Apaes tinham, dentro do núcleo escolar, pessoas com deficiência leve e moderada. Atualmente, “por força da legislação”, são atendidas pessoas com graves deficiências.

Apesar de nos dias do evento não haver uma data para visitações, a diretora salienta que a instituição está de portas abertas para que as pessoas conheçam os métodos de ensino.

“A população, às vezes, quer visitar a instituição, e a gente recebe inúmeras pessoas que querem conhecer a instituição, que ajudam, perfeito. Mas, abrir a casa fica mais complicado, por conta do público que a gente atende”, explicou Rita.

De acordo com ela, a semana é muito importante no desenvolvimento dos deficientes. Porém, a diretora acredita que as estratégias utilizadas com os alunos durante o ano todo são mais eficazes, por trataram-se de tratamento diário.

Na Semana de Prevenção à Excepcionalidade, os assuntos que envolvem os deficientes somente são discutidos com mais foco pela diretoria e convidados.

“A gente pega essa semana para falar um pouco mais da deficiência, o que é a deficiência e como a gente lida com isso. Mas nossas ações não são focadas somente nessa semana”, comentou.

Conforme ela, o fortalecimento dos deficientes, como eles devem garantir os direitos e como devem ser tratados são pontos discutidos diariamente.

Segundo a diretora, durante o ano, a Apae oferece várias palestras aos alunos e familiares para tratar sobre diversos temas. “E não daria em um contexto de tudo isso ser tratado em uma semana”.

Conforme ela, o resultado positivo não pode ser obtido somente em uma semana, mas, sim, em um trabalho diário com os envolvidos. “Essa semana, na verdade, é quando se fala mais da deficiência, onde se coloca mais. Mas esse universo a gente trata todo ano”.

A diretora acredita que o trabalho feito pela Apae durante o ano garante a melhora na qualidade de vida dos assistidos. Porém, disse que seriam necessárias mais ações para que as pessoas com deficiência possam crescer.

Conforme ela, só o fato de essas pessoas terem um espaço onde podem mostrar as habilidades, e fortalecê-las, já melhora a vida delas.

Rita afirmou que, se os 280 deficientes atendidos pela instituição não estivessem frequentando o local, não teriam aonde ir.

“Infelizmente, Tatuí ainda não criou outros espaços para pessoas deficientes. As pessoas continuam dizendo que a Apae é o único recurso, o que não deveria ser”, afirmou a diretora.

Mas, afirmou que é difícil manter as pessoas no local, porque, frequentando a instituição, elas não estão sendo incluídas na vida e no mercado de trabalho.

A diretora sustentou que trabalha com o objetivo de preparar os frequentadores para a inclusão social, não mantê-los na Apae.

“O nosso trabalho é fazer com que a sociedade, de uma maneira geral, receba essas pessoas e entenda que elas não são doentes, que a deficiência não pega. Por isso, a gente aproveita todo momento para trazer as pessoas e falarmos um pouco disso”, comentou.

A diretora disse que outro ponto importante que nota na população é que ela não “faz questão” da comunicação com os deficientes.

“É uma questão de enxergá-lo (deficiente) de forma diferente, de forma especial, e de aprender outras línguas, que não um ‘inglês da vida’, mas outras formas de se comunicar”.

“Hoje em dia, ninguém se preocupa em fazer Libras (Linguagem Brasileira de Sinais), por exemplo. Isso porque eu julgo que uma pessoa que não sabe falar, que não sabe escutar, é uma pessoa que a gente não precisa se comunicar com ela”, afirmou Rita.

De acordo com ela, todos deveriam aprender Libras e braille, antes mesmo de buscar outros idiomas.

Rita acredita que, se as pessoas aprendessem as duas formas de comunicação, os deficientes visuais e auditivos poderiam “evoluir mais perante a sociedade e buscar novos caminhos pessoais e profissionais”.

“A gente deveria saber que uma pessoa que é cega, uma que é surda, não é uma pessoa com deficiência intelectual, por exemplo. Mas nós nos negamos a nos comunicarmos com eles”, finalizou a diretora.


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