Proteína da Covid-19 se acopla aos astrócitos e prejudica a memória

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Dr. Fabiano de Abreu
Da MF Press Global

Estudo sobre a relação entre o vírus e problemas de memória foi o escolhido pelo neurocientista luso-brasileiro Prof. Dr. Fabiano de Abreu em evento internacional na Universidade de Coimbra

Nesta terça-feira, dia 30 de novembro, a Universidade de Coimbra, uma das mais tradicionais e respeitadas da Europa, recebeu diversos cientistas para divulgarem pesquisas sobre as células glia no “V Symposium Portuguese Glial Network”.

As células da glia são muito importantes para o sistema nervoso, são responsáveis por diversas funções do dia a dia. De acordo com o PhD, neurocientista, psicanalista e biólogo luso-brasileiro Dr. Fabiano de Abreu, apesar de pouco conhecidas, é necessário compreender a relevância dessas células.

“Quando se fala em sistema nervoso, é muito comum que as pessoas lembrem apenas dos neurônios, que estão diretamente relacionados com os impulsos nervosos. Porém, as chamadas ‘células da glia’ ou ‘neuróglia’, desempenham funções primordiais para a manutenção do nosso corpo”.

Os astrócitos fazem parte dessas células especiais.“Eles têm formato estrelado, característica conseguida graças aos seus prolongamentos. Também possuem uma maior diversidade de funções como a sustentação, controle da composição iônica e molecular do ambiente onde estão localizados os neurônios, transferência de substâncias para os neurônios, resposta a sinais químicos, dentre outras atividades”, detalha o neurocientista.

A pandemia de Covid-19 mudou a dinâmica do mundo. A doença é nova e os sintomas e consequências dela são atualizados a todo momento. A dificuldade de memorização é uma das sequelas mais relatadas por pacientes do novo vírus.

O Dr. Fabiano de Abreu defende que os astrócitos são profundamente afetados pelas proteínas da doença. “Em meu estudo, pude averiguar o quanto o coronavírus afeta de forma significativa os astrócitos. O reflexo disso é um dano na memória da pessoa após a contaminação pela doença”, afirma.

O neurocientista alerta ainda para a marca que esses prejuízos podem deixar na sociedade em geral. “É um assunto que chama a atenção, pois é mais uma sequela que esta doença pode deixar na humanidade. Como pode-se ver, é preciso mais do que nunca encontrar meios eficazes para controlar o vírus, pois, já não bastasse a sociedade estar ficando menos inteligente, por problemas culturais como o excesso de uso de redes sociais, ainda corre o risco de sofrer com problemas de memorização quando superar esta fase difícil no mundo inteiro”.

O “V Symposium Portuguese Glial Network” é um evento vinculado à Sociedade Portuguesa de Neurociências e à Federação Europeia de Neurociências, que após uma pausa de dois anos devido à pandemia, retornará para promover discussões importantes sobre ciência e estabelecer as bases para formação de novas colaborações em prol da humanidade.