Febre tifoide

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A febre tifoide é uma doença bacteriana aguda, causada pela “Salmonella enterica” sorotipo Typhi de distribuição mundial, associada a baixos níveis socioeconômicos, principalmente em áreas com precárias condições de saneamento, higiene pessoal e ambiental.

Com tais características, praticamente encontra-se eliminada em países onde esses problemas foram superados. No Brasil, a febre tifoide ocorre sob a forma endêmica, com superposição de epidemias, especialmente nas regiões Norte e Nordeste, refletindo as condições de vida de suas populações. Nos países africanos pobres e de baixo índice de saneamento, é muito comum.

Sintomas

Os sintomas da febre tifoide são: febre alta, dores de cabeça, mal-estar geral, falta de apetite, retardamento do ritmo cardíaco (bradicardia), aumento do volume do baço (esplenomegalia), manchas rosadas no tronco, prisão de ventre ou diarreia e tosse seca.

Transmissão

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A transmissão pode ocorrer pela forma direta ─ por contato com as mãos do doente ou portador ─ ou indireta, pela ingestão de água ou de alimentos contaminados com fezes humanas ou com urina contendo a “Salmonella entérica” sorotipo Typhi.

A contaminação de alimentos geralmente acontece pela manipulação por portadores ou pacientes oligossintomáticos (com manifestações clínicas discretas), que não são afastados das atividades de preparo dos alimentos. O indivíduo infectado elimina a bactéria nas fezes e na urina, independentemente de apresentar os sintomas da doença.

O tempo de eliminação da bactéria varia de uma a três semanas, podendo chegar a três meses. Entre 2% a 5% dos pacientes transformam-se em portadores crônicos e podem transmitir a doença por até um ano.

Tratamento

É importante procurar uma unidade de saúde para diagnóstico e tratamento adequados. O paciente deve ser tratado em nível ambulatorial, basicamente com antibióticos e reidratação. Em casos excepcionais, é preciso internação para hidratação e administração venosa de antibióticos.

Prevenção

O saneamento básico, o preparo adequado dos alimentos e a higiene pessoal são as principais medidas de prevenção. Em se tratando de alimentos, observar os seguintes aspectos:

Consuma água tratada; selecione alimentos frescos com boa aparência e, antes do consumo, os mesmos devem ser lavados e desinfetados; para desinfecção, os alimentos crus, como frutas, legumes e verduras, devem ser mergulhados durante 30 minutos em uma solução preparada com uma colher de sopa de hipoclorito de sódio a 2,5% para cada litro de água tratada; consuma leite e derivados pasteurizados; não utilize alimentos depois da data de vencimento; lave as mãos regularmente antes, durante e após a preparação dos alimentos, ao manusear objetos sujos, depois de tocar em animais, depois de ir ao banheiro, após a troca de fraldas e antes da amamentação; lave e desinfete todas as superfícies, utensílios e equipamentos usados na preparação de alimentos; proteja os alimentos e as áreas da cozinha contra insetos, animais de estimação e outros animais (guarde os alimentos em recipientes fechados).

Vacinação

O principal meio de se evitar a doença é através da vacina, que deve ser feita duas semanas antes de se deslocar para áreas endêmicas (no Brasil, na região do Nordeste e Norte e nos países do continente africano).

A vacina que usamos é uma vacina polissacarídica, com eficiência de cerca de 70% de proteção. Produzida pelo Laboratório Sanofi, através da cepa Ty2 do polissacarídeo Vi purificado de “Salmonela thyphi”. É feita de modo intramuscular (IM), mas pode ser feita de modo subcutâneo (SC), é indicada em adultos e crianças a partir de dois anos de idade.

A vacina é indicada especialmente para pessoas que viajam para áreas endêmicas, migrantes, pessoal da área da saúde e militares. Como qualquer vacina polissacarídica, pode não proteger 100% dos indivíduos susceptíveis.

Ela tem duração de imunidade de três anos e, assim, pode ser repetida a cada três anos, se a pessoa vive ou vai viajar para zonas endêmicas. Ela é contraindicada em mulheres grávidas e aquelas que estão amamentando.

A vacinação deve ser adiada em casos de febre, doenças agudas ou crônicas progressivas. No entanto, a vacinação de indivíduos com imunodeficiência crônica, como a infecção pelo HIV, é recomendada, mesmo se a resposta de anticorpos for limitada.

A vacina está disponível nas clínicas particulares de vacinação, como o Cevac de Tatuí. É feita em dose única.

Dr. Jorge Sidnei Rodrigues da Costa – Cremesp 34.708 *

Fontes: http://portalms.saude.gov.br/saude-de-a-z/febre-tifoide; bula da vacina contra febre tifoide, fabricada pela Sanofi-Pasteur, em Marcy l’Étoile – França.

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