O ET de Tatuí

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Quero contar, desta vez, uns causos além da imaginação, mas quem passou pela experiência jura que é verdade. Tudo ocorreu há muitos anos.

Tal qual o ET de Varginha, bucólica cidade mineira, o nosso ET também tem seus defensores locais. Esse é um assunto que desperta interesse em todo o mundo, mas aqui, na Cidade Ternura, Capital da Música, Terra do Doce Caseiro, onde poeticamente traz em parte de seu hino o texto: “… do verde das esmeraldas, as melancias; do amarelo ouro, o abacaxi…”, o evento foi assustador.

Tudo aconteceu, como já dissemos, há muitos anos, e essas naves voadoras foram avistadas a pouca distancia, exatamente nas imediações da antiga cadeia pública – atualmente, o eficiente Museu Histórico “Paulo Setúbal”.

Nesse tempo, um conhecido e simpático tatuiano, que uns chamavam de Zé Piquequê, outros de Zé do Bimbo Molitor (a), passou a falar pela cidade que vira um disco voador logo ali, no centro da cidade. Flutuando suave e silenciosamente, dando eventuais piscadelas, quase em cima do museu.  A coisa tomou tamanha repercussão que ele foi convidado a dar uma entrevista no programa “Cidade contra Cidade”, apresentado pelo peru que fala – Silvio Santos. Tatuí disputou com a cidade de Lorena, e levou a melhor com a ajuda do João, provando que o seu avistamento era mais convincente que a do cidadão de Lorena, que também havia, veridicamente, avistado uma nave sabe lá de onde.

Mas a coisa não termina por aí, outros casos de contatos extraterrestres continuaram a acontecer por aqui.

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Este outro fato ocorreu num campo de futebol, do Ferroviário, onde até hoje acontecem peladas. Mas o zumzum se iniciou no antigo Bar do Ruivo, localizado próximo à estação ferroviária (cujo dono se tornou, depois, um grande comerciante de bebidas).

No local, certo dia, dois irmãos tomavam umas talagadas e, ao serem informados que o estabelecimento iria encerrar o expediente, pois as horas avançavam noite adentro, pediram uma garrafa “arrebenta o chifre” para beber no caminho de volta à casa.

Os três – dois irmãos e a garrafa – saíram em direção ao campo de futebol, localizado ali pertinho, onde sentaram num velho banquinho e, entre um gole e outro, passaram a curtir o firmamento. Os irmãos Jarede e Pacheco eram bastante populares – o último teria sido até lutador de boxe. Sabe-se lá porque, o assunto entre os dois passou a ser sobre objetos voadores. Dizia um:

– Não sei por que você acha que tudo que se move no céu tem que ser de outro mundo. Disco voador não existe!

Respondia o outro:

– Existe! E é tripulado por homenzinhos verdes e zoiúdos…

E, pra cima, céu limpinho, surge, então, um pequeno ponto de luz que vai aumentando, e vai aumentando, e ficando grande, muito grande, e surge na frente deles uma enorme nave, parecida com aquela do “Perdidos no Espaço”, cegando os irmãos com sua luz intensa.

A coisa parece tentar estacionar no centro do campo. Tomados de espanto, tomaram mais um gole da boa, encheram-se de coragem e resolveram ajudar a coisa a descer.

Debaixo da nave, eles gritavam:

– Mais pra direita, um pouquinho pra trás, pare aí, agora pra esquerda, pisa no freio, pode parar!

O bichão estacionou, abriu uma porta que não tinha nem maçaneta e nem dobradiças, e dois seres estranhos desceram e caminharam até eles. Era um contato de terceiro grau.

Primeiramente, os dois se oferecem para tomar conta do disco. Os ETs recusaram numa linguagem que parecia uma mistura de alemão e argentino, mas mostraram interesse na garrafa da boa. Pacheco entrega o litro, e um deles dá uma cheirada e quase cai de costas. Harf! Resmunga, então, para o outro zoiúdo:

– Que água ruim esses terráqueos bebem! (parecia mais argentino que alemão).

Um dos verdinhos pergunta pro Jarede quantos habitantes existem na terra. Jarede responde:

– Num sei não, sei que são bastantinhos!

E o Pacheco:

– Pera aí… são.. são… são muitos… um mundão de gente! Mas se quiserem saber certinho, nós vamos até a casa do amigo “Toco”, que fica aqui ao lado. Ele tem leitura e pode nos informar.

Os dois visitantes concordaram e deixaram o Jarede tomando conta do baita discão que flutuava a dois metros do chão, meio desengonçado, bamboleando, motivo que o levou a ficar ao lado do coisão, temendo que, de uma hora pra outra, aquela coisa despencasse em sua cabeça.

Pacheco e os dois verdolengos passaram pela linha do trem e rumaram em direção à casa do Toco.

Chegando lá, batem palmas, Toco abre a porta, olha a cena, põe a mão no peito e senta-se pesadamente no degrau da casa. Abana aqui, abana ali e, aos poucos, o Toco se refaz do susto e começa, desconfiado, a responder algumas perguntas.

Um verdinho pergunta:

– Em quantos vocês são?

Toco pergunta pro Pacheco:

– São argentinos?

Pacheco:

– Responde, Toco, responde…

Toco:

– Somos três, eu, o Pacheco e o Jarede.

– No planeta todo? – pergunta o verdolengo.

– No planeta eu não sei. É gente igual a tiririca (não o palhaço, a grama) – resmunga Toco.

Nova pergunta é feita pelo cabeçudo:

– Do que vocês se alimentam?

Nessa época, nem todas as residências tinham energia elétrica, e era o caso do Toco, cuja casinha era iluminada por lampiões de querosene e, na cozinha, aquele fogãozinho à lenha.

Toco convida os visitantes a entrarem e os leva até a cozinha, onde, em cima do fogão de lenha, estava uma pequena panela com macarrão com feijão, ainda quentinho, tendo ao lado um bule de café fumegante e, ao fundo, um canecão cheio de água.

Num canto, uma mesa de duas pernas, o outro lado era fixado direto na parede; junto, alguns banquinhos. Foram convidados a sentar.

Foi perguntado, então, como seria o sistema de vida dos terráqueos.

Toco pensou, coçou o queixo, pensou mais um pouco e respondeu:

– Meus pais foram humildes, somos humildes e, provavelmente, meus filhos serão humildes. A fartura está nas mãos de alguns, que dominam tudo, a política, a indústria e as religiões etc. Eles, então, nos dão o suficiente para não morrermos de fome, trabalhamos em troca de pouco dinheiro, pouco lazer, pouca segurança, pouca saúde, pouca comida, e por aí vai… Dizem que temos o direito de ir e vir, mas não nos pagam o suficiente para ir e vir. Contraditório, não?

Um verdinho olha para o outro e comenta:

– Aqui tem vida, mas isso não é vida!

Trocaram mais algumas ideias, confessaram que aquela água que os terráqueos bebiam, cuja formula secreta é “51”, tem um gosto horripilante, e, entre acenos amigáveis, adentraram no discão, dão partida e zummmm!!! Rumaram em direção ao infinito.

Essa alienígena história nos foi contada pelos irmãos Jarede e Pacheco, numa reunião no bairro de Americana, testemunhada pelos amigos Pedro Corvo, Vená, Flávio e Lajota.

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