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    Uma voz , um violão e uma canção na seresta

    Para o meu amigo professor José Rubens Frediani Prestes (Zé Rubens)

    José Rubens Frediani Preste (Foto: Divulgação)

    A Voz do Voss

    Luiz Antonio Voss Campos

    Bem, nestes dias passados, fui a uma reunião com o Dr. Renato Pereira e, nesse local, me encontrei com a Dra. Ana Clélia e, ao questionar sobre o seu querido pai, fui surpreendido com a notícia do seu falecimento.

    Confesso que para mim foi um golpe muito grande, e, na conversa, pedi-lhe que me mandasse algumas informações sobre o seu pai para que eu pudesse homenageá-lo, mesmo um pouco atrasado, e externar-lhe a nossa saudade e admiração que sentíamos por ele. E ela me mandou, e eu acrescentei algumas frases e, juntos, escrevemos estas linhas:

    José Rubens Prestes Frediani – filho de Rubens Prestes Frediani e Natália Marócolo Prestes – nasceu em 1/2/1944, na cidade de Conchas (SP), porém, passou a sua infância e adolescência na vizinha cidade de Pereiras, onde seguiu os passos do pai, que também tocava violão e era seresteiro.

    Com uma voz aveludada, e como era bom violonista, foi convidado a ser o “crooner” – um termo usado para descrever cantores (geralmente, masculinos), que interpretam canções populares com estilo vocal suave, íntimo e conversacional, e que dominam diversos gêneros musicais – da famosa Orquestra do Faé, que animava os bailes de toda a região.

    Com o término dessa orquestra, também cantou em vários conjuntos musicais. Como se formou professor, foi trabalhar na cidade de Cotia (SP), onde conheceu Helenice Dal Sasso Frediani, com quem se casou em 30 de maio de 1970, e, desse relacionamento, nasceu a filha Ana Clélia.

    Após uma perda familiar, o casal resolveu sair da Grande São Paulo e escolheu Tatuí para fixar residência, e aqui chegaram em fevereiro de 1981. Nesta cidade, fizeram parte do MFC (Movimento Familiar Cristã), Rotary Clube Cidade Ternura e, também, do Grupo de Seresta, ao lado de Celina Araújo , com quem sempre se apresentava em festas beneficentes, aniversários, eventos populares e em casas de famílias que os convidava para cantar.

    O nosso querido Zé Rubens também trabalhou como diretor das escolas de Tatuí: “Professor Ari Sinisgalli”, vila Esperança; “Professor Tomás Borges”, centro; “Professora Altina Maynardes”, Boqueirão ; e “Professora Lígia Vieira de Camargo Del Fiol”, vila Angélica.

    Em todas as escolas, sempre deixou um grande número de amigos, alunos e pais de alunos. Sempre foi um ótimo e grande educador, e, quando algum aluno causava problemas nas classes ou na escola, chamava os pais e o aluno para uma conversa amigável, porém, séria.

    Também trabalhou na Delegacia de Ensino de Tatuí e se aposentou trabalhando na vizinha cidade de Quadra. Até os seus últimos dias, sempre era reconhecido nas ruas por ex-alunos, pais, e sentia grande prazer e orgulho de ter sido professor ou levado conhecimento para os cidadãos.

    E alguns o cumprimentavam dizendo: “O Sr. foi meu professor / diretor na escola ……”. Isso era o que mais ele ouvia nas ruas, bancos, locais públicos, e ficava muito lisonjeado e feliz ao ser reconhecido pelas pessoas.

    Sempre teve a música, o violão, os vários cadernos com letras de músicas como companheiros inseparáveis, e, onde tivesse uma seresta, lá estava o nosso amigo com a sua voz inconfundível cantando músicas que falavam de amor, saudade, esperança e vida.

    Amava a luz e a noite. Eu me lembrei que, em 25 de outubro de 2019, nós fizemos a 3ª Noite da Seresta em Cesário Lange, e o nosso querido Zé Rubens cantou “Porteira Velha”, de João Nogueira, e “Marina”, de Dorival Caymmi, e fez com que o público que lotava o local o aplaudisse em pé.

    O Carnaval também era uma das suas paixões, e, nos bailes de salão, sempre cantava as quatro noites e as duas matinês. Foi durante dez anos o puxador oficial do bloco Az de Ouro (bloco de Carnaval formado por músicos amigos de Pereiras), cantando as inesquecíveis marchinhas.

    Inclusive, no último Carnaval, mesmo debilitado, ainda deu uma “palhinha”. Deixou a sua voz eternizada na cidade que o viu crescer e é o intérprete oficial do hino da cidade de Pereiras.

    Venceu quase todos os concursos de interpretação musical que participou, se tornando por isso “hors concours nos festivais de música da região e do estado. Recebeu o título de cidadão tatuiano, do que tinha muito orgulho, em dezembro de 2006.

    Veio a falecer no dia 22 de abril do corrente ano, em Tatuí, onde foi velado e levado para a cidade de Pereiras, onde foi enterrado no cemitério municipal daquela cidade, onde também está enterrada a sua querida esposa, falecida em 14 de agosto de 1990.

    O professor José Rubens, por onde passava, conquistava a todos com a sua voz maravilhosa, pelo violão bem tocado, humildade, respeito e educação, e nos deixou um legado nas músicas de serestas e para todos que com ele conviveram nos bancos escolares. Hoje brilha como uma estrela nos céus de Tatuí e Pereiras.

    Muito obrigado por tudo, meu caro amigo Zé Rubens!