Talvez o ódio não seja decisivo nas eleições

381
Publicidade

A ideia de se posicionar “contra tudo isso que está aí”, há dois anos, acabou sendo determinante ao sucesso eleitoral não apenas do presidente Jair Bolsonaro, mas de toda uma plêiade de então candidatos que souberam tirar melhor proveito do ódio em ebulição entre os eleitores.

Ódio à crise econômica, que extinguiu as poucas conquistas materiais de grande parte da população; ódio à corrupção, que dilapida os recursos públicos, e, assim, também empobrece ainda mais a nação.

Ainda, um ódio artificial a inimigos imaginários, particularmente a uma alucinante conspiração “esquerdista” global, pronta a dominar o mundo por meio da educação, da cultura, das ONGs, do meio ambiente e, até – incrível! –, dos direitos humanos…

Daí, muito provavelmente, toda a aversão ainda resistente a essas áreas – o que permite, inclusive, o Pantanal queimar sem maiores protestos da população.

Para completar a receita de desagregação – senão de degradação – a envenenar não só a sociedade em geral, mas a própria democracia, conseguiu-se o impressionante mérito de se convencer grande parte da nação de que a imaginária conspiração tinha por objetivo maior “destruir as famílias”.

Publicidade

Em que pese o fato de todo ser humano ter “família” – independentemente de sua religião, raça, preferências ideológicas e sexuais -, o desejo de punir o PT (maior responsável pela crise econômica) junto à crença equivocada de se estar defendendo os interesses maiores da nação e da família “tradicional” acabaram por unir boa parte das denominações de fé e das Forças Armadas em favor de um projeto político baseado no ódio.

Interessante – no mau sentido – é o fato de todo esse movimento ocorrer em nome “do bem”, como se fosse algo verdadeiramente “bom” – ou “cristão” – pouco se importar com a homofobia, com o racismo, com a misoginia, com o xenofobismo e, entre outros “ismos”, por fim, com a morte antecipada de dezenas de milhares por um vírus inesperado – senão incentivar tudo isso com gritante e oportunística omissão.

Mas, a política é pragmática e, assim, costuma atentar muito mais para as tendências do momento que pelo tal “bem comum”. Não que ela seja necessariamente “do mal” (até por ser isto ilusão de imberbes inocentes), apenas que, pela vitória, vale (quase) tudo.

Neste contexto, as tais fake news se tornaram os maiores instrumentos de trabalho da então política bem-sucedida, habilmente disseminadas pelas redes sociais. E o ódio, então, atingiu o ápice e parece ter colhido suas maiores maçãs envenenadas.

Pelo menos, isto a se considerar recente pesquisa da Ipsos, pela qual um antídoto contra o ódio vislumbra-se para o futuro próximo – talvez…

A Ipsos é uma empresa de pesquisa de mercado independente, presente em 90 países. A companhia, que tem globalmente mais de 5.000 clientes e 18.130 funcionários, apura dados e análises sobre pessoas, mercados, marcas e sociedades.

Maior empresa de pesquisa eleitoral do mundo, ainda atua nas áreas de marketing, comunicação, mídia, “customer experience”, engajamento de colaboradores e opinião pública.

“A Ipsos avalia o potencial do mercado e interpreta as tendências. Desenvolve e constrói marcas, além de testar publicidade e medir a opinião pública ao redor do mundo”, segundo divulga.

A Ipsos realizou a recente pesquisa para o Fórum Econômico Mundial, a qual apontou o desejo de mudança dos brasileiros – e da sociedade como um todo – para “um mundo mais sustentável e equitativo e uma vida pessoal diferente” no período pós-Covid-19.

A cada dez pessoas no Brasil, praticamente nove anseiam por uma mudança em larga escala. Assim responderam positivamente 89% dos entrevistados brasileiros frente à frase: “Eu quero que o mundo mude significativamente e se torne mais sustentável e justo, em vez de voltar a ser como era antes da crise de Covid-19”.

O estudo foi conduzido com 21 mil pessoas, a partir de 28 países. Globalmente, 86% querem um mundo diferente ao fim da crise sanitária.

As nações cujos participantes mais desejam mudança são, majoritariamente, latinas: Colômbia (94%), Rússia (94%), Peru (93%), Chile (93%) e México (93%).

Por outro lado, Coreia do Sul (73%), Alemanha (78%), Holanda (79%), Estados Unidos (79%) e Japão (82%) são os que menos concordam com a afirmação, embora os índices também sejam altos.

“Em consonância com o desejo de um novo mundo, mais justo e sustentável, está a vontade dos brasileiros em traçar novos caminhos na vida pessoal”, conforme declarado pela Ipsos.

Segundo dados do levantamento, 83% querem que suas vidas mudem “significativamente”, em vez de voltarem a ser como eram antes da pandemia. Na média global, 72% compartilham desse desejo.

Os entrevistados que mais querem alterações significativas são: mexicanos (89%), colombianos (88%), sul-africanos (86%), peruanos (86%) e sauditas (86%).

Já na Holanda (51%), Alemanha (51%), Coreia do Sul (56%), Japão (57%) e Suécia (57%), pouco mais da metade dos ouvidos gostariam de mudanças de vida ao fim da crise.

A pesquisa foi realizada com 21 mil adultos de 28 países, sendo mil representantes brasileiros, entre os dias 21 de agosto e 4 de setembro. A margem de erro é de 3,5 pontos percentuais.

Diante dos números, fica um alerta aos novos cruzados da política, que já conquistaram grandes territórios na base da estratégia de terra arrasada pelo ódio – de que o horizonte pode estar mudando –, tal como uma esperança a quem, realmente, busca viver mais comprometido com a paz, a justiça e o bem-estar. Em um mundo, afinal, mais familiar!

Publicidade

1 COMENTÁRIO

  1. Chega a ser duvidoso o que lemos num site como este, de alguém que diz ser jornalista, mas não defende um colega jornalista que, por ser aliado ao Bolsonaro, é tratado como se fosse apenasum bloqueiro. E não teria problema se fosse, mas ele é sim formado em jornalismo, entã, mais repeito! Mas o pior nem é isso! Os comunistas afirmam, erroneamente, que os bolsonaristas odeiam. É só o que eles sabem fazer, falar em ódio, acusando-nos como se fosse verdade, mas eles sabem que não é: o que cansamos de fazer é ficar calados, inertes, enquanto o pessoal da esquerda, que não têm religião e nem conhecem Deus, acham que nos acusar de ódio resolve tudo. Estão tão tomados pelo ódio, que acham que os outros é que odeiam… Fingiram não ver que o ex-presidiário (e futuro, logo logo) e sua cúmplice perseguiam igrejas, cobravam propinas, proibiam notícias deles na tv e ameaçavam pastores o tempo todo. Principalmente em igrejas onde os milagres são frequentes. Se um(a) carinha morre e alguém que, pela fé foi curado, atribuem a cura a esse(a) carinha porque o curado falou com ele e pediu, em oração, por sua cura e Deus, pela misericórdia dEle o curou. Mas preferem atribuir o milagre a uma criatura e não ao Criador… e o endeusam e fazem estátua pra ele(a) e penduram junto a tantos outros ídolos por aí. Muito triste. Jesus sai de seu trono, ao lado do Pai, pra encarnar, vir ao mundo como uma oferta perfeita ao Pai, para nos reconciliar com Ele, é ofendido, agredido, humilhado, julgado como bandido (quem aí viu uma semelhança aqui com o stf?) morto injustamente, em meio a bandidos como se fosse um deles e a grande prostituta aclama a mãe dele como sendo mãe de Deus. Jesus paga o alto preço e os ignorantes idolatram a mãe dele (os que tem religião, porque muitos nem tem). Pregam Jesus numa cruz, subornam guardas para afirmar que o corpo dele foi roubado da sepultura e prometem a esses guardas que eles não enfrentarão julgamento por mentir em juízo (alguém aí nota algumas semelhança com o congresso?) e os judeus continuam esperando Jesus até hoje, sem saber que o mataram já há dois milênios… E nos acusam de ódio, como se fossem os donos da verdade… Talvez sejam, mesmo, pelo menos do ponto de vista deles, porque as agências checadoras de fatos, que classificam o que querem como verdade ou mentira, afirmam, sem medo de errar, que tudo o que eles não entendem é mentira, só porque eles não sabem/não querem enxergar. Mas uma das principais diferenças entre ciência e Fé é que na ciência você tem que ver pra acreditar. Ver pra acreditar. Se não vê não acredita. *como se os olhos humanos não pudessem ser facilmente enganados (vide mágicos/ilusionistas que ganham dinheiro enganando os outros bem diante de seus olhos* Já na Fé, você tem que acreditar para ver! E isto exige desejo, esforço, dedicação, amor. Difícil, sim, impossível, não. A Fé é de graça e qualquer um pode ter, desde o mais culto até os que nunca aprenderam a ler, seja por falta de oportunidade, seja por pura preguiça e falta de interesse (né, lulinha?). A Fé está ao alcance de todos. Mas, nem todos querem compromisso com ela. É muito mais fácil falar que quem tem Fé odeia os outros, como se o muito repetir de uma mentira a tornasse verdade… Fato é, que quem lançou com mais afinco a afirmação de que é nós contra eles foi o ex-presidiário, em busca de eleição. Ou vão tentar negar isso também? A estória de “lulinha paz e amor” era apenas mais uma falácia de alguém que, dizem em São Bernardo e no ABC, cortou propositalmente o dedinho para poder se aposentar, porque não era muito chegado a trabalho. E ainda não é! Agora, parem com essa história de ódio, porque o que os políticos mais querem é que nos dividamos entre esq/direita pra que eles continuem nos roubando e amedrontando e dominando e prendendo em casa, enquanto eles viram o nosso País de pernas pro ar… Acusam tanto o Bolsonaro de ditadura, mas quem tem desrespeitado direitos dos cidadãos não está no Executivo. Quem processa, prende, julga, condena e tudo isso com base em desrespeito a leis, não é do Executivo.Quem faz leis que soltam bandidos e corruptos não está no Executivo. Quem se vale da supervalorização do vírus chinês para soltar corruptos que estavam na cadeia por corrupção, não são do Executivo. O Bolsonaro reclama a da imprensa, é verdade (não sem razão). Mas, quem multa jornalista que queira fazer mais de uma pergunta ou perguntar algo que não quer responder, esse é do Executivo, mas do Executivo Estadual (alguém aí lembrou do Dória?). Cristão que é cristão, não odeia. Se odeia, então não está liberto. Se não está liberto, não é cristão, é mero frequentador de igreja, o que também existe de sobra. Mas a oração do Pai nosso deixa muito claro a importância do perdão, ao ensinar que devemos pedir ao Pai: perdoa as minhas ofensas assim como eu perdôo a quem nos tem ofendido. Sim, isso mesmo: essa oração diz que Deus não precisa me perdoar se eu não sei ou não quero perdoar. Então, por favor, vamos votar não pelo ódio, mas pelo bem da cidade, né? E em nome de Jesus!

DEIXE UMA RESPOSTA

entre com sua mensagem
entre com seu nome