Semestre registra 7.982 ligações ao Samu

2552
Socorristas do Samu fazem levantamento sobre os atendimentos realizados nos últimos seis meses e alertam sobre os riscos de acidentes domésticos no período de férias (foto: Diléa Silva)
Publicidade

Mais de 40 atendimentos telefônicos por dia e 1.330 por mês. Essa é a média de ligações que a Central de Regulação do Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência), sediada em Itapetininga, recebeu de Tatuí nos seis primeiros meses do ano.

O serviço, em operação na cidade desde 2010, somou 7.982 ligações telefônicas no primeiro semestre. Do total, foram despachadas viaturas em 3.729 casos e em mais da metade, repassadas informações pelo telefone. Também houve chamada por engano, trotes e transferências de internação.

De acordo com a coordenadora da base local do Samu, Cássia Stela Rodrigues Alvares, muitos moradores ligam apenas para ter orientações sobre como proceder. Os pedidos de informações geram chamados, porém, não há despacho de viaturas.

“Nem tudo gera atendimento, alguns geram orientação médica, ou dos próprios atendentes. Muitas vezes, as pessoas somente têm dúvidas e acabam procurando o serviço para receber informações”, explica Cássia.

A maior parte dos atendimentos realizados pelo Samu é relacionada à parte clínica de diversas causas. Infartos, derrames, desmaios, hipertensão e diabetes são os mais comuns. Esses tipos de ocorrência somaram 2.644 atendimentos entre os meses de janeiro e junho. O número representa 70,9% dos chamados.

Publicidade

Conforme o levantamento realizado pelo serviço, o segundo maior motivo de despacho de viaturas são os traumas. Este tipo de atendimento está relacionado a acidentes automobilísticos, atropelamento de pedestres, quedas, ferimentos por armas de fogo e arma branca, entre outros. Foram 555 ocorrências do tipo nos primeiros seis meses do ano.

Em seguida, vêm os chamados para atendimentos sobre psiquiatria (252), obstetrícia (151), pediatria (112) e neonatal (15).

No mesmo período, foram realizadas, ainda, 63 transferências para outros municípios. Segundo a coordenadora, a operação é realizada quando os pacientes precisam de alguma especialidade médica, ou de algum recurso não oferecido no município. Nestes casos, as vagas são determinadas pelo Estado, por meio da Cross (Central de Regulação de Ofertas de Serviços de Saúde).

“São eles que determinam para aonde vão estes pacientes, que são os casos considerados mais graves, ou alguma especialidade que nós não temos aqui”, informou.

Entre as demandas, a maioria poderia ser evitada com mais cautela da população. Cássia afirma que as chamadas de Tatuí para a parte de traumas são muito numerosas, principalmente em casos de acidentes envolvendo motos e atropelamento de pedestres. Para ela, este crescimento poderia ser evitado com a conscientização dos motoristas e pedestres.

“Notamos que as pessoas têm muita dificuldade de utilizar o semáforo da maneira correta e de utilizar as faixas de pedestres. Isso contribui para o alto índice. O problema vem tanto por parte do pedestre, que não cumpre com os deveres dele, como dos motoristas, que não respeitam as sinalizações”, apontou.

Entre os chamados, uma parcela significativa refere-se aos trotes. A situação preocupa os profissionais e atendentes do serviço de urgência. Estima-se que quase 1% das ligações envolva este tipo de fraude.

Os números não são contabilizados de forma específica no município, pois a central atende outras seis cidades além de Tatuí: Itapetininga, Quadra, Alambari, Sarapuí, Angatuba e Guareí.

Cássia ressalta que o problema das ligações falsas é que elas acabam usando a linha e atrapalham o atendimento de quem realmente precisa.

Porém, segundo ela, os médicos da Central de Regulação são treinados para esse tipo de situação e sabem distinguir quando se trata de uma “brincadeira”, evitando que uma viatura seja despachada para atender ocorrências inverídicas.

“Estou há seis anos trabalhando aqui, e só uma única vez aconteceu de a equipe ir para uma ocorrência e ter sido um trote. A central é muito seletiva na entrevista. Eles são muito cautelosos e criteriosos, porque o tempo, para nós, é precioso”, reforçou.

Ainda segundo a coordenadora, os médicos têm experiência no atendimento de urgência e emergência e são pós-graduados. A maioria dos enfermeiros tem curso de PHTLS (em inglês, suporte pré-hospitalar de vida no trauma).

A equipe de Tatuí, atualmente, conta com 41 funcionários, entre técnicos em enfermagem, enfermeiros, médicos e setor administrativo. Todos passam por capacitação no Hospital Alemão “Oswaldo Cruz”. O curso é específico para quem pretende prestar serviços de urgência e emergência.

A capacitação dos profissionais também envolve um treinamento mensal pelo NEU (Núcleo de Emergência e Urgência), no qual adquirem experiências e conhecimentos sobre atendimentos de situações recorrentes. Além disso, os funcionários passam por avaliação duas vezes ao mês.

“O treinamento do Samu é continuo, não é uma coisa que ocorre esporadicamente, nós temos que fazer sempre para estar cada vez mais preparados para mais diversas situações”, acrescentou.

De acordo com a cartilha disponibilizada pelo Samu, quando há uma ligação para o 192, o chamado é acolhido pela Central de Regulação e a pessoa é atendida por técnicos de enfermagem, conhecidos como Tarm (técnico de auxiliar de regulação médica).

O atendente identifica a emergência e anota os primeiros dados. Na sequência, a ligação é transferida para o médico regulador.

O plantonista faz o diagnóstico do caso e inicia orientando, por telefone, o paciente, ou a pessoa que fez a chamada, sobre as primeiras ações. Se necessário, a ambulância vai até o local onde a pessoa solicitou, começa o atendimento e, em seguida, encaminha a vítima para o hospital.

O médico analisa caso por caso e despacha viaturas conforme a necessidade. O contato com a equipe de Tatuí é realizado simultaneamente, por meio de rádio.

Quando precisa, o regulador também comunica a urgência ou a emergência aos hospitais públicos e, dessa maneira, reserva leitos para que o atendimento tenha continuidade.

Se o caso não é grave, o médico faz o atendimento dando orientações somente por telefone, sem necessidade de deslocar ambulância. Em casos que necessitam de médico “in loco”, a USA (unidade de suporte avançado) é enviada. A ambulância conta com enfermeiro, médico e motorista.

Nas situações consideradas de menor gravidade, é deslocada a USB (unidade de suporte básico), que conta com técnico de enfermagem e motorista. O serviço de atendimento do município tem duas USBs, e uma USA em operação.

Conforme a coordenadora adiantou a O Progresso, Tatuí foi contemplada com mais três veículos para auxiliar no atendimento. “Com isso, será possível montar mais uma equipe de suporte básico e outra de avançado, enquanto outro veículo substituirá uma USB que está em operação”, informou.

O serviço está aguardando apenas a entrega das viaturas pelo Ministério da Saúde. Com a chegada das novas ambulâncias, Tatuí ficará com quatro viaturas para atender à demanda.

Segundo Cássia, é o próprio médico regulador o responsável por despachar as viaturas. No primeiro atendimento, o solicitante tem de responder a uma série de perguntas ao atendente.

As respostas são importantes para que o plantonista possa avaliar qual o melhor recurso, e se será necessário o despacho da unidade básica ou avançada.

“Às vezes, as pessoas até ficam bravas, as perguntas são um pouco incômodas, mas elas são extremamente necessárias para que possamos mandar o recurso correto para o local e ter um melhor atendimento”, ressaltou Cássia.

O atendimento tem de ser realizado o mais rapidamente possível. Os profissionais da central têm três minutos para realizar a operação entre coletar os dados, conversar com o médico e despachar a viatura. A partir daí, entra o trabalho do Samu no local.

O tempo de resposta médio registrado na cidade nos últimos meses é de sete minutos para os bairros mais próximos do centro e 12 minutos para a área rural. Segundo Cássia, o número está dentro dos parâmetros do Ministério da Saúde e do convênio regional assinado pelo Samu.

Os bairros com maior demanda são o centro, o Jardim Rosa Garcia, o Jardim Santa Rita de Cássia e o Jardim Gonzaga. Ela afirma que os bairros que têm mais ocorrências, na verdade, são os mais populosos.

“Hoje, o bairro que mais tem número de ocorrências é o ‘Santa Rita’, mas, levando em consideração que tem 17 mil moradores, nós aceitamos como normal”, comentou.

No semestre, 60,7% das solicitações foram originadas por familiares (2.927), transeuntes (780), amigos dos pacientes (476), profissionais de saúde (419), Corpo de Bombeiros (148), Polícia Militar (58) e Guarda Civil Municipal (42). Os outros quase 40% têm origens diversas.

Os chamados são mais concentrados nos horários de pico, como os da manhã, entre 6h30 e 9h, do almoço, das 11h30 às 13h, e do final de tarde, a partir das 16h30 até às 19h. Nos finais de semana, os períodos com maior demanda são nas noites de sexta-feira e sábado e nos finais de tarde de domingo.

“Em dia de semana, o número de atendimentos é maior nestes horários por coincidir com entrada e saída das crianças da escola, saída e retorno do trabalho e depois do horário do almoço. Nos finais de semana, as chamadas aumentam no período da noite”, explicou.

Período de férias

A demanda de chamadas também varia conforme os meses do ano. No Carnaval, por exemplo, é comum a ocorrência de intoxicação por álcool; no meio do ano, tem aumento nos casos relacionados à saúde pulmonar e também o período das férias escolares, em que se tornam frequentes os acidentes envolvendo crianças.

Segundo Cássia, nesta época do ano, é comum o aumento no índice de ocorrências de acidentes domésticos. “Com as crianças em casa, aumentam os casos de queda, choque elétrico, intoxicação por ingestão de produto de limpeza, atropelamentos, acidentes com cerol de pipa e afogamentos em piscinas e lagos”, destacou.

Para evitar estes tipos de acidente, a coordenadora alerta ser necessária mais atenção dos pais e responsáveis. “A prevenção tem que partir dos pais. As crianças não têm noção do perigo, tem coisas que ela faz por pura inocência e, infelizmente, às vezes, tem desfecho trágico”, avaliou.

Conforme a coordenadora, os casos de trote também aumentam nas férias, porque as crianças ficam “ociosas” e acham que é “engraçado” ligar na emergência.

“O mais importante é os pais conversarem com os filhos e conscientizá-los sobre o uso do telefone de emergência e o quanto isso pode influenciar na vida das pessoas que precisam de ajuda”, concluiu.

Publicidade