Ceagesp investiga o “sumiço” De 1.600 toneladas de trigo

Quantia, avaliada em R$ 2,3 milhões, carregaria 55 caminhões

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Da redação

A Ceagesp (Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo) está investigando um suposto “sumiço” de mais de 1.600 toneladas de trigo na unidade tatuiana, localizada na rodovia Senador Laurindo Dias Minhoto, quilômetro 26.

Um engenheiro agrônomo, acompanhado de um procurador da empresa, esteve na Delegacia Central, na tarde de terça-feira, 15, para registrar boletim de ocorrência de peculato. Ao todo, 15 pessoas estão sendo investigadas.

De acordo com o documento, o engenheiro informou que, após o falecimento do chefe regional e responsável pela Ceagesp de Tatuí, em abril, teve de assumir provisoriamente o cargo na unidade local.

Conforme o boletim, pelo fato de ter acumulado cargos, ele continuou na Ceagesp de São Paulo, passando orientações aos funcionários da unidade tatuiana por telefone e troca de e-mails.

O engenheiro esteve no município algumas vezes para atividades de rotina e verificar o andamento da unidade, até outro funcionário ser designado para assumir, em definitivo, o cargo de chefe regional.

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Segundo o boletim de ocorrência, o serviço de inventário físico dos produtos armazenados na Ceagesp de Tatuí ficou um longo período sem ser realizado, sendo retomado em junho deste ano e concluído no dia 19 de agosto.

O levantamento apurou, conforme o BO, por meio de medição de “cubagem”, uma diferença negativa de 1.640 toneladas de trigo nacional para panificação, pertencentes à Bunge Alimentos. Na sequência, o engenheiro afirma que a diretoria executiva da Ceagesp foi informada sobre a diferença no dia 31 de agosto.

Segundo o BO, um comitê de crise foi instaurado para realizar ações internas. Na segunda-feira da semana passada, 7, durante a confirmação real do estoque, acabou constatada a falta de 1.675 toneladas de trigo, valor maior que o identificado no primeiro levantamento.

O engenheiro disse à PC que o trigo “não localizado” é avaliado em torno de R$ 2,3 milhões e a quantidade seria equivalente para 55 caminhões carregados. Ele afirmou que a menor quantia armazenada nos últimos tempos, em setembro de 2018, era de oito toneladas de trigo.

De acordo com o BO, a última verificação de balanço periódico aconteceu em 2016, contudo, há uma norma que obriga a ser realizado anualmente. O engenheiro alega que a falta de balanço periódico está sendo apurada em sindicância interna.

O representante da empresa afirma, segundo o BO, que há algumas possibilidades para explicar o suposto sumiço das toneladas de trigo, como a utilização de nota duplicada ou entrada irregular de caminhões em horários não permitidos. No entanto, isso representaria a participação de mais de um funcionário,

Conforme o BO, haveria a hipótese de perdas do produto, devido a eventual mau estado de conservação. Contudo, o engenheiro alega que, caso isso ocorresse, a perda de trigo seria em uma escala muito menor. Já as aferições mostraram que balanças de pesagem estão em ordem.

Após os relatos, o engenheiro forneceu à PC cópias do relatório de cubagem, aferição das balanças de pesagem, norma interna, lista de funcionários, alvará da unidade e portaria da instauração de sindicância, além de relação de entrada e saída de notas fiscais em um CD.

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