Obras do MIS devem começar neste mês

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Para o presidente do Comtur a criação do MIS permite a preservação da cultura do município (foto: Diléa Silva)
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Da reportagem

A revitalização e a reforma de toda a parte estrutural do prédio do antigo matadouro municipal, que abrigará o MIS (Museu da Imagem e do Som) de Tatuí, devem ser iniciadas ainda neste mês. A expectativa é que as obras, referentes à primeira etapa da criação do museu, possam ser concluídas no mês de agosto.

As afirmações foram dadas pelo secretário municipal do Esporte, Cultura, Turismo, Lazer e Juventude, Cassiano Sinisgalli, em 30 de abril, dois dias após a Câmara Municipal, em sessão extraordinária por videoconferência, ter aprovado o projeto de lei 12/20, que dispõe sobre a abertura de crédito adicional especial.

O documento encaminhado pelo Poder Executivo disponibiliza R$ 2.545.489,11, sendo R$ 373.874,11 para a reforma do prédio do MIS, além de R$ 1,91 milhão, a ser destinado ao recapeamento de 16 ruas, e R$ 261.615, para obra de ampliação da ESF “Roseli de Oliveira Camargo”, a USF do bairro Santa Rita de Cássia.

Na prática, os parlamentares autorizaram a prefeitura a receber recurso destinado pela Secretaria Estadual de Turismo e pelo Dadetur (Departamento de Apoio ao Desenvolvimento dos Municípios Turísticos), referente ao convênio 2019 reservado aos MITs (municípios de interesse turístico).

De acordo com Sinisgalli, após a aprovação do Poder Legislativo, a prefeitura abrirá licitação e, depois, convocará um pregão presencial. Posteriormente, a empresa vencedora inicia as obras.

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O secretário municipal ressaltou que a verba, conquistada através do título de MIT, é exclusiva ao turismo, “não podendo ser utilizada para outras necessidades”. Sinisgalli ainda informou que, neste momento, o montante referente ao pleito de 2020 está contingenciado pelo governo estadual.

Para o presidente do Comtur (Conselho Municipal de Turismo), César Augusto Araújo, a criação do MIS permite a preservação da cultura do município. Segundo ele, “o novo espaço será de suma importância para reforçar a representatividade de Tatuí como a Capital da Música”.

Araújo acredita que o local se tornará atrativo turístico. “O MIS, além de resgatar toda a importância cultural de Tatuí, pode atrair cada vez mais visitantes ao município e, consequentemente, gerar mais renda”, declarou o presidente do conselho.

Ainda conforme Araújo, um dos principais objetivos do Comtur é possibilitar que Tatuí seja elevada de MIT a estância turística. Para ele, a criação do MIS permite que o município se aproxime desse título.

A proposta de investir o recurso de R$ 373.874,11 na revitalização e ampliação do antigo prédio do matadouro, situado na avenida Domingos Bassi, esquina com a avenida João Batista Correia Campos, já havia sido apresentada e aprovada pelo Comtur em reunião no dia 28 de agosto do ano passado.

Para isso, o Departamento Municipal de Turismo apresentou um pré-projeto desenvolvido pela arquiteta da Arquiprom, Silvia Landa. A proposta inicial foi aprovada por todos os conselheiros presentes.

O pré-projeto também foi analisado pela Comissão de Patrimônio Histórico e pelo Condephaat (Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico) e, depois de ser aceito, acabou sendo levado ao COC (Conselho de Orientação e Controle).

O conselho, do Fundo de Melhoria dos Municípios, aprovou recurso para as futuras instalações do MIS, no dia 23 de setembro. Na ocasião, o COC ainda aprovou outros 56 pleitos de 34 cidades, referentes ao ano de 2019.

A aprovação foi anunciada pelo presidente da Amitur (Associação Brasileira dos Municípios de Interesse Cultural e Turístico), Jarbas Favoretto, durante o 2º Encontro Municipal de Turismo, promovido no dia seguinte, no Sítio do Carroção.

Na sequência, a documentação do projeto passou por análise técnica do Dadetur, em novembro, e a assinatura do convênio para liberação do recurso foi agendada pela Amitesp (Associação dos Municípios de Interesse Turístico do Estado de São Paulo) para o dia 18 de dezembro.

Acompanhada de Sinisgalli, a prefeita Maria José Vieira de Camargo assinou o acordo em cerimônia com o governador de São Paulo, João Doria, no Palácio dos Bandeirantes.

A assinatura aconteceu no mesmo dia da reinauguração da praça Martinho Guedes, a Praça da Santa, primeira obra tatuiana concluída com recursos do programa MIT.

O titular da pasta reforça que a liberação da verba de R$ 373 mil do programa MIT garante a reforma e a finalização de toda a parte estrutural do prédio que abrigará o MIS. “Toda a parte da infraestrutura a gente vai conseguir terminar com o recurso”, afirmou Sinisgalli.

Conforme o secretário, as ações referentes à instalação do novo equipamento incluem uma segunda etapa – que deve caminhar de forma paralela à revitalização do prédio. Nela, será preciso captar recursos para o processo de pesquisa, criação do acervo e execução do projeto da expografia do novo museu.

Conforme anunciado pelo secretário, a Arquiprom inseriu a proposta do equipamento no Sistema de Apoio às Leis de Incentivo à Cultura (Salic) e recebeu autorização do Ministério da Cidadania para a captação de recursos por meio da Lei de Incentivo à Cultura.

O secretário explicou que, com a aprovação, o projeto do MIS pode captar R$ 922.445,92 para pesquisa, expografia e execução do projeto de todo o acervo museológico, completando a etapa que falta para o dispositivo ser inaugurado.

A revitalização do prédio do primeiro matadouro municipal (datado de 1859) começou no final do outubro de 2017. Para a prefeita Maria José, além de fundamental do ponto de vista histórico, o restauro contribui para o reforço de uma das principais características de Tatuí.

“O trabalho é decorrente de uma obra que se iniciou por necessidade (a reconstrução da ponte do Jardim Junqueira), mas atende aos critérios do MIT”, lembrou.

Desde maio de 2017, Tatuí integra a lista de cidades paulistas reconhecidas como MIT, as quais começaram a receber recursos do governo de São Paulo para investimento em turismo. Mas, até então, a obra do MIS estava sendo realizada com recursos próprios.

Maria José apontou que o recurso do Dadetur permitirá ao município agregar novo dispositivo de atração de visitantes, cumprindo meta de permanência entre os MIT, submetidos a reclassificação periódica.

A prefeitura quer viabilizar, no novo espaço, apresentações musicais, exposições permanentes e itinerantes, entre outras ações. Para a prefeita, a obra marca a entrega de um novo ponto turístico. Também permite aos tatuianos e visitantes conhecerem um pouco mais da história da cidade.

De acordo com a arquiteta Veridiana Petinelli (responsável pelo projeto de restauração), o intuito da ação junto ao futuro MIS é diagnosticar as patologias encontradas em vários pontos do edifício e corrigi-las com técnicas construtivas e materiais utilizados no passado.

“Fizemos um trabalho de garimpo por todo o prédio, e pode-se dizer que executamos um trabalho parecido com o de um arqueólogo”, afirmou Veridiana.

Ela explica que, para iniciar a restauração, a equipe responsável pelo projeto precisou levantar quais tijolos foram utilizados na construção, desenterrar peças escondidas e limpar os tijolos da fachada principal.

“Com isso, descobrimos quais eram os tamanhos das aberturas originais, e, desta forma, estamos procurando deixar o prédio o mais próximo possível do que foi no passado”, explicou a profissional.

Para a arquiteta, “restaurar é um trabalho que garante a permanência dos sistemas construtivos e da história para gerações futuras”.

“Com este trabalho, estamos colaborando com a sociedade de várias formas, como cultural, turística, intelectual e outros. Por isso, temos que valorizar cada vez mais o pouco que nos resta e fomentar políticas públicas para incentivar, de maneira efetiva, a preservação do nosso patrimônio histórico”, comentou.

A arquiteta reforçou que, apesar de muitas partes do prédio terem sido alteradas ao longo do tempo, algumas “relíquias” foram encontradas durante os trabalhos iniciais.

A equipe responsável pelo restauro descobriu portas de folha de madeira fixa, uma série de ganchos (chumbados na parede), usados para pendurar peças de carnes bovinas, e tijolos com características e dimensões únicas, datados do século 18.

“Neste trabalho especificamente, confesso que tivemos sorte: encontramos uma porta original e duas janelas, porém, em péssimo estado de conservação, pela ação do tempo. Elas serviram de modelo para a construção de réplicas que serão instaladas no museu”, contou.

Além da restauração interna, o projeto inclui paisagismo e iluminação na área frontal, construção de banheiros e adaptação na área externa para atender ao público.

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