Sabesp estima que perdeu 5,7 mi de litros de água com “gatos” na rede

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Desde maio de 2017, foram registrados 52 boletins de ocorrência de fraudes em redes de água
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A Sabesp (Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo) estima ter perdido um volume de 5,7 milhões de litros de água com a utilização ilegal dos chamados “gatos” em hidrômetros, no período de um ano, em Tatuí.

A fraude no consumo é, na maior parte das vezes, feita pelo próprio consumidor, com objetivo de burlar o registro oficial que gera a conta de água. Em resumo, a fraude se limita em dificultar o funcionamento de uma espécie de “relógio” na cúpula interna do hidrômetro, que gira com a passagem da água e afere o volume consumido.

Utilizando arames, elásticos, ou até mesmo violando o lacre do relógio, o fraudador faz com que o sistema registre menos que o consumo real, resultando em conta de menor valor durante a leitura.

De acordo com a assessoria de comunicação da empresa, desde maio de 2017, foram registrados 52 boletins de ocorrência de fraudes em redes de abastecimento de água no município.

A estimativa é de que o volume furtado seja de 5,7 milhões de litros, quantidade suficiente para abastecer, aproximadamente, 51 mil pessoas por um dia.

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No ano passado, somente nos três primeiros meses, foram contabilizados 53 casos de furtos de água na cidade. O número representa 75% dos 70 casos ocorridos no ano todo de 2016, quando a empresa somou perdas de mais de 3 milhões de litros de água.

A Sabesp realiza periodicamente ações conjuntas com a Polícia Civil em busca de fraudadores, que desviam a água tratada e não pagam pelo que consomem.

Até maio do ano passado, a cobrança dos valores devidos era feita através de medida administrativa, mas, desde então a empresa passou a registrar o boletim de ocorrência por furto e notificar os fraudadores.

A cada dia, são detectados novos “métodos”, cujo objetivo principal é reduzir – pelo menos nos registros do cavalete – o volume da água consumida e, com isso, diminuir o valor da conta no final do mês.

Em nota enviada a O Progresso, a Sabesp declara que, em casos de irregularidade, os proprietários ou representantes dos imóveis são convocados para prestar esclarecimentos para a polícia, com a respectiva abertura de inquérito para investigar os responsáveis.

O furto de água é crime tipificado no artigo 155 do Código Penal, que prevê de um a quatro anos de reclusão, pena que sobe para até oito anos de cadeia caso haja qualificação – como quando há participação de duas ou mais pessoas ou destruição de equipamentos.

“As fraudes prejudicam toda a população. Quem comete o crime de furto de água não se preocupa com o desperdício, pois acredita que não vai pagar pelo alto consumo. É comum entre fraudadores deixar torneiras abertas e não consertar vazamentos”, consta a nota da Sabesp.

Para identificar esse tipo de crime, a empresa trabalha com equipes de “caça-fraude”, que acompanham o consumo e vistoriam os imóveis. Além disso, conta com a colaboração da própria população, que pode relatar casos suspeitos pela Central de Atendimento (195) ou pelo Disque-Denúncia (181). A chamada é gratuita e não exige a identificação de quem telefona.

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