Esculturas são desvendadas durante inauguração na Pça Manoel Guedes

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    Patrícia Milão

    Estátua de Bimbo Azevedo integra projeto que se conclui neste sábado

    Neste sábado, 10, a Prefeitura inaugura sete esculturas de seresteiros de autoria do artista tatuiano Cláudio Camargo, na praça Manoel Guedes (Praça do Museu), às 10h.

    Os músicos retratados são Ditinho Rolim, João Irineu, Noel Rudi, Paulo Ribeiro, Osmil  Martins, José Fiuza e Raul Martins.
    “A escultura não pode ser fria. Cada uma delas tem um tema, seja mais alegre outro melancólico, porque a seresta é a música romântica”, expressa Camargo.

    Cada escultura pesa, aproximadamente, 860 quilos, tendo sido desenvolvidas em quatro meses. No processo de produção, primeiramente, era feita uma miniatura em barro, com todos os detalhes; depois, era ampliada em tamanho real, também em barro, com uma estrutura de ferro interna.

    “Poderia ter feito de busto, mas não quis. Acho incompleto sem o braço, parece que está faltando alguma coisa. Teria que ser inteiro, como uma coreografia”, argumenta.

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    Quando finalizada a escultura em barro, o negativo da obra era efetivado em forma de gesso, a qual servia para a fundição de cimento e ferro. As partes foram montadas e dado o acabamento.
    Por último, cada peça passa pelo processo químico denominado pátina, um revestimento de proteção que amplia a resistência da escultura aos efeitos naturais do sol, chuva e sereno. “Cada escultura tem tempo de vida útil de seis anos”, afirma Camargo, até que necessitem de manutenção.

    Por conta do peso de cada obra, elas eram estocadas sobre carrinhos hidráulicos e puxadas por um guincho, tendo sido revestidas por um cinto de carga, para serem colocadas dentro do caminhão.

    O transporte foi realizado com uma escultura de cada vez. Na praça, ganchos foram instalados para o encaixe de cada obra, além de terem sido soldadas.

    A escolha da praça para a disposição das esculturas foi propícia para a contextualização das personalidades retratadas.

    “As casas deles eram próximas ao museu. Numa distância de poucos quarteirões, chegava-se à casa de todos. Então, eles já fizeram até seresta por ali”, conta.

    Inicialmente, a ideia era que, na praça, fosse levantada uma estrutura para abrigar as esculturas.  Agora, estão instaladas próximas ao canteiro.

    “Os seresteiros iam ser colocados em um coreto, na entrada do museu, olhando para a rua 7 de Maio. Não houve aprovação da Estado para se fazer isso”, conta.

    Para o artista, filho do locutor Osório de Camargo, que na Rádio Difusora de Tatuí apresentou o programa “A Hora da Saudade” – focado em músicas de serestas –, o trabalho foi uma “volta ao passado”.

    “Meu pai mandava música para mim. E é uma coisa interessante, depois de tantos anos, homenagear essas pessoas. Eu conheci quase todos, vi eles. Foi uma experiência muito legal. Acredito que, para as famílias, vai ser um momento de grande emoção”.

    A princípio, o projeto previa seis seresteiros. A escultura de Paulo Ribeiro foi a última a ser desenvolvida. A decisão de integrá-la aos homenageados teria surgido após a morte dele (em 21 de outubro de 2011, aos 93 anos).

    “Ele era o poeta, fazia parte dos seresteiros. Enquanto os
    músicos tocavam, ele declamava poesia, os apresentava. E o Paulinho presenciou a inauguração do Bimbo Azevedo, do João Del Fiol, ele viu todas as obras prontas”, conta Camargo.

    O projeto começou em 2007, com o publicitário Giovani de Arruda Campos, o qual, junto à gestão pública da época, escolheu os artistas a serem retratados.

    A ideia era valorizar o título de “Capital da Música”, homenageando os seresteiros e as pessoas que tiveram vínculo com a vinda do Conservatório para Tatuí.

    “A história do Conservatório faz um anel com a música clássica e se encontra com o grupo de seresteiros, que são música popular, samba”.

    A primeira parte do projeto, composta pelos representantes da música clássica, foi entregue entre os anos de 2009 e 2011. Para desenvolver as obras, o artista realizou pesquisa e baseou-se em fotos.

    “A Prefeitura viabilizou as fotos de cada personagem. Eles me proporcionaram essa vantagem. Eu trabalhei em cima de fotos”, relata.

    A primeira escultura foi a do maestro instalada na avenida Firmo Vieira de Camargo. Os músicos Octávio “Bimbo” Azevedo e João Del Fiol foram dispostos na Praça da Matriz, cada um em frente à propriedade da família, respectivamente, Café Canção e Hotel Del Fiol. A representação de Nacif Farah está na praça Paulo Setúbal (“Barão”).

    No início, as obras referentes aos músicos que retratam a história do Conservatório deveriam ser dispostas pela avenida Vice-Prefeito Pompeo Reali, mas a ideia foi descartada.

    “Fizemos uma avaliação e achamos que ficariam muito desprotegidas, frágeis, expostas a ações de vandalismo”, argumenta Camargo. Porém, mesmo colocadas nas praças da cidade, as obras não escaparam das tentativas de depredação.

    “Tive relatos de que, de madrugada, viram alguém subindo e entortando o arco do violoncelo, pessoas querendo estragar com marreta. No maestro, deram uma ferrada na cabeça, mas não aconteceu nada”, conta o autor.

    Para proteger as esculturas a serem inauguradas, Camargo sugeriu a instalação de câmeras no museu. Porém, a própria obra já é feita de forma a ser resistente aos atentados. “É cimento maciço, já fiz para isso mesmo, não conseguir quebrar”, exprime.

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