Presidente do CBH avalia projeto de sanear Congonhal como viável

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A implantação de rede de coleta de esgoto no bairro Congonhal é considerada viável como projeto, na avaliação do presidente do CBH-SMT (Comitê da Bacia Hidrográfica dos rios Sorocaba e Médio Tietê), José Antonio Caldini Crespo. Ele disse não haver restrição para eventual pedido de financiamento dos trabalhos.

Em entrevista a O Progresso, Crespo sugeriu que o investimento fosse fatiado. O presidente – que também é prefeito de Sorocaba – argumentou que a Prefeitura, para ter sucesso no pleito de recursos junto ao Fehidro (Fundo Estadual de Recursos Hídricos), deve projetar o saneamento em módulos.

“O trabalho do comitê de bacia é, justamente, analisar. É ver se esse ou qualquer outro pedido se enquadra dentro das normas e, depois, priorizar. É preciso saber definir quais municípios serão atendidos em primeiro lugar”, argumentou.

No entendimento de Crespo, o projeto anunciado pela Prefeitura de Tatuí é perfeitamente viável. O presidente do CBH-SMT disse, porém, ser preciso respeitar critérios.

Ele acrescentou que a realização dependerá do volume de recursos disponibilizados pelo fundo no ano da apresentação do projeto. “Ele (o Fehidro) tem milhões, mas não o suficiente para atender a todos os municípios”, observou.

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Segundo o gestor do comitê, a probabilidade de o órgão negar o pedido de financiamento junto ao Fehidro é maior caso a proposta apresentada seja “cara demais”. Para evitar a negativa, Crespo recomendou que o plano seja dividido em partes e executado da mesma forma, mesmo que em vários anos.

“É uma possibilidade. Além disso, esse tipo de problema na área de esgoto ou de tratamento dos esgotos é, talvez, o ponto crítico da Sabesp (Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo)”, opinou.

Crespo acrescentou que a Sabesp é “uma ótima companhia”. Ele destacou que a empresa está presente em boa parte dos municípios paulistas, como concessionária encarregada de distribuição de água e coleta e tratamento de esgoto.

Entretanto, afirmou que a Sabesp tem como deficiência não atender à questão do esgoto por dar “naturalmente preferência ao abastecimento de água”. “Esgotos, para a Sabesp, ficam em segundo plano”, declarou.

Crespo afirmou que essa política se torna complexa para os municípios, uma vez que as questões ambientais são, no momento, uma das grandes preocupações deles. “O esgoto é quase tão importante quanto a água”, argumentou.

Pontual e corriqueira

Para Crespo, situações como a verificada em Tatuí com o bairro Congonhal – que carece de coleta e tratamento de esgoto – podem ser pontuais e corriqueiras dentro do universo do CBH. Ele explicou que, por agregar 34 municípios, o órgão possui realidades muito distintas e que variam em função da ocupação territorial.

De acordo com o presidente, cidades com uma zona rural maior tendem a ter dificuldades em atender às necessidades com relação à coleta e tratamento de esgotos. Nas que a zona urbana é maior, o quadro pode não ser o mesmo.

“Bairros afastados da mancha urbana precisariam ter uma tubulação ligando-os ao centro. E isso custa muito caro. Então, talvez, seja preciso ter mini ou microestações de tratamento de esgotos nos bairros que sejam mais distantes”, argumentou.

Conforme o presidente do comitê, as microestações exigem investimento menor. Outra vantagem é que elas podem ser interligadas umas às outras, possibilitando a construção de uma rede maior e mais complexa com o passar dos anos.

“Por isso que eu defendo o fatiamento, até porque, do contrário, ficaria muito caro para o próprio comitê e ele não conseguiria aprovar a proposta de uma vez”.

Apesar da sugestão, Crespo afirmou que um projeto da proporção como o que está sendo pleiteado pela Prefeitura não é simples. “Mesmo sendo complexo, é preciso dar o primeiro passo. Senão, nunca se sairá do lugar”, concluiu.

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