Reformulada, renasce a Amart com novos objetivos artí­sticos

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David Bonis

Alunos da Fatec observam exposição disponível nos corredores da instituição

 

A história política do Brasil é dividida em períodos. Entre 1889 e 1930, por exemplo, o país viveu um momento em que os historiadores condicionaram a chamar de “A Primeira República”. O surgimento desse processo é justamente o que a mais nova exposição da Amart (Associação dos Artistas Plásticos de Tatuí e Região) propõe-se a discutir.

Trata-se da mostra “O Nascimento da República Através dos Azulejos”, que a associação recebeu, por meio de doação do Museu “Paulo Setúbal”, e a elegeu para ser a primeira mostra que marcará o retorno da Amart, sob o comando da nova diretoria, com “novas ideias e nova sede informal”. A mostra permanece no local até o dia 3 de outubro.

Atualmente, a exposição está na Fatec (Faculdade de Tecnologia) “Professor Wilson Roberto Ribeiro de Camargo”, localizada na rodovia Mário Batista Mori, 971, no Jardim Aeroporto.

Por isso, os alunos da unidade são, atualmente, os principais beneficiados. Já para quem não está matriculado na instituição a dificuldade para visitar a exposição é maior. Esse é, inclusive, um problema que os novos representantes da Amart procuram resolver.

A localização da mostra, na Fatec, é justamente onde funciona informalmente a sede da associação, que antes ficava na região central, à rua Professor Francisco Pereira de Almeida, 303.

Mas, devido aos custos para manter a sede própria, a nova diretoria decidiu aproveitar a estrutura da Fatec para fazer reuniões e, também, expor sua arte. Mas, tudo ainda de maneira informal.

A Faculdade de Tecnologia foi escolhida, sobretudo, porque as principais pessoas à frente da nova Amart lecionam na Fatec, como o novo presidente da associação, professor Luis Antonio Galhego Fernandes, coordenador do curso de produção fonográfica da Fatec.

Além dele, outros membros do corpo docente da instituição fazem parte do novo grupo da Amart, como a professora Luana Soares Muzille e Davison Pinheiro Cardoso, ambos do curso de produção fonográfica.

“A Amart sempre viveu do trabalho dos associados até para angariar fundos. Fazíamos jantares, festas, mas foi sempre um sofrimento”, lembra Cardoso.

“E havia uma dúvida, no final do ano passado, sobre o que faríamos a partir daquele momento. Falei que a Fatec era uma grande saída para nós, porque conseguiríamos fazer um ‘link’ entre a vocação da Amart como proponente de projetos – e ela já tem uma credibilidade junto à Secretaria Municipal de Cultura – e a estrutura da Fatec, que tem auditórios, banheiros, tem os alunos, tem o público, ou seja, tem recurso material e humano”, completa Cardoso, explicando sobre a escolha da Fatec como ponto físico de partida para o ressurgimento da Amart.

“Nos reunimos para discutir essa transição para a Fatec. A diretoria ficou meio em dúvida em um primeiro momento, mas vimos que essa mudança seria realmente a grande solução. E, nessa mudança, alguns remanescentes da Amart antiga permaneceram”, finalizou.

Mas não foi apenas a mudança física que a nova diretoria – escolhida com ajuda dos alunos do curso de produção fonográfica – traz para a associação. Antes, a Amart focava seus projetos na produção e exposição de artes plásticas, mas isso vai mudar.

O objetivo da atual diretoria é incorporar novos tipos de produção artística aos trabalhos da associação. A música é a principal ferramenta. Tanto que há planos de se realizar, no início do ano que vem, um concurso de talentos, em parceria com o Conservatório de Tatuí.

“No segundo semestre do ano passado, nós começamos a discutir a possibilidade de migrar para essa questão musical. Isso não significa uma descontinuidade da Amart. Na verdade, estamos aumentando nosso leque de ações”, explica Fernandes.

A nova diretoria já pensa em realizar oficinas de arte aos associados, projeto que havia na antiga Amart. A dificuldade, neste caso, é angariar fundos para a realização desse e de outros projetos.

Neste momento, as ideias giram em torno de retomar a associação como o Ponto de Cultura, usar as legislações de incentivo à cultura, como a Lei Rouanet, que é federal, e o Proac (Programa de Ação Cultural), modelo de fomento da Secretaria de Estado da Cultura. Além de buscar ajuda junto ao Estado, a ideia é trazer recursos do setor privado da cidade.

Caso esses recursos realmente ocorram, o objetivo da nova diretoria é usar “toda” a cidade como palco de exposições. Ou seja, já para o ano que vem, a ideia é fazer exposições e outros eventos espalhados pelo município. Isso significa que a Fatec não será o único polo de exposição.

Segundo Galhego, para os dois semestres de 2015, já há dois grandes projetos. Tratam-se da “Semana de Artes” e do “Festival de Música”. Na primeira, haverá oficinas durante a semana, para que tudo aquilo que for criado nela seja exposto ao público durante o fim de semana seguinte.

“Queremos explorar a vocação turística e cultural de Tatuí, e fortalecer todas as entidades ligadas às artes. Temos projetos ligados à dança e ao teatro também”, completa Galhego.

Os projetos da Amart seguem, em sua maioria, em fase de discussão. Por enquanto, ainda há improviso, tanto que o espaço para guardar itens da associação é o almoxarifado da Fatec.

Outra exposição já tem data definida para acontecer. Entre os dias 29 de setembro e 24 de outubro, acontece uma mostra sobre paisagens rurais e urbanas pela Amart.