Tatuí deve explorar vocação, afirma Sando

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Toni Sando de Oliveira fala durante 1º Encontro Municipal de Turismo (foto: Gabriel Guerra)
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O presidente do São Paulo Convention & Visitors Bureau, Toni Sando de Oliveira, abriu o 1° Encontro Municipal de Turismo de Tatuí, na terça-feira, 8, abordando o tema “destinos”.

O executivo da área do turismo e com experiência em operações, marketing, produtos e negócios, disse que o evento era como o “bater de asas de uma borboleta, que poderá criar uma grande ventania” e apostou que Tatuí desponta no mercado do turismo.

O palestrante iniciou acentuando a importância do turismo ao longo da história da humanidade. Para tanto, retroagiu à era pré-histórica, lembrando que os primeiros humanos apenas sobreviviam, eram vulneráveis e gastavam todo o tempo lutando pela sobrevivência. Com o tempo, dominaram o fogo, a natureza e deixaram de ser vulneráveis, ganhando tempo livre.

Nesse momento, precisou arrumar maneiras de “enfrentar o ócio”, apontou o palestrante. “A solução encontrada foi começar a pensar, criar, inventar, conviver, fazendo arte, ciência, a contar histórias e organizar eventos”, sustentou.

“As pequenas tribos se tornaram grandes civilizações e, em todas elas, havia eventos de dança e música para ocupar o tempo livre”, acrescentou. Os gregos, então, criaram o teatro e as primeiras casas de espetáculo. Os romanos, por sua vez, evoluíram, organizando grandes eventos em imensas estruturas.

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O entretenimento se tornou uma indústria, produzindo bailes, peças de teatro, espetáculos de música, ópera, dança, circo e cinema, seguiu o palestrante ilustrando.

“O mundo moderno se solidificou nas cidades, que produzem eventos culturais e esportivos, parques temáticos e aquáticos – tudo para despertar o interesse das pessoas e preencher o ócio que veio a ocupar as civilizações”, pontuou.

Sando defendeu que a globalização e os meios de comunicação fizeram, através da interligação das áreas urbanas e com auxílio das rotas de navios e aviões, o globo terrestre voltar a ser “um único espaço, acessível a todas as pessoas”.

“A Terra toda está globalizada em uma só leitura de povos e costumes. Se olharmos as rotas de aviões nos Estados Unidos e na Europa, podemos ver a grande quantidade de voos que estão acontecendo neste momento”, exemplificou.

O executivo demonstrou que todas as cidades possuem, basicamente, as mesmas características, tornando-se parecidas umas com as outras.

Em razão disso, para o turismo, segundo ele, o importante não é aonde a pessoa quer ir, e sim o que ela quer “sentir”, a experiência que quer ter e as coisas diferentes das que está acostumada a ver.

Conforme Sando, o que se busca, desde a pré-história, é “usar bem o tempo livre, colecionar boas memórias, curtir os bons momentos, viver experiências que nos façam sentir mais vivos”.

Neste aspecto, o entretenimento – vinculado diretamente ao turismo – preenche essas carências.

O palestrante sustentou que, em geral, as cidades ainda estão “adormecidas”, não sabendo explorar o potencial da indústria do turismo, do lazer, do entretenimento e dos eventos.

“A cidade que perceber que isso, de fato, gera receita, riqueza e emprego, com certeza, vai se destacar. O mercado ainda é muito virgem. O brasileiro não conhece o Brasil, o paulista não conhece o Estado de São Paulo, há muito potencial do turismo por aqui”, emendou.

Segundo ele, existe a possibilidade de negócios na intenção de preencher o ócio das pessoas e a indústria do entretenimento entendeu que “tempo livre resulta em dinheiro”.

Sando afirmou que o padrão de serviço de turismo é muito parecido nas diversas partes do mundo. “O que as pessoas querem é o algo a mais, coisas que elas podem degustar, falar para alguém e ter algum tipo de vivência diferente”, destacou.

Para o palestrante, é preciso identificar o que Tatuí tem de bom e pode oferecer aos turistas, atrativos que outras cidades não oferecem. “O fato de o município ser uma cidade musical atrai muita gente da área, que procura locais para conviver com pessoas que ‘falam a mesma língua’”, apontou.

Os doces caseiros também podem e devem ser explorados, segundo ele, por meio da criação de concursos e ações de merchandising, em programas que mostrem que Tatuí é reconhecida como “Terra dos Doces Caseiros”.

Em um segundo momento, Sando abordou a influência das redes sociais, apontando que a sociedade ganhou a possibilidade da interação em tempo real, o que envolve os destinos e os serviços.

“Quem gosta de doces, com certeza, ainda não imagina que tem uma cidade especializada nisso. Os especialistas em música conhecem o Conservatório daqui, mas muitas outras escolas poderiam estar por aqui. Hoje, temos mais de 8.000 escolas de música no Brasil”, observou.

O presidente explicou que, no turismo, é preciso ter cuidado redobrado para deixar uma “boa impressão” junto aos visitantes. “Uma pessoa insatisfeita prejudica, consideravelmente, um destino turístico ao colocar críticas negativas em uma rede social ou em um grupo de amigos”, sustentou.

“O destino paga um preço muito caro por um evento mal realizado. Por isso, a importância do compromisso do habitante, do comerciante, do taxista e das pessoas da cidade em receber bem o visitante. Eles são, de fato, os embaixadores desse local”, assegurou.

Para o palestrante, o desafio de uma cidade turística é mobilizar pessoas para trabalharem pelo bem-estar comum. Para isso, seria preciso apostar na capacitação, criatividade e inteligência.

Também seria necessário resolver os grandes desafios das cidades, que costumam ser de mobilidade, segurança, qualidade de vida, cultura, meio ambiente e hospitalidade.

Sando apontou que Tatuí, por ter demonstrado interesse e conseguido se tornar um destino turístico, sai na frente, mas terá de enfrentar o desafio de continuar à frente das outras cidades que também investem no turismo.

Sobre a criação de um evento visando estimular as pessoas a acreditarem no potencial turístico, Sando declarou que a iniciativa pode ser o início de um movimento.

“O que não pode é acabar aqui (no Encontro Municipal de Turismo). Tem que ser um marco da pedra fundamental, de que a cidade está propensa e estimulada a trabalhar melhor o seu turismo local, regional e nacional”, assegurou o profissional.

Conforme Sando, “os munícipes precisam entender que os visitantes trazem riqueza, ajudando a economia a crescer, fazem o pequeno empresário se tornar um médio empresário, dando emprego para quem não tem emprego”. “A cidade toda pode prosperar com isso”, defendeu.

O profissional também sustentou que o turismo é a “grande economia do mundo” e que mais países têm mudado as prioridades, valorizando o turismo, em detrimento às áreas de produção, industrialização e petróleo, por exemplo.

“Quando olhamos o Brasil e a capacidade que temos de receber bem, pelas características do povo brasileiro, das belezas naturais, a gente tem muito a ganhar com isso”, asseverou.

Para ele, turismo não é filosofia, e sim recurso, dinheiro que gera riqueza e prosperidade. “Por onde o turista passa, ele chega, se movimenta, dorme, come, visita, compra e volta”, argumentou.

“Receber bem o turista, como se fosse uma pessoa da família, é fundamental para que ele possa voltar ou compartilhar positivamente nas redes sociais”, acentuou.

Sando assegurou que os serviços público e privado precisam andar juntos para conseguirem atender ao turista com eficiência. “Ambos precisam trabalhar em conjunto e ter uma leitura de prosperidade sobre o seu espaço”.

O palestrante destacou a importância da atuação do Conselho de Turismo, associações e fóruns para impulsionar o turismo local, além do papel da “criatividade” para atrair investidores e pessoas.

Outro ponto explorado, durante a apresentação, foi a necessidade de mostrar às pessoas que recebem e informam os turistas a importância de um bom atendimento e acolhimento, para o sucesso do empreendimento turístico de um destino.

“Se a gente não gasta energia para mostrar aos recepcionistas, taxistas, Guarda Civil ou qualquer pessoa que tem o primeiro contato com o visitante o quanto ele é importante para receber os turistas, não adianta gastar dinheiro com turismo, com infraestrutura e com a verba do Dade (Departamento de Apoio ao Desenvolvimento das Estâncias)”, declarou.

Para receber bem os visitantes, reiterou Sando, é preciso atuar em ações integradas de hospitalidade, com inovação, conexão e cultura. Ele destacou, como exemplo, o fato de Tatuí ter sido a primeira cidade do Brasil a ter o selo do “Bem Receber”.

“O selo é referência, é apresentar para a sociedade que o empresário e o comerciante têm interesse de mostrar que a cidade está preparada para receber o visitante, e assim o faz”, declarou.

Para finalizar a palestra, Sando destacou a importância da elaboração de eventos que podem transformar o destino em um grande mercado. “Os produtos criados pela cidade, a fim de atrair mais turistas, melhoram a distribuição de renda e fazem toda a economia crescer”, assegurou.

Conforme Sando, a função dos profissionais de eventos e turismo é contribuir com a economia local e gerar toda uma cadeia produtiva, de serviços e negócios, redundando em ganhos para todos.

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