
Da reportagem
Na sexta-feira da semana passada, 29 de maio, o Núcleo de Apoio ao Câncer de Tatuí “Claudio Alves Lima” celebrou três anos de atividade. Na ocasião, entre outros dados, foi informado que, durante esse período, o órgão já registrou em torno de 26 mil atendimentos.
Na cerimônia, estiveram a primeira-dama e presidente do Fundo Social de Solidariedade de Tatuí (Fusstat), Regiane de Oliveira Rosa Cardoso; o vice-prefeito Antônio Marcos de Abreu; o presidente da Câmara Municipal, Renan Cortez; o secretário da Saúde, Nicolau Rodrigues dos Santos Neto Júnior; e a diretora do núcleo, Michele Ramos.
Desde a criação, o núcleo já acolheu 1.215 pacientes, dos quais 741 permanecem em acompanhamento ativo e 224 receberam alta após a conclusão do tratamento.
Atualmente, os pacientes realizam tratamento em oito centros especializados, com destaque para o Hospital Amaral Carvalho, em Jaú (SP), uma das principais referências em oncologia do estado de São Paulo.
A unidade foi inaugurada em abril de 2023 pela prefeitura municipal, por meio da Secretaria de Saúde. O principal objetivo é dar apoio ao paciente que passa pelo tratamento oncológico em um hospital de referência. Para os que não ficam viajando entre uma quimioterapia e outra, eles têm um lugar de apoio, que é o núcleo de Tatuí.
Entre as ações desenvolvidas pela equipe, estão a elaboração de cartilhas educativas e guias explicativos voltados às áreas de nutrição, psicologia e odontologia oncológica, produzidos para orientar os pacientes “de forma clara e acessível” durante todas as etapas do tratamento.
Outro avanço apontado como importante foi a implantação da Carteirinha Oncológica Municipal, ferramenta que reúne informações sobre os direitos dos pacientes e contribui para garantir prioridade em atendimentos de saúde, instituições bancárias e estabelecimentos conveniados.
O Banco de Perucas também se tornou uma das iniciativas mais reconhecidas da unidade, conforme lembrado no evento. Organizado por meio de doações da comunidade, o espaço foi estruturado para proporcionar mais conforto às pacientes.
As perucas são catalogadas e fotografadas, permitindo, inclusive, a visualização prévia pelo celular, facilitando a escolha e oferecendo mais comodidade em um momento delicado do tratamento.
Outro diferencial é o trabalho desenvolvido em parceria com o Fusstat. Por meio de um grupo de voluntárias – muitas delas mulheres que já enfrentaram o câncer e hoje estão em remissão -, são confeccionados turbantes, lenços, próteses mamárias externas, almofadas pós-cirúrgicas e outros itens que auxiliam na recuperação e na autoestima das pacientes.
“Os encontros também se transformam em espaços de convivência, troca de experiências, apoio mútuo e fortalecimento emocional”, argumenta a assessoria de comunicação da prefeitura.
Ainda, grande parte da equipe técnica do núcleo, incluindo enfermeira, farmacêutico, dentista e assistente social, participa de cursos de pós-graduação em oncologia, “ampliando conhecimentos e fortalecendo ainda mais a qualidade do atendimento oferecido à população”, argumenta a comunicação.
Antes da criação da unidade, os pacientes precisavam buscar apoio psicológico, nutricional, social, transporte e fornecimento de medicamentos em diferentes setores do município, além da dificuldade para serem atendidos pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
A ideia da gestão municipal foi justamente facilitar a vida do paciente, unindo todos esses serviços em um único lugar. Através do diagnóstico, o paciente é direcionado para o atendimento necessário e recebe o acolhimento.
“Essa casa é uma referência para a região. A Casa de Apoio facilita a vida desses pacientes, e foi justamente isso que foi pensado com o prefeito Miguel Lopes (Cardoso Júnior): um tratamento humanizado, de acolhimento, que auxilia as pessoas em tratamento”, declarou o vice-prefeito.
Para a diretora da instituição, Michele, existe toda a estrutura necessária para os pacientes. Tudo para evitar a locomoção desnecessária, já que a pessoa atendida está em um momento vulnerável e, em muitos casos, não tem condições ou não está apta a sair constantemente de casa.
“O núcleo está disposto a ajudar, para amenizar os sintomas. É uma enfermidade que não atinge apenas o paciente, mas também a família. Por isso, foi pensada toda essa estrutura, tanto para o paciente quanto para a família”, acentuou Michele.
A primeira-dama Regiane disse que o Núcleo de Apoio ao Tratamento do Câncer precisa ser visto com atenção. “O núcleo é a nossa menina dos olhos. A gente procura ter todo o cuidado necessário com esse público. É um público sensível, que precisa de acolhimento, amor, de uma palavra e de apoio psicológico”, defendeu a gestora.
Em muitos casos, devido ao tratamento, o paciente vai ter a necessidade de interromper a rotina, como parar de trabalhar. Com isso, assistência social do núcleo de apoio instrui o que o paciente deve fazer durante o atendimento, como benefícios, FGTS e outros fins que venham garantir o conforto do usuário.
Tratamento a laser
Durante o tratamento oncológico, o paciente acaba desenvolvendo feridas, que são tratadas com um aparelho laser, o qual atua diretamente nas lesões, diminuindo o tamanho delas e amenizando a dor dos pacientes.
Segundo Michele, o apoio nutricional é fundamental durante o tratamento, porque, se o paciente desenvolver muitas dessas feridas, pode deixar de se alimentar e, consequentemente, ter a imunidade baixa. Além disso, o núcleo possui uma farmácia, onde é possível retirar medicamentos para aliviar a dor.
A paciente Magda Machado teve a primeira gravidez em 2021 e, com um mês e meio, perdeu o bebê. Após certo tempo, engravidou novamente, de “Milena”.
Foi uma gravidez saudável, porém, ao longo da gestação, ela sentia dores constantes no seio. “Em todas as consultas, a obstetra falava que não havia nada, era apenas uma glândula inflamada”, conta ela.
Porém, as dores aumentaram com a amamentação. Magda, então, solicitou encaminhamento para o mastologista (especialista em mama) e, já no exame de toque, ele notou algo. Solicitou uma biópsia e o resultado deu positivo para o câncer de mama, que já havia se estendido para a axila.
Magda ouviu falar pela primeira vez do núcleo quando estava na primeira quimioterapia. A princípio, o que a mãe de Milena precisou foi do tratamento da mucosite, a laser.
Segundo a paciente, no primeiro dia em que esteve no núcleo, foi recebida com carinho. “Não me trataram com indiferença. Todos foram muito hospitaleiros”, destacou Magda.
Para a paciente, o núcleo é ideal para todos que necessitam da estrutura no momento do tratamento, “ainda mais pelo fato de ser gratuito”. A paciente menciona que, por estar tendo uma ótima experiência, deseja que outras pessoas que ainda não conhecem o núcleo saibam da existência da unidade para terem acesso ao apoio necessário.
Ao final, deixou uma mensagem: “Não tenha medo. Busque tratamento para amenizar os efeitos colaterais, ore e aproveite cada momento em família”.
Para mais informações, o Núcleo de Apoio ao Tratamento do Câncer está localizado na rua Martiniano Azevedo, 25, no centro. O funcionamento é de segunda-feira a sexta-feira, das 7h às 17h. Informações também podem ser obtidas pelo telefone (15) 3199-5493.






