Ovelhas Coloridas ‘arrebanha’ mais de 350 pessoas em folia de Carnaval

Grupo de amigos cria bloco alternativo para curtir a programação tatuiana

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Primeira folia do bloco contou com programação intensa (foto: Dan Golfinho)
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Com o objetivo de dar voz às minorias e mostrar que a diversidade existe e deve ser respeitada, nasceu, neste Carnaval, o Rebanho das Ovelhas Coloridas. O bloco reuniu centenas de pessoas na praça Ayrton Senna da Silva, na tarde de sábado, 2.

De acordo com o músico e compositor Marcelo Gasparini (Tchello), a estimativa é de que mais de 350 pessoas compareceram no primeiro Carnaval do “Rebanho”. Ele é um dos idealizadores do bloco.

Inicialmente, haveria um evento itinerante, pelas ruas da cidade. A atração faria parte da programação do “Tatuí Folia – Samba e Alegria”. Contudo, o desfile foi cancelado por conta das chuvas.

Gasparini salientou que a apresentação na praça pode ser mantida devido à estrutura do local, que conta com área coberta. “Fazer uma festa na praça foi algo lindo, o plano B que acabou virando plano A”, ressaltou.

A prefeitura, por meio da Secretaria de Esporte, Cultura, Turismo, Lazer e Juventude, autorizou o uso da praça e deu apoio necessário para a realização da folia que “arrebanhou” crianças, idosos, heterossexuais, homossexuais, transgêneros, religiosos, ateus, partidários e apartidários em uma só festa.

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“Não tivemos nenhuma ocorrência negativa. Quando terminamos a festa, no chão da praça só havia confetes e serpentinas. Todos ajudaram a limpar o lixo e a juntar os copos e latas. Foi o Carnaval mais bonito que já vivi”, salientou.

(foto: Dan Golfinho)

Conforme o músico, a intenção é manter o bloco e aumentar a participação no próximo ano. A ideia é realizar um trajeto pelas ruas da cidade e fazer uma festa na praça.

“Tivemos algumas conversas rápidas e estamos planejando uma reunião para começar a pensar desde já, para não ser tão corrido. Neste ano, em um mês e meio organizamos a festa”, ressaltou.

Gasparini conta que, em menos de dois meses, o grupo conseguiu patrocínios, compôs marchinhas próprias, ensaiou a banda e fez parcerias com comerciantes da cidade para aquecer o comércio.

“Foi bom para a gente, para quem pulou, para o vendedor de cerveja, para o barzinho da esquina, e toda a vizinhança, que estava pulando de camarote ali do lado. Enfim, a festa foi boa para todo mundo”, avaliou.

“Se fizemos essa festa linda em um mês, imagina o que podemos fazer com um ano de antecedência?”, indagou.

Segundo Gasparini, o Rebanho das Ovelhas Coloridas surgiu da junção de desejos individuais. Após procurar um amigo para sugerir uma ideia de marchinha para o Carnaval, ele soube que um grupo de pessoas estava pensando em algo parecido.

Além de Gasparini e da esposa dele, Thais Vaz, o grupo foi composto por coletivos como o Pé Vermeio, Elos LGBT Tatuí, Movimento Popular Práxis, Promotoras Legais Populares, Comunidade Resërva, Apae de Tatuí, Coletivo Vitamina, Fatec Tatuí, Justiça Restaurativa de Tatuí – Polo Irradiador e Cervejaria Kbrera Beer.

“Muitos de nós desejavam criar um bloco que tivesse voz própria e que se posicionasse, então fomos desenvolvendo a ideia. Queríamos um bloco que fosse para todos os tipos de famílias e conseguimos. Juntamos gerações em prol da diversidade”, disse.

“Numa cidade cada vez mais cinza, o Rebanho das Ovelhas Coloridas foi um arco-íris. E não vemos a hora de aparecer de novo”, concluiu.

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