Menor morre após ação de policiais e PM abre investigação de conduta

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Polícia Militar

Motocicleta roubada foi recuperada na rodovia SP-129

 

Um menor de 17 anos morreu e outro de 20 anos ficou ferido em troca de tiros com quatro policiais militares na semana passada. Ambos não tinham passagem pela polícia.

Após a ação, a Polícia Militar abriu investigação para apurar a conduta dos oficiais presentes na ação que culminou na morte do adolescente, atitude comum em enfrentamentos que terminam em óbitos de suspeitos.

De acordo com o boletim de ocorrência do caso e com as declarações preliminares de autoridades da PM local, os policiais agiram para se defender.

Todo o caso passou-se na noite da sexta-feira, 19. Os acusados teriam roubado uma motocicleta Fazer Y250, vermelha, nas imediações da praça Manoel Guedes, no centro, às 18h50. Em seguida, a vítima ligou para o número 190, para denunciar o roubo e contar as características dos suspeitos.

Segundo o comandante da 2ª Companhia da Polícia Militar, capitão Kleber Vieira Pinto, ao receber o telefonema os oficiais passaram a procurar pelos suspeitos.

Contudo, os acusados seguiram para um posto de combustíveis, onde efetuaram outro assalto, segundo o boletim de ocorrência. O posto fica localizado na rodovia SP-127, na altura do quilômetro 112.

Ao receber, também por meio do 190, a informação com as características dos assaltantes – semelhantes aos que cometeram o primeiro roubo –, os policiais seguiram para o local.

Após o segundo delito, os suspeitos seguiam para Boituva, cidade onde moram, pela SP-129, que liga Tatuí ao município vizinho.

No entanto, já havia uma guarnição da Força Tática na SP-129, próxima à empresa Guardian. De acordo com o capitão da PM, a guarnição esperou pela possível passagem dos suspeitos. Após constatarem que era a moto roubada, os oficiais acompanharam os possíveis assaltantes por três quilômetros.

“Nesses três quilômetros, o indivíduo que estava na garupa se voltou para a guarnição e efetuou dois disparos contra a viatura. Então, dois policiais dos quatro que estavam na viatura revidaram esses disparos e acertaram os indivíduos que estavam na moto, que caíram”, contou o capitão.

O menor recebeu dois tiros, enquanto que o outro suspeito foi alvejado por quatro disparos. Por determinação estadual, a polícia não pode socorrer suspeitos após troca de tiros. Um resgate deve ser chamado.

Nesse caso, os suspeitos ainda estavam com vida quando chegaram os resgates do Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência) e do Corpo de Bombeiros. O menor morreu no hospital.

Já o maior foi preso em flagrante e permanece com acompanhamento de escolta policial no Hospital Regional de Sorocaba, de acordo com o capitão da PM.

Ainda segundo o BO, a vítima do roubo da moto reconheceu a motocicleta, o capacete e o celular, que também foram levados.

“O caixa do posto apontou o dinheiro recuperado com o valor assaltado do estabelecimento. E ambos reconheceram o revólver calibre 32, oxidado, como a arma de fogo utilizada na prática dos dois roubos”, consta o documento.

Embora o registro da ocorrência aponte que os policiais agiram para o “cumprimento do dever legal, associado à legítima defesa”, uma investigação está em curso para apurar as ações dos oficiais envolvidos no caso.

No boletim de ocorrência, consta que a perícia do Instituto de Criminalística foi acionada para examinar o local onde o confronto ocorreu. O resultado desse processo ainda não está pronto, segundo o capitão da PM. Além disso, a Polícia Militar instaurou a própria investigação do caso.

As armas dos policiais foram apreendidas para análise – assim como aquelas que estavam em posse dos assaltantes -, e os oficiais que participaram da ação prestaram depoimentos.

“A ação foi legítima, transparente. Eu estive no local, e outros policiais que lá estiveram conversaram com a guarnição no calor da ocorrência”, contou o capitão.

“Foram tomadas todas as providências que o caso requer, instaurado o inquérito policial militar para apuração. Os ladrões foram presos em flagrante e reconhecidos. Então (a conduta policial), se revestiu de legalidade. Em princípio, a ação não tem nenhum ‘senão’”, contextualizou Kleber.

No entanto, outras providências de praxe já foram tomadas pela PM, como acompanhamento psicológico a policiais que passam por ações violentas. Segundo o capitão da PM, o receio nesse tipo de caso é que os oficiais apresentem sequelas mentais.

“Existe um acompanhamento psicológico desses policiais, que já foram submetidos a uma entrevista por uma equipe de psicólogos. Foram considerados aptos a retornar ao serviço normalmente. Não houve nenhuma consequência psicológica. Há preocupação quanto ao estresse pós-traumático. Não foi identificado esse estresse”.

Em Tatuí, esse foi o segundo caso no ano de enfrentamento entre policiais militares e assaltantes que terminou em morte.