Chuvas são motivos de operação do Corpo de Bombeiros

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Defesa Civil

Barranco às margens do ribeirão do Manduca sofreu deslizamento em função das chuvas que elevaram volume de águas

 

As chuvas recorrentes entre os meses de dezembro e março são o mote de operação que começa a ser realizada em todo o Estado pelo Corpo de Bombeiros neste domingo, 1º. Denominada “Chuvas Intensas”, a ação é a segunda maior do calendário anual da corporação. A primeira é a operação “Corta Fogo”.

Em Tatuí, a iniciativa abrange o quartel do 2º Grupamento do Corpo de Bombeiros e a DC (Defesa Civil), por meio da Comdec (Coordenadoria Municipal de Defesa Civil). Ela consiste no treinamento e implementação de técnicas de atendimento e salvamento de vítimas de enchentes e alagamentos.

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A “Chuvas Intensas” tem início quase dois meses depois da “Corta Fogo”. Esta última encerrou-se no Estado em outubro e é promovida por conta do número de incêndios que aumentam no período de três meses em função de estiagem.

“Estamos na fase de preparação para o período das chuvas. A operação começa neste domingo e vai até meados de março do ano que vem”, explicou o comandante do CB do município, capitão Alexandre Riquena Costa.

Segundo ele, o efetivo local passará por treinamentos ao longo deste mês. Riquena informou que equipes de unidades de todas as cidades estão sendo preparadas para atuar nas ocorrências de enchentes. As capacitações incluem, também, salvamento aquático e desabamento.

Neste ano, o subgrupamento do município contará com reforço do caminhão autotanque (reportagem nesta edição). Conforme o capitão, a nova viatura, recebida no dia 25 de novembro, pode ser usada tanto nos casos de incêndios de grandes proporções como nas ocorrências “salva-vidas”.

“Eles carregam, além dos equipamentos de incêndio, os de salvamento”, ressaltou. Desta forma, o veículo pode ser utilizado – em caso de necessidade – em situações adversas que podem ocorrer por conta das chuvas. Entre elas, enchentes e desabamentos.

“Ela (a viatura) carrega botes, gerador de energia e equipamentos de escoramento, no caso de desabamentos”, disse Riquena.

A nova viatura custou R$ 300 mil. O investimento na sub-região de Tatuí é de R$ 700 mil, sendo R$ 400 mil destinados para Tietê, cidade que recebeu o mesmo tipo de viatura.

Além dos treinamentos, o capitão disse que a corporação está elaborando um “plano de chamada”. Trata-se de trabalho realizado de modo integrado com a Defesa Civil. O objetivo é oferecer atendimento unificado e rápido.

“Se der uma catástrofe, nós acionamos o plano, de forma que consigamos, num curto espaço de tempo, fazer frente a grandes emergências”, disse o comandante.

Os treinamentos oferecidos ao efetivo de Tatuí estão sendo realizados em todo o Estado desde o mês passado. Riquena explicou que as equipes são capacitadas de acordo com cronogramas estipulados pelos postos ou bases. “Cada uma está fazendo conforme sua disponibilidade”.

Em cada unidade, os bombeiros participam de treinamento geral. Ele é realizado em um único dia, por um bombeiro classificado como “multiplicador”. O responsável por repassar os conhecimentos são os que realizam cursos específicos na corporação, como o de salvamento aquático, por exemplo.

Riquena declarou que as capacitações são necessárias, uma vez que, nesta época do ano, há um aumento generalizado de ocorrências envolvendo chuvas. Também por conta do calor excessivo do final do ano, crescem os casos de afogamento.

A maioria delas concentra-se em rios e lagos e tem como vítimas pessoas que usam esses locais para “se refrescar”. Também há casos de pessoas que se afogam por estarem pescando. “Esse aumento não é só em Tatuí, ou na região. É no Brasil como um todo, justamente por causa da alta temperatura”.

De acordo com ele, em geral, os atendimentos são registrados aos finais de semana e em regiões afastadas do centro. São áreas de acesso restrito e que, portanto, dificultam a chegada das equipes de resgate e o trabalho de salvamento.

Apesar de saber quais regiões da cidade são mais propensas a registrar afogamentos, Riquena disse que a corporação não tem como prever as ocorrências, por conta do fator humano.

De acordo com o capitão, esse item “foge de todos os padrões”. “O que nós sabemos é que, onde tem rio, lagoa e pessoas por perto, geralmente, as ocorrências são maiores”, comentou.

De modo a prevenir afogamentos, Riquena disse que a corporação deverá retomar ação iniciada pelo ex-capitão (atual major) Miguel Ângelo de Campos.

Trata-se da instalação de placas com as inscrições de “proibido nadar”, em frente a riachos, rios, lagos e lagoas e na represa operada pela Sabesp (Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo).

“Como assumi há pouco tempo, ainda estou tomando ciência das ações. Tive a notícia de que existe esse projeto, e ele, muito provavelmente, fará parte desse nosso plano de operação ‘Chuvas Intensas’”, declarou o comandante.

A expectativa é de que, até o início deste mês, o plano deva estar concluído. Os bombeiros utilizarão dados da Defesa Civil para desenvolvê-lo e tomar conhecimento de onde e quantas são as áreas que precisam ser sinalizadas no município.

Esse segundo órgão já está, desde o mês passado, monitorando áreas do município com vistas a evitar enchentes e deslizamentos. Entre elas, o terreno próximo ao estacionamento de um supermercado e uma cerâmica, no bairro Marapé.

Conforme antecipado por O Progresso, a região registrou deslizamento de solo (barranco). A terra teria cedido em função do volume de chuva que atingiu o município.

O secretário-adjunto da Comdec, João Batista Alves Floriano, também informou, nesta semana, que a Defesa Civil está monitorando as residências ribeirinhas (situadas às margens do ribeirão do Manduca). De acordo com ele, as casas não são irregulares, uma vez que estão oficialmente legalizadas.

Floriano informou que todos os moradores das ruas Bento Quintino de Oliveira, no bairro Morro Grande, pagam IPTU (imposto predial e territorial urbano) e que as irregularidades verificadas são “das moradias de números pares”.

Segundo ele, os quintais dessas casas estão “avançando a encosta do ribeirão”. Além disso, a situação se agrava porque alguns moradores “jogam águas servidas (já utilizadas) e descartam lixo na encosta”. O secretário-adjunto informou que a situação pode “acelerar deslizamentos na área”.


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