Etec é 38ª melhor escola pública de SP

353
Publicidade
Siltec





Rafael Segato

Desempenho de estudantes no Enem de 2012 rendeu posição de destaque para escola técnica

 

O MEC (Ministério da Educação) divulgou, na tarde de segunda-feira, 25, as médias das escolas no Enem de 2012. Os resultados obtidos pela Etec (Escola Técnica) “Salles Gomes” colocaram a unidade na lista das 50 melhores escolas públicas de São Paulo, ocupando o 38º lugar, e entre as 50 melhores estaduais do Brasil, na 43ª colocação.

A média geral da Etec foi de 589,27 (superior à nota registrada em 2011, de 566,41). Esse desempenho também a fez figurar em primeiro lugar entre as escolas públicas de Tatuí. Considerando estas e as particulares do município, a Etec teve média inferior apenas em relação ao Anglo (632,50).

Publicidade
Siltec

Entre as escolas públicas da região de Sorocaba, que engloba 79 municípios, a “Salles Gomes” ficou em segundo lugar, atrás apenas da Etec “Rubens de Faria e Souza”, de Sorocaba.

Superou unidades renomadas, como a Etec “Fernando Prestes” (média 586,91), também de Sorocaba, e “Martinho Di Ciero” (588,25), de Itu.

No ranking englobando apenas as escolas técnicas administradas pelo Centro Paula Souza – da qual a unidade de Tatuí faz parte –, a “Salles Gomes” ocupou a 32ª colocação entre mais de 200 unidades. Na lista envolvendo todas as escolas do Brasil, tanto públicas quanto particulares, ficou no número 1.134.

A diretora da escola, Beatriz Soares Amaro, que há 12 anos pertence ao quadro de funcionários da Etec, falou sobre o desempenho dos alunos no Enem.

“Tivemos boas médias nos últimos anos, mas o resultado de 2012 realmente surpreendeu. Houve um aumento significativo nas notas, e o melhor foram os avanços em nível estadual”, disse.

Beatriz também comentou a repercussão do ranking dentro da escola: “O pessoal ficou muito contente. Eu mesma passei pelas classes falando sobre os resultados, parabenizando os professores. Com certeza, a equipe escolar está motivada a trabalhar ainda mais sério”.

A diretora atribuiu a conquista ao corpo docente da Etec. “Os professores são os maiores responsáveis. Temos uma equipe de funcionários muito boa, que trabalha nos bastidores. Toda a equipe é merecedora. Mas quem está efetivamente em sala de aula trabalhando com alunos são os professores. Eles seriam os maiores responsáveis”, afirmou.

Atualmente, a unidade conta com 98 professores na unidade, incluindo educadores do ensino médio e dos cursos técnicos.

A média elevada obtida no Enem e a colocação da Etec na lista das melhores de São Paulo e melhores estaduais do Brasil também deverão ter reações junto aos estudantes.

Para o professor de história e coordenador do ensino médio da “Salles Gomes”, Fernando de Jesus da Costa, o resultado funcionará como um estímulo.

“Os alunos vão perceber que estão em uma escola que está entre as melhores do Estado e vão dar ainda mais valor para o estudo que oferecemos. O resultado é uma ferramenta de incentivo para mantermos esse bom resultado no Enem”, definiu.

O Enem avaliou os alunos em cinco diferentes matérias: linguagens e códigos, matemática, ciências humanas, ciências da natureza e redação.

O cálculo da média final foi feito somando as notas das quatro provas objetivas e dividindo por quatro. A nota da redação não entra na soma.

Aulas preparatórias

A melhora na nota do Enem não é apenas atribuída aos conteúdos oferecidos no curso regular de ensino médio da Etec. Para reforçar esse estudo, desde 2010, são realizadas aulas preparatórias, focadas especialmente na prova.

Nesse projeto, professores da própria escola e também externos a ela trabalham – de forma voluntária – com alunos do 3o ano do ensino médio.

Costa conta que a iniciativa partiu de uma das professoras da escola, já falecida, e teve prosseguimento com a atual coordenação.

Nas aulas, os professores selecionam temas focados em vestibulares e na prova do Enem. “O Enem é basicamente um vestibular. As questões exigem muita interpretação, são textos maiores e que demandam um preparo especial do aluno”, analisou o coordenador.

As aulas acontecem no prédio da Etec, fora do horário de aula dos alunos, com frequência semanal ou quinzenal. A participação dos alunos acontece de forma livre.

Apenas comparecem às aulas preparatórias os estudantes que desejam espontaneamente passar pelo treinamento. O projeto já chegou a ter 60 alunos em sala.

Segundo a coordenação, a maior dificuldade enfrentada no projeto é encontrar professores dispostos a participar de forma voluntária.

Como nem sempre isso é possível, a Etec, em alguns casos, conta com recursos da APM (Associação de Pais e Mestres) para financiar determinadas atividades do curso preparatório.

“Principalmente quando convidamos algum professor de fora da Etec, a APM colabora com o pagamento desse educador. Mas, em 90% dos casos, os professores foram voluntários”, afirmou Beatriz. A verba da APM parte de doações de alunos e funcionários, de vendas de produtos na cantina da Etec e de outras formas de ajuda.

Diretrizes

Na opinião da direção e da coordenação da escola, a média do Enem e as colocações obtidas nos rankings regional, estadual e federal não deverão influenciar diretamente nas diretrizes tomadas na Etec.

O coordenador explica que a matriz curricular (incluindo disciplinas, quantidade de aulas e outros detalhes) não é definida pela própria escola. Por isso, não haveria mudanças.

“Pode existir apenas algo internamente, porque vamos expor os resultados aos professores. Podemos perceber quais foram as nossas dificuldades no Enem e direcionar o projeto preparatório, por exemplo”, explicou.

Investimento

Em termos de investimento, também não há a expectativa de que o ranking seja atrativo para o recebimento de ações e benfeitorias. Ainda assim, a Etec “Salles Gomes” já tem conhecimento de que será contemplada com uma verba do governo federal, destinada à reforma do prédio.

Os recursos vêm do programa “Brasil Profissionalizado”, que tem o objetivo de fortalecer as redes estaduais de educação profissional e tecnológica. Criada em 2007, a iniciativa repassa recursos federais para que os estados invistam em escolas técnicas.

“Apresentamos os nossos problemas com relação à estrutura da escola ao Centro Paula Souza. Ele intermediou o contato com o governo federal, que contemplou a nossa Etec”, explicou Beatriz.

“A informação que temos é que o projeto entrará em licitação no primeiro semestre de 2014, e a reforma vai acontecer no segundo semestre. Será uma reforma bem grande”, considerou.

“Nosso prédio é antigo e não tem acessibilidade ao andar superior e nem à área externa; temos problemas de infraestrutura e teremos que reformar a parte elétrica e hidráulica do prédio. Também vamos ter uma quadra nova. Nossa quadra atual é descoberta, fora dos padrões exigidos”, analisou.

Descentralizadas

Atualmente, a Etec conta com 1.455 alunos, matriculados em 12 cursos técnicos (administração, bioquímica, edificações, eletrotécnica, informática, manutenção automotiva, mecânica, mecatrônica, meio ambiente, nutrição e dietética, química, segurança do trabalho) e no ensino médio, nos períodos da manhã, tarde e noite.

Outros 127 alunos participam de cursos em classes descentralizas, nas cidades de Laranjal Paulista, Cesário Lange e Iperó. Nessas cidades, não há escolas técnicas.

Por isso, através de convênio entre prefeituras e o Centro Paula Souza, foram abertas cinco classes em quatro cursos técnicos diferentes (duas turmas em Laranjal, duas em Iperó e uma em Cesário), sob responsabilidade da Etec de Tatuí.

Os professores do “Salles Gomes” vão até os municípios vizinhos ministrar as aulas. As administrações de cada cidade oferecem o transporte. “As prefeituras quiseram facilitar a vida dos alunos. Para que eles não precisem sair de lá, nós vamos até eles”, analisou Beatriz.

Torre de Pedra também solicitou a instalação de um curso. O pedido está sendo analisado pelo Centro Paula Souza.


Publicidade
Siltec