A rua Santa Cruz

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Existe um ditado popular que diz: “De músico, médico, poeta e louco, todos nós temos um pouco”. Eu sempre amei a música, o microfone, escrever, não sou louco, mas gosto de colocar no papel histórias, lembranças, momentos que surgiram e que vivi! Nasci, cresci, na rua Santa Cruz, 137, e ali permaneci até os 34 anos.

Foi uma rua especial, pois nela, em apenas dois quarteirões, morávamos uns defronte aos outros. Então, vou começar a enumerar a “Turma da Rua Santa Cruz” para baixo do Cine São José, no trecho compreendido entre as ruas Cel. Aureliano de Camargo e a Capitão Lisboa.

Era uma turma muito unida e animada, com milhares de aniversários, pois a quantidade de crianças era muito grande, e haja sodinhas, taubaininha, Q-Suco, espetinhos de azeitona, picles e muçarela espetados em um mamão verde coberto com papel prateado.

O bolo era sempre grande e recheado com leite condensado, coberto com creme de chantili e coco ralado e o importantíssimo brigadeiro. O tempo foi passando, alguns já partiram para com o Pai Celestial, mas continuam vivos em nossas lembranças. Então, lá vamos nós, descendo pela calçada onde atualmente está a Unimed:

– Família Peixoto: José Erasmo, Marcelo, José Guilherme e Cássia.

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– Família Mineli Santos: Betão da Derany.

– Família Negrão: Adriana, Aline, Ariane, Andréia e Murilo.

– Família Voss Avalone: Olavinho, Lineu e Neila.

– Família Voss Campos: Maria Eugênia, Eduardo, Luiz Antonio (Voss) e Diógenes.

– Família da dona Lizeica e senhor Carlitos: Alicia, Carlos (Vermeio), Celso e Paulo.

Agora, vou mudar de calçada, para a frente, na mesma rua e mesmo trecho:

– Família Sobral: Jarbas, Joel e Didi.

– Salão da dona Florinda: Florinda, Roseli, Lino Sérgio, Toninho e Luizinho.

– Família Loureiro: Alaíde, Mirna e Aline.

– Família Sinisgalli- Ari Antonio.

– Família do Edcel e, finalizando, os irmãos Porto (Luiz Antonio e João Francisco).

Bem, pela quantidade, você já percebeu que era muito animado mesmo, e ainda vinham crianças da rua Juvenal de Campos e Cônego Demétrio. E acompanhamos as melhorias da terra batida até o lajotamento.

Agora, aqui começa a outra parte da história, que é propriamente a declaração de amor por ela. A vinda da TV, a quantidade de carros, as famílias que se mudaram e as brincadeiras da rua, os namoros, fomos crescendo, mas a história desta linda infância e juventude tenho certeza que todos se lembram dela onde quer que estejam.

Tudo é silêncio, tudo é quietude no céu da rua, milhares de luas artificiais tentam ofuscar o brilho da velha musa, a lua. Nos postes, os fios formam um emaranhado.

Porém, cada fio tem sua função e a alegria das crianças ficou muda. Após tantos carros e programas de TVs, quem se atreve a correr na rua à noite?

Talvez na nossa periferia ainda exista um corre-corre até os “piques” e o velho papo noturno defronte às portas, e, nas janelas, os olhares se entreolhem enquanto as cortinas balançam ao sabor do vento!!!!

Ao longe, o apito do velho trem, e as antenas cansadas por não deixarmos que elas fechem os braços e, por isso, teimam em vigiar o horizonte…

Nas calçadas, o velho futebol, os faroletes de lata de cera, uma vela e um pedaço de arame ou jogos de taco e soprar um canudinho no enxame de vespas pretas, quantas bombinhas, quantos São Joãos, e o que sobrou do teatrão… Bem, agora só o silencio. Então, só me resta dormir e tentar sonhar com o que um dia vivi…

Rua Santa Cruz, 137 – rua da minha saudade (Tatuí, 27 de setembro de 1969).

Professor Diógenes
Na edição do dia 24 de março, esta coluna mostrou uma entrevista que fiz com meu pai, sob o título de “Professor Diógenes”, porém, a foto mais recente dele ao nosso lado (eu e minha irmã) não saiu. Mas, agora, para vocês que o conhecem ou conheceram e queriam ver como ele está, segue abaixo a foto feita em 22 de março deste ano, aos 98 anos de idade.

 

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