Júlia tem dez dias para encontrar doador

Transplante será em SP com medula dos pais, caso não houver 100% de compatibilidade

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Júlia Abrame de Oliveira, que esteve no Gpaci, aguarda procedimento (foto: arquivo pessoal)
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A pequena Júlia Abrame de Oliveira, de 6 anos, deve ser submetida a transplante de medula óssea dentro de dez dias. O prazo foi divulgado pela mãe dela, Adriana Abrame, que está realizando os exames para o procedimento.

Júlia deixou o hospital do Gpaci (Grupo de Pesquisa e Assistência ao Câncer Infantil), em Sorocaba, no sábado, 4. Ela recebeu alta depois de apresentar melhora no quadro de saúde. A menina inspirava cuidados por conta da quimioterapia.

A mãe informou que a cirurgia deve ser realizada mesmo sem o encontro de um doador 100% compatível com Júlia. Conforme Adriana, os médicos decidiram por um transplante haploidêntico, quando a compatibilidade entre doador e receptor é de 50% ou mais, embora não atingindo os 100% tidos como ideais.

“O transplante é um procedimento de muito risco, por isso os médicos buscam o ideal. Mas, essa é a segunda alternativa que temos. Como ela não está em condições de ficar esperando por um doador, os médicos querem fazer”, explicou.

De acordo com a mãe, os médicos informaram que a menina não tem mais tempo para aguardar por um doador 100% compatível. Além disso, Júlia está em perfeitas condições para realizar o transplante. “Ela está bem, recuperada, sem doença, zerada. Esse é o momento ideal para a operação”, contou Adriana.

Ela relatou que os médicos querem acelerar o procedimento porque a tendência é de que a doença volte. Caso isso aconteça, Júlia pode piorar e precisar de nova sessão de quimioterapia, o que colocaria a vida dela em risco. “Quanto mais adiarmos o transplante, mais ela corre riscos”, sustentou a mãe.

Além dela, que já realizou bateria de exames que permitirão a cirurgia, o pai da menina começou a passar por diagnósticos. Se, durante a semana, alguma pessoa cadastrada for 100% compatível com Júlia, os planos podem mudar.

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Nesse caso, os pais não devem doar. Entretanto, caso ninguém apareça, Adriana contou que ou ela ou o marido podem ceder o material para o procedimento.

De acordo com ela, o transplante em si já representa risco. Adriana esclareceu que, mesmo com alguém 100% compatível, há perigo. “Estamos arriscando”, desabafou.

A mãe afirmou, ainda, que a realização de novos mutirões é válida. Segundo ela, mesmo que a ação não resulte em ajuda à Júlia, em tempo, ela pode salvar outras vidas.

“Espero que as pessoas usem a Júlia como exemplo, para continuarem com mutirões, porque nunca se sabe o dia de amanhã, se um filho, um irmão de alguém vai precisar. Então, a pessoa tem que fazer não por uma pessoa, mas por todas”.

Por conta da expectativa da cirurgia, a mãe de Júlia disse que a chance de um novo mutirão poder auxiliar a menina existe, mas é pequena. Adriana relatou que o prazo entre a doação, a realização dos exames e o cadastro dos dados no banco nacional pode reduzir as chances de sucesso na busca.

“Não sei se ainda dá tempo. Pode ser que atrase (a cirurgia), mas a médica gostaria que o procedimento fosse feito dentro dos próximos dez dias”, afirmou.

O transplante será realizado em São Paulo, no Hospital Santa Marcelina, para o qual a menina foi encaminhada. A transferência é feita pelo Gpaci, com base no quadro de saúde dela e conforme o tipo de procedimento a ser feito.

A mãe e a menina já estiveram no hospital da capital, na quinta-feira, 9, para as orientações. Na ocasião, Júlia também passou pelas primeiras avaliações.

A mãe contou que a família ficou comovida com a mobilização em torno da menina. “Muita gente acabou ligando para ajudar, querendo saber como funciona a doação, querendo doar para a Júlia. E isso aumenta a esperança, mas não tem como ajudar especificamente ela”, esclareceu Adriana.

Embora as chances de compatibilidade sejam pequenas, a mãe da menina afirmou que a família ficou muito alegre com a iniciativa, uma vez que o mutirão pode ajudar outras crianças ou pessoas que precisem de medula óssea.

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