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    Copas…

    Aqui, Ali, Acolá

    José Ortiz de Camargo Neto *

    Anseio falar de copa, mas sem falar da Copa. Que fazer?

    Leio no dicionário Houaiss que copa é “um vaso fundo, de dimensões e formas variáveis, para bebidas; taça”.

    Ah, isso é bom. Não causa dores…

    Continuo a ler, e vejo que há uma belíssima copa em heráldica: uma linda “taça, semelhante a um cálice litúrgico.”

    Falar de copa assim, melhor ainda… Não dói nada.

    Xi… Mas esta definição que vem agora me trouxe uma vaga lembrança dolorida como agulha riscando vinil: “peça artística… que se dá como prêmio ao vencedor de uma competição; taça”.

    E o perdedor, não ganha nada?

    Pare com isso, dicionário. Precisa lembrar do susto???

    Aha, que alívio, copa é também uma vasilha grande para pisar uvas; dorna.

    Fico imaginando aqueles homens descalços, pisando uvas… Que bela imagem! Mas que é isso? Que delírio é esse? Vejo chuteiras cor de rosa em seus pés! E as uvas se transformam em bolas enormes pulando no gramado do suco!

    Deixe-me mudar logo de imagem! Ah…

    Lembrei que copa é a parte superior da árvore, geralmente verdinha, verdinha, como os gramados. Sai fantasma!

    Tem outra copa pra eu pensar? Ah, sim! A parte do chapéu, do boné etc. que cobre diretamente a cabeça.

    Cabeça? Lembra cabeceio. Gigante norueguês…

    Sai pra lá…

    Melhor me recolher à copa de minha casa com amigos… Mas foi aí que eu vi! Não quero lembrar! O gol perdido! O jogo enterrado.

    Melhor pensar em enterro. É mais alegre… O coveiro abrindo a cova embaixo da árvore copada!

    Ele passa a pá ao companheiro de jogo, que passa para o do lado… Que passe! Passa, delírio!

    Chega! Já falei de copa demais!!!

    Vou jogar paciência.

    Buá… A primeira carta que tiro é uma dama de copas. Vermelha como a bandeira da Noruega.

    Até breve!

    * Jornalista e escritor tatuiano.