Dez passos para uma alimentação saudável

Dr. Jorge Sidnei R. da Costa – Cremesp 34.708 *

Passo 1: Dar somente leite materno até os seis meses, sem oferecer água, chás ou qualquer outro alimento.

Dica ao profissional e à equipe: rever se as orientações sobre aleitamento materno exclusivo são fornecidas desde o acompanhamento pré-natal até a época da alimentação complementar.

Passo 2: A partir dos seis meses, introduzir de forma lenta e gradual outros alimentos, mantendo o leite materno até os dois anos de idade ou mais.

Dica ao profissional e à equipe: antes de dar a orientação deste passo, perguntar à mãe ou ao cuidador como ela (ele) imagina ser a alimentação correta da criança e, a seguir, convidem-na (o) a complementar seus conhecimentos, de forma elogiosa e incentivadora.

Passo 3: Após seis meses, dar alimentos complementares (cereais, tubérculos, carnes, leguminosas, frutas, legumes) três vezes ao dia, se a criança receber leite materno, e cinco vezes ao dia, se estiver desmamada.

Dica ao profissional e à equipe: sugerir receitas de papas, tentando dar a ideia de proporcionalidade, de forma prática e com linguagem simples.

Passo 4: A alimentação complementar deve ser oferecida de acordo com os horários de refeição da família, em intervalos regulares e de forma a respeitar o apetite da criança.

Dica ao profissional e à equipe: uma visita domiciliar pode ser uma estratégia interessante para aumentar o vínculo e orientar toda a família sobre alimentação saudável.

Passo 5: A alimentação complementar deve ser espessa desde o início e oferecida de colher; começar com consistência pastosa (papas/purês) e, gradativamente, aumentar a consistência até chegar à alimentação da família.

Dica ao profissional e à equipe: organizar, em parceria com a comunidade, oficinas de preparação de alimentos seguros e/ou cozinhas comunitárias. Convidar famílias com crianças sob risco nutricional.

Passo 6: Oferecer à criança diferentes alimentos ao dia. Uma alimentação variada é uma alimentação colorida.

Dica ao profissional e à equipe: conversar sobre a estimulação dos sentidos, enfocando que a alimentação deve ser um momento de troca afetuosa entre a criança e sua família.

Passo 7: Estimular o consumo diário de frutas, verduras e legumes nas refeições.

Dica ao profissional e à equipe: pedir à mãe que faça uma lista das hortaliças mais utilizadas. Depois, aumentar essa lista, acrescentando outras opções não lembradas, destacando alimentos regionais e típicos da estação.

Passo 8: Evitar açúcar, café, enlatados, frituras, refrigerantes, balas, salgadinhos e outras guloseimas nos primeiros anos de vida. Usar sal com moderação.

Dica ao profissional e à equipe: articular com a comunidade e outros setores uma campanha sobre alimentação saudável.

Passo 9: Cuidar da higiene no preparo e manuseio dos alimentos: garantir o seu armazenamento e conservação adequados.

Dica ao profissional e à equipe: realizar grupo com pais, avós e/ou crianças sobre cuidados de higiene geral, alimentar e bucal.

Passo 10: Estimular a criança doente e convalescente a se alimentar, oferecendo sua alimentação habitual e seus alimentos preferidos, respeitando a sua aceitação.

Dica ao profissional e à equipe: avaliar em equipe como está a acessibilidade da criança doente ao serviço de saúde.

Observação importante: para evitar o consumo de açúcar de cana por seus bebês, muitas mães acabam optando por escolhas tidas como mais saudáveis para adoçar os sucos ou chás. O mel, que muitas vezes é utilizado por suas propriedades expectorantes, torna-se para as mães uma alternativa mais saudável. Porém, o mel é altamente contraindicado para crianças até 12 meses de vida. O mel é uma fonte potencial de transmissão do botulismo, que é causado por uma bactéria chamada “Clostridium botulinum”, risco que existe principalmente devido à deficiência de

fiscalização nas propriedades produtoras do mel in natura. Por isso, oriente os pais e responsáveis a não oferecer o mel de abelha para crianças até um ano de idade.

Fonte: DAB/SAS/MS, 2010.

* Médico com título de especialista em pediatria pela SBP (Sociedade Brasileira de Pediatria) e AMB (Associação Médica Brasileira) e Diretor Clínico da Alergoclin Cevac.

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