Imunização contra a gripe tem baixa procura e não alcança meta no Dia D

Vacinas continuam disponíveis nas unidades básicas de saúde até o dia 31

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O Dia de Mobilização Nacional – chamado de “Dia D” – da 21ª Campanha Nacional de Vacinação Contra a Influenza, que aconteceu no sábado, 4, não conseguiu atingir a meta de imunização e a equipe da Vigilância Epidemiológica, da Secretaria Municipal de Saúde, alerta sobre a importância da prevenção.

A expectativa da Secretaria de Saúde é vacinar 90% do público-alvo (30.026 pessoas) até o final da campanha contra a gripe, que vai até o dia 31. Para o sábado, conforme anunciado, a meta da VE era alcançar pelo menos 70% dessa população.

O plantão especial de vacinação aconteceu das 9h às 13h, na Praça da Matriz. Além disso, as unidades básicas de saúde da área urbana funcionam das 8h às 17h e as da zona rural, das 8h às 16h, com o objetivo de atingir a meta.

Contudo, durante o Dia D, foram aplicadas apenas 2.968 doses, atingindo 45,30% do total esperado para a meta geral da campanha – número considerado muito baixo pelos profissionais da Vigilância Epidemiológica.

Até terça-feira, 30 de abril, 31,98% da população prioritária havia recebido a vacina contra a gripe (10.669 pessoas). Portanto, era necessário acréscimo de pelo menos 38% para se alcançar a meta no Dia D.

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Relatório atualizado diariamente pela VE mostra que os números estão subindo de forma lenta. No mais recente, divulgado terça-feira, 7, o acréscimo havia sido de 3,14%, subindo de 45,3%, no Dia D, para 48,44% da população prioritária imunizada

O público com maior cobertura, até o momento, é de puérperas, com 85,50%, seguido por gestantes (56,04%), professores (54,68%), idosos (54,67%), pessoas com comorbidades (52,10), trabalhadores de saúde (38,5%) e crianças (37,66%).

O total de vacinados considera o público estimado de idosos acima de 60 anos, crianças de 6 meses a menores de 6 anos, profissionais da área de saúde, professores da rede pública e privada, gestantes, puérperas e pessoas portadoras de doenças crônicas e outras categorias de risco clínico.

A coordenadora da Vigilância Epidemiológica, enfermeira Rosana Oliveira, afirma que a campanha de imunização contra a gripe é uma “das mais difíceis” de se atingir a meta geral, por falta de conscientização da população sobre a importância da vacina.

“Estamos trabalhando intensamente. Fizemos plantão em asilos, em repartições públicas e nos postos de saúde, mas, mesmo assim, está difícil de o pessoal nos procurar”, completou.

Para a coordenadora, a principal causa de “inadimplência” do público-alvo é o mito de que a vacina provoca a gripe como reação.

“Nós informamos e procuramos esclarecer todas as duvidas das pessoas que estão indo se imunizar. Mesmo assim, este mito está fazendo com que o público-alvo acabe fugindo da imunização”, destacou.

Segundo ela, caso a pessoa que faz uso da vacina desenvolva sintomas típicos de doença do trato respiratório (como nariz entupido, tosse e dor de garganta, por exemplo), isso não está relacionado com o imunizante, porque ele é elaborado com o vírus morto.

“Muitas vezes, a pessoa se vacina contra a gripe, mas já está com o vírus no corpo. Aí, coincide de ficar doente e achar que é da vacina. Mas, na realidade, não é”, acrescentou. Ela ainda alerta que a vacina contra gripe é segura e a intervenção mais importante para evitar casos graves e mortes pela doença.

“Precisamos que a população entenda que a vacina pode ajudar muito nos casos mais graves. Não quer dizer que se a pessoa tomar a vacina ela não terá mais nenhum resfriado; ela pode, sim, ficar resfriada mesmo imunizada, mas as reações são mais leves”, explicou.

Rosana ressalta que, a partir do momento em que se administra a dose, a vacina inativa o vírus e as chances de complicação da doença são reduzidas. Além disso, destaca que 90% das pessoas que tomam a vacina aprovam a imunização.

“A maioria volta a se imunizar e fala que, desde que está tomando a vacina, nunca mais teve gripes fortes. Na realidade, é isso: este é o vírus que nós estamos cortando, um vírus que, sem cuidados, pode deixar a pessoa hospitalizada, debilitada e pode até levar à morte”, enfatizou.

A Campanha Nacional de Vacinação Contra a Gripe teve início no dia 10 de abril em todo o país. No primeiro momento, foram priorizadas as crianças e gestantes. A vacinação está aberta para os públicos com comorbidades e profissionais de saúde desde o dia 22 de abril.

Segundo Rosana, não há previsão de prorrogação da campanha nacional. “Por isso, é importante atingir a meta até o final do mês”. A campanha vai até o dia 31. Enquanto isso, as doses estão disponíveis em todos os postos de saúde.

Podem ser vacinados os grupos prioritários, ou seja, idosos a partir de 60 anos, crianças de 6 meses a menores de 6 anos, trabalhadores da área da saúde, professores das redes pública e privada, gestantes e puérperas.

O público-alvo ainda inclui pessoas com comorbidades (doença respiratória crônica, doença cardíaca crônica, doença renal crônica, doença hepática crônica, doença neurológica crônica, diabetes, obesos, imunossupressão, transplantados e trissomias), pessoas privadas de liberdade e funcionários do sistema prisional.

Dentro do prazo, as pessoas que fazem parte dos grupos prioritários podem procurar a unidade básica de saúde mais perto da residência para tomar a vacina, tendo em mãos a carteira de vacinação e/ou um documento com foto. Os doentes crônicos precisam de uma carta do médico ou a receita da medicação de uso contínuo.

Conforme a VE, nos primeiros cinco meses de 2019, ocorreram quatro notificações por gripe em Tatuí, sendo duas descartadas e duas aguardando análise. Neste ano, não foram registrados casos confirmados da doença no município.

No ano passado, nove casos foram confirmados. Duas mulheres, de 41 e 66 anos, morreram vítimas da influenza. Uma tinha doenças crônicas (diabetes e hipertensão) e estava hospitalizada em uma UTI (unidade de terapia intensiva), em Tatuí, e outra faleceu em um hospital de Sorocaba.

Os outros casos positivos da doença envolveram duas crianças (de 3 e 6 anos), duas mulheres (70 e 46 anos) e três homens (54, 56 e 96 anos).

Rosana afirmou que a maioria dos casos registrados foi de pacientes não vacinados e que as duas mortes, de pessoas consideradas, pelo Ministério da Saúde, como pertencentes a grupos de risco.

“De nove casos positivos, somente um estava imunizado. A falta da vacina teve uma grande influência nestes casos”, destacou.

Rosana lembra que quem foi imunizado no ano passado deve tomar a vacina novamente neste ano, tendo em vista que ela precisa ser reformulada para proteger contra as cepas do vírus que estão em circulação.

A vacina produzida para 2019 teve mudança em duas das três cepas que a compõem e protege contra os três subtipos do vírus da gripe que mais circularam no ano passado no Hemisfério Sul, de acordo com determinação da OMS: A/Michigan/45/2015 (H1N1) pdm09; A/Switzerland/8060/2017 (H3N2); B/Colorado/06/2017 (linhagem B/Victoria/2/87).

Todos os estados estão abastecidos com o fosfato de oseltamivir e devem disponibilizá-lo de forma estratégica em suas unidades de saúde. Para o atendimento do ano de 2019, o Ministério da Saúde já enviou, aproximadamente, 9,5 milhões de unidades do medicamento aos estados. O tratamento deve ser realizado, preferencialmente, nas primeiras 48 horas após o início dos sintomas.

Para tirar dúvidas e solicitar mais informações, basta ligar para (15) 3259-6358, ou procurar a UBS mais próxima.

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