Mostra traz arte abstrata para o Centro Cultural do municí­pio

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David Bonis

Exposição segue em cartaz no Centro Cultural até o próximo dia 31 de outubro

 

“A arte abstrata é mais subjetiva e espiritual”, definiu a artista plástica Carmelina Monteiro, durante a abertura da exposição “Imagética Cromatizada”, em cartaz desde sexta-feira, 3, no Centro Cultural (praça Matinho Guedes, 12).

Carmelina é uma das quatro artistas que expõem quadros na mostra, que permanece no local para visitação até 31 de outubro. Além dela, expõem obras outras três mulheres de Tatuí: The-rezinha Pinto, Carlota Franco e Maria Antonia de Oliveira.

Foi Carmelina quem procurou o diretor do Departamento de Cultura e Desenvolvimento Turístico, Jorge Rizek, para levar a exposição ao Centro Cultural.

No entanto, a organização da mostra ficou por conta da professora Therezinha Pinto. Conhecida como “Tere”, ela ensina artes plásticas desde os anos 80.

No entanto, apenas nos últimos anos decidiu dedicar-se à arte contemporânea abstrata, após concluir três cursos na USP (Universidade de São Paulo) voltados ao abstracionismo.

Desde então, Therezinha iniciou o curso de arte abstrata em ateliê dela, onde Carmelina, Carlota e Maria Antonia são alunas.

Por isso, a exposição “Imagética Cromatizada” é resultado do término do primeiro módulo – de um total de cinco – das aulas aplicadas por Therezinha. O objetivo da técnica é criar arte abstrata a partir de figuras geométricas.

Os 31 quadros expostos na mostra em cartaz no Centro Cultural partem, sobretudo, de quadrados, retângulos, círculos e outras representações da geometria.

Porém, a presença das figuras geométricas é “quase imperceptível” quando o quadro está finalizado, segundo Therezinha, porque “a tinta acaba cobrindo tudo”.

De acordo com ela, o curso começou com objetivo de atingir a um público bastante específico: os idosos. Não à toa, a média de idade das quatro artistas que compõem a mostra é de cerca de 75 anos. Carlota tem 84 anos, Teresinha, 82, Carmelina, 68, e Maria Antonia, 62.

A caçula do grupo também é a mais nova no universo das artes plásticas. Diferente das colegas, que, embora estejam iniciando na arte abstrata, já têm uma longa carreira em outros segmentos das artes plásticas, Maria Antonia nunca pintou.

Ela começou a usar tintas, pincéis e quadros há cerca de seis meses, quando iniciou o curso de Teresinha.

“Nunca pintei. Mas, ver isso aqui (a exposição) foi a maior emoção. Achava que eu não levava jeito, mas estou gostando muito”, contou a artista plástica.

Ela iniciou as aulas com Therezinha visando apenas “relaxar”. Está conseguindo, segundo ela. Além de ajudá-la do ponto de vista terapêutico, o curso mudou a percepção de Maria Antonia quanto às artes abstratas.

“Hoje, vejo que, antigamente, nós não tínhamos a noção sobre esse tipo de arte. A gente achava que arte moderna era uma coisa jogada. Mas, hoje, vejo que é preciso ter criatividade e muita técnica”.

Ela não foi a única a mudar de opinião em relação ao abs-tracionismo desde que passou a dedicar-se a ao segmento. Carmelina e Carlota também fazem parte desse grupo.

“A arte abstrata é boa porque cada pessoa que vê o quadro vai interpretar de um jeito. Ela (a pessoa) vai formar o próprio entendimento”, argumentou Carlota.

“Não é aquela paisagem pronta, estabelecida. Essa você faz, forma e compõe. É muito bom nisso. A arte abstrata mexe muito mais porque a pessoa, mesmo sem querer, interage mais com a arte”, completou a artista, durante a abertura da mostra.

No que diz respeito à interatividade apontada por Carlota em relação à arte abstrata, a mostra “Imagética Cromatizada” busca esse princípio.

Ao entrar no prédio do Centro Cultural, por exemplo, o público pode montar seu próprio quadro. Há duas obras sob uma mesa e, ao lado, diversas molduras soltas. Usando esses objetos, o visitante pode formar seus próprios qua-dros, embora não possa levá-los para casa.

Outra busca por interatividade é poder dar nome às 31 obras expostas. Quem visitar a mostra perceberá que os quadros não têm nome.

Segundo Therezinha Pinto, a ideia é fazer com que cada pessoa dê os nomes de acordo com sua capacidade de observação, “porque a arte contemporânea/abstrata não é determinista”.

“Não existe certo ou errado na arte. Certo ou errado existe nas ciências exatas, porque a arte é livre. Ela não tem espaço fechado. Não pode dizer que é certo”, complementa.

Além da interação, a exposição mostra que é possível produzir quadros com baixo custo de investimento.

Para se ter ideia, os materiais usados para realizar as obras que compõem a “Imagética Cromatizada” são, basicamente, cartolina, papel sulfite, pincéis, guaxe e tinta de tecido.

A exposição permanece até o dia 31 de outubro. O horário de visitação é das 10h às 21h.