Com retorno do ‘Paulistão’ próximo, futebol local segue sem definições

Certame profissional do estado volta dia 22; em Tatuí, ainda não há data

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Água Santa derrotou o Corinthians por 2 a 1 na atual edição do Paulistão (foto: André Anselmo/Futura Press/Estadão Contéudo)
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Da reportagem

O futebol profissional no estado será retomado a partir da próxima quarta-feira, 22. Em realidade distinta, o possível retorno das competições organizadas pela prefeitura, por meio do Departamento Municipal de Esporte, da Secretaria Municipal de Esporte, Cultura, Turismo, Lazer e Juventude, segue indefinido.

Na quarta-feira da semana passada, 8, o governador João Doria autorizou o retorno do Campeonato Paulista. Na véspera do anúncio, a FPF (Federação Paulista de Futebol) divulgou um protocolo de operação de jogos para a conclusão do “Paulistão”, interrompido em 16 de março, devido à pandemia.

O Água Santa, de Diadema, terceiro colocado do grupo A, depois de enfrentar o Red Bull Bragantino, dia 13 de março, voltará a disputar uma partida oficial na próxima quinta-feira, 23, “em casa”, diante do Mirassol. A equipe encerrará a primeira fase no domingo, 26, “fora de casa”, contra o Palmeiras.

Seguindo o protocolo da FPF para retomar os treinamentos, o clube de Diadema realizou testes para coronavírus em todos os atletas e em integrantes das comissões técnicas. As pessoas que testassem positivo permaneceriam isoladas por um período até poderem ser reintegradas ao grupo.

Disponibilização de álcool em gel e aferição de temperatura passaram a ser obrigatórias. Os jogadores chegam uniformizados ao local de treinamento, pois estão impedidos de utilizarem os vestiários.

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Atendendo o documento da federação, em um primeiro momento, os atletas começaram a treinar individualmente e, gradativamente, foram formados grupos para a realização das atividades.

“Retornamos com treinamentos individuais. Na sequência, os treinos puderam ser feitos em pequenos, médios e, por último, grandes grupos”, informou Felipe Monteiro, analista de desempenho do Água Santa.

Durante mais de cem dias de quarentena, os atletas foram orientados a realizar treinos físicos em casa. Normalmente, jogadores de equipes profissionais têm cerca de 30 dias de férias e já iniciam a pré-temporada.

A O Progresso, Monteiro frisou a importância do ritmo de jogo, em falta devido ao período recorde de paralisação, e o quanto essa ausência pode afetar o desempenho dos atletas profissionais.

De acordo com Monteiro, a falta de ritmo é uma das maiores dificuldades de todos os times profissionais, pois todos ficaram sem realizar treinos com bola. Ele informou que o setor de preparação física do Água Santa desenvolveu treinos para tentar amenizar a falta de jogos.

“O período de inatividade afeta bastante o desempenho dos jogadores, já que o futebol é um esporte de contato e tomada de decisão, a partir do adversário e dos companheiros de equipe”, ressaltou.

Diego Barros, ex-jogador profissional, atual gestor esportivo do DME e idealizador do projeto Bom de Bola, reforça a importância do ritmo de jogo aos atletas. Segundo ele, o corpo sofre alterações durante longo período de inatividade.

Após o auge da carreira no Remo, em fevereiro de 2009, quando havia acabado de ser contratado pelo Grêmio Barueri, um exame constatou problemas cardíacos em Barros e ele foi afastado de qualquer atividade física.

No mês de maio de 2010, os exames realizados por ele não acusaram arritmias e ele pôde voltar a jogar profissionalmente após 15 meses. No entanto, devido ao período inativo, Barros sofreu uma lesão no músculo posterior da coxa, afastando-o dos gramados por mais quatro meses.

No ano seguinte, de volta ao Remo, o ex-atleta conta que só conseguiu atuar os 90 minutos de uma partida na sétima rodada do Campeonato Paraense. “Eu sentia a velocidade dos atletas. Parecia que eles estavam a 60, 70, 100 quilômetros por hora, e eu, conseguindo correr a metade”, exemplificou.

“Depois, com o ritmo de jogo e muito trabalho, consegui igualar os demais, após toda a pré-temporada e as seis primeiras partidas”, completou Barros.

Sem o mesmo investimento que o futebol profissional, ele afirma que alguns itens do protocolo podem ser adaptados. Barros pensa em aumentar o número de treinos do Bom de Bola para dividir os atletas em grupos menores.

“Não sabemos quando iremos ter a liberação dos órgãos de saúde. Mesmo assim, ainda teríamos situações de famílias que não se sentiriam seguras em deixar seus filhos treinarem. Precisamos retomar, mas, acima de tudo, oferecer condições de segurança”.

Em contato com o DME, o diretor municipal de Esporte, Douglas Dalmatti Alves Lima, informou aguardar futura liberação de órgãos de saúde para as definições de datas dos campeonatos de futebol, assim como das outras modalidades esportivas.

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