Vazamento de amônia na BRF atinge moradores do Gonzaga

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Por volta de 18h de domingo, 3, um acidente de vazamento de amônia na fábrica BRF Foods (associação entre Sadia e Perdigão), situada no Jardim Gonzaga, atingiu 40 pessoas. Todas deram entrada no Pronto-Socorro Municipal “Erasmo Peixoto”.

Ana Cristina Silva de Souza Almeida, enfermeira chefe do PS, disse que, dos atendimentos, 29 foram notificados, nenhum foi intoxicado ou apresentou sintomas graves. Todos acabaram liberados, pois “apresentaram melhora na avaliação médica”.

De acordo com Ana Cristina, os pacientes receberam inalação e medicação. Eles foram aconselhados a voltar ao PS após seis horas do atendimento, para realizarem exames de raio-X.

Ainda conforme a enfermeira, a Vigilância Epidemiológica foi notificada sobre o ocorrido.

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Segundo Ana Cristina, os pacientes chegaram ao PS com dificuldades para respirar e tiveram “atendimento imediato e correto, apresentando melhora”.

De acordo com a assessoria de imprensa da BRF, não havia produção no momento do acidente. Trabalhavam no local equipes de limpeza, administrativa e manutenção, totalizando 12 pessoas, sendo que uma foi encaminha ao PS e passa bem.

Segundo o sargento do Corpo de Bombeiros, Edson Francisco Pinto, a funcionária da BRF que necessitou de atendimento médico foi levada ao PS por meio do Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência).

As outras pessoas que deram entrada no serviço de urgência e emergência foram até o PS por meios próprios, de acordo com Ana Cristina.

Ainda conforme ela, a amônia pode provocar náuseas e vômitos, “causando danos aos lábios, boca, esôfago, irritação na pele”, e é corrosiva.

O efeito principal e mais imediato da amônia é queimadura na pele, nos olhos e no nariz. O gás é incolor, alcalino e possui agente irritante.

Conforme a assessoria da BRF, o escape de amônia “foi contralado rapidamente” pela equipe de manutenção da empresa e “não há riscos de que aconteça novo vazamento”. Na segunda-feira, 4, a empresa já estava funcionando normalmente.

De acordo com o sargento Francisco, o vazamento foi “leve”. “Foi uma válvula de alívio, é o sistema de segurança que tem na tubulação, que tem um limite de pressão. Passou dessa pressão, essa válvula de alívio automática rompe para ‘desaliviar’ a pressão da rede”.

Conforme Francisco, houve supercarga na tubulação, fazendo com que ela chegasse ao limite e rompesse a válvula, resultando no vazamento que atingiu funcionários e moradores do Jardim Gonzaga.

Ainda de acordo com o sargento, a tendência era de que o gás vazado tivesse se dissipado no ar. Porém, o dia sem vento, por isso o fluido ficou acumulado nas baixadas, formando nuvens.

“Por esse motivo, o pessoal sentiu um cheiro forte, e tivemos várias reclamações. Vítimas, na verdade, foram poucas. Mas, até que chegou a pegar uma área grande, no Jardim Gonzaga. Estava insuportável o cheiro da amônia”, comentou Francisco.

Conforme ele, há um “limite” para que as fábricas soltem gás e não prejudiquem os funcionários e pessoas no entorno.

“O pessoal expurga para tirar o excesso de resíduo, impureza que tem dentro da circulação, e dá essa descarga no ar até um limite que é aceitável. Tem que tomar cuidado para não passar disso”, explicou Francisco.

O sargento afirmou que o técnico responsável pela empresa deve verificar exatamente “o que está acontecendo”, para evitar novo vazamento e prejuízo a mais pessoas.

De acordo com ele, se no dia do vazamento estivesse ventando, o cheiro teria sumido mais rápido, atingindo menos pessoas.

O sargento Francisco disse que o acontecimento foi mais um “susto”, por já ter acontecido um vazamento de amônia na mesma fábrica, no início deste ano. De acordo com ele, o primeiro caso foi “mais forte”.

Em 3 de fevereiro, um rompimento na BRF Foods causou vazamento de amônia na fase líquida, que se transformou na forma gasosa, causando hospitalização de 22 pessoas.

De acordo com reportagem publicada por O Progresso em 5 de fevereiro, as pessoas atendidas no primeiro vazamento de amônia apresentavam “intoxicação leve”.

Conforme a enfermeira responsável pelo PS na época, Roberta Molonha Machado, os pacientes receberam atendimentos segundo orientação repassada pelo Ceatox (Centro de Assistência Toxicológica).

Orientações

O sargento orienta que, caso ocorra situação parecida com os dois vazamentos, as pessoas coloquem um pano úmido na boca e no nariz e saiam para lugares seguros e longe do cheiro.

De acordo com Francisco, é importante que as pessoas saiam do lugar e se movam até um local com ventilação, preferivelmente em direção contra o vento.

“Tem que procurar uma área mais segura, acionar o Corpo de Bombeiros ou o Samu, se precisar”, salientou Francisco.

Em setembro, bombeiros realizarão um simulado com funcionários da empresa BRF Foods para passar orientações em caso de contato com o gás da amônia.


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