‘Vamos dar trabalho para a bandidagem’

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David Bonis

Francisco José Ferreira de Castilho, no novo complexo da Polícia Civil

 

Novo delegado titular da Polícia Civil de Tatuí, Francisco José Ferreira de Castilho assumiu o cargo no final de agosto, há pouco menos de um mês. Ainda adaptando-se ao posto, tomou conta da função em meio a um momento em que as estatísticas de violência da cidade cresceram.

De acordo com dados da Secretaria da Segurança Pública do Estado de São Paulo, o município registrou 930 inquéritos instaurados entre janeiro e julho deste ano – último período divulgado pelo órgão. Já nos sete primeiros meses do ano passado foram 890.

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É nesse contexto que o ex-delegado sorocabano, alçado à primeira classe pelo critério de “merecimento pelo melhor aproveitamento na carreira”, assume o posto.

Em relação ao aumento do número de ocorrências e o papel da Polícia Civil no combate a esses casos, Castilho prega união.

“(O caso) é a polícia estar presente. Não é só a Polícia Civil. Sempre trabalhei em conjunto com as polícias Civil, Militar, Guarda Municipal e Conselho Tutelar. Todos os órgãos que, de uma forma ou de outra, nós consigamos seguir para a mesma direção”.

“E, principalmente, aqui, (temos que) aproveitar o ótimo relacionamento com o Judiciário e com o Ministério Público. União de esforços. Não tem outro caminho. Não adianta eu correr para um lado e você, para outro. Se nos unirmos, pelo menos, trabalho para a bandidagem vamos dar”.

Ainda nesse ponto do aumento das ocorrências, ele acrescenta que as prisões são importantes para diminuir os casos de violência. “Se prendermos alguém que faz furtos na área central, vai diminuir, porque vamos tirar uma laranja podre da rua. E, se conseguirmos fazer com que a polícia esteja presente – mas não só a Civil –, vai ser ainda melhor”.

Com experiência em algumas cidades da região e também em municípios mais longínquos – como Carapicuíba, onde atuou no ano passado como titular da Ciretran (Circunscrição Regional de Trânsito) –, Castilho diz que, devido ao pouco tempo em Tatuí, ainda não percebeu se há influência política no trabalho da Polícia Civil.

“Se eu falar que há algum tipo de ingerência ou tentativa do tipo, vou acabar falando de algo que não ocorreu nesse período que estou aqui”, sustentou.

Além do desafio de encarar o aumento das ocorrências na cidade, ele vai enfrentar outros. Entre eles, o baixo contingente de policiais. No novo complexo, trabalham entre 32 e 34 policiais.

Esse número, “satisfatório”, na opinião do novo delegado, conta também com auxílio de funcionários da Prefeitura para realizar os trabalhos na delegacia.

Na sexta-feira, 12, ele e o prefeito José Manoel Correa Coelho, Manu, assinaram contrato no qual o Executivo garantirá 38 profissionais para auxiliar na rotina da Polícia Civil dentro da delegacia. Essa totalidade ainda não foi alcançada. Atualmente, cerca de 30 já estão trabalhando.

“Vou ter que ver quais as necessidades da delegacia. Seja pessoal na intimação ou outra área. Enquanto eu não me adaptar completamente, não vou conseguir completar esse número”, ponderou.

Os que já atuam na unidade realizam atividades ligadas à formalização do expediente, no cartório central, na formatação de ofícios, ou seja, atuam com serviços burocráticos e administrativos.

“Toda a ajuda é bem-vinda, inclusive da população. No caso do auxílio dos funcionários da Prefeitura, é excelente, porque, com a ajuda deles, consigo usar os policiais para investigar. Se eu não tivesse esse suporte, teria que deslocar alguém da investigação para o serviço interno, burocrático. Tenho que maximizar o serviço com os recursos do Estado. E o suporte da Prefeitura me dá retaguarda”.

Devido também ao baixo contingente de policiais civis, é difícil, na avaliação do delegado, fazer um policiamento que previna crimes.

“O policiamento preventivo seria mais da Polícia Militar e da Guarda Municipal. Não temos um efetivo que possamos fazer um policiamento preventivo especializado, como existe em grandes cidades”.

“Temos um número razoável de policiais, dentro daquilo que podemos contar. E estamos correndo atrás dos crimes. Estamos tentando investigar. Já tivemos oito ou nove prisões temporárias neste mês. Entre cinco e seis casos esclarecidos. É esse dinamismo. Pegar a ocorrência e correr atrás”, acrescentou.

Em outros tempos, o município já chegou a registrar números próximos a 100% de esclarecimentos nos crimes de latrocínios e homicídios. No entanto, Castilho não faz promessas.

“Não digo e não planejo estatísticas. O nosso sonho é ter 100% de esclarecimentos. Agora, falar que vou fazer isso seria utopia. Sou pé no chão. O que prometo é trabalho”.

Menores infratores

Mesmo sem dados em mãos, Castilho elogia o trabalho da Polícia Militar e da Guarda Civil pelo aumento de apreensões de jovens infratores.

Atualmente, a delegacia tem quatro celas para dar conta do número de prisões. Em teoria, segundo o delegado, cada um desses espaços é destinado a um perfil de criminosos.

Uma para maiores infratores; outra a menores; a terceira para mulheres maiores de idade; e a quarta para mulheres adolescentes. Isso impediria que casos de presos de diferentes idades e sexo ficassem juntos.

No que tange aos jovens presos, eles são direcionados para qualquer unidade da Fundação Casa que tenha vaga.

“Não há uma unidade exclusiva para aonde os jovens são levados. São vagas esporádicas. Hoje, abriram três em São Paulo, e a escolta está levando os adolescentes. Amanhã, pode ter em Itapetininga. Aí, levamos para lá. Se abre vaga em Sorocaba, a mesma coisa. É o que a Fundação Casa nos autoriza”.

Avaliando de forma ampla, o delegado pondera sobre os motivos que levam adolescentes a entrarem no mundo dos crimes, relacionando esse cenário com o trabalho da Polícia Civil.

“São fatores. Uma criança de dez anos não respeita seu professor. Então, é um problema de educação, social. É um problema específico. Ele (o adolescente) desviou. Qual é o fator? A facilidade que o mundo do crime aparentemente demonstra para eles? Vou trabalhar um mês inteiro para ganhar uma quantia sendo que posso cometer um crime e ganhar isso?”

“Então, o que fazemos é combater. Não que não vamos nos engajar em projetos sociais que tenham por interesse a conscientização da população. Mas, hoje, não temos condição para desviar nosso foco. Quem sabe no futuro”, concluiu.


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