Marido de professora assassinada em 2010 continua em ‘preventiva’

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O professor Volney Mattos de Oliveira continua detido por conta de prisão preventiva por suspeita de envolvimento na morte da ex-mulher, a também professora Maria Angélica Mattos de Oliveira.

A informação é da equipe da DIG (Delegacia de Investigações Gerais), de Piracicaba, onde o crime estava sendo investigado desde 2010.

Conforme os investigadores, o inquérito do caso já foi relatado e entregue à Justiça. Na quarta-feira da semana passada, 27 de agosto, a equipe da DIG deteve Volney. A polícia de Piracicaba solicitou a prisão temporária do professor a partir de fatos verificados durante as investigações.

Entretanto, a DIG não informou quais foram os indícios que levaram à suspeita. O delegado que investiga o caso não pôde conversar com a reportagem por estar em treinamento. Fernando Marcos Dultra realiza curso em outro município (não informado) e deve retornar à função em 30 dias.

A professora desapareceu no dia 29 de julho de 2010. O carro dela, um Celta, com placas de Tatuí, foi localizado carbonizado num bairro de Piracicaba.

Dentro do veículo, o Corpo de Bombeiros localizou um corpo, também carbonizado. A identificação do cadáver aconteceu somente em setembro de 2010, após exame de DNA, solicitado pela polícia piracicabana.

De acordo com a DIG, o professor teve a prisão decretada com base em depoimento de testemunhas. Nas oitivas, elas teriam afirmado que os professores mantinham “um relacionamento conturbado e com brigas constantes”.

A PC de Piracicaba também informou que constou, no processo, o comportamento do marido. Segundo os investigadores, ele teria demonstrado “frieza” com relação aos fatos durante os quatro anos de investigações.

Na semana passada, o delegado responsável pelo caso comentou que o professor foi apontado como mandante do crime. Dultra, no entanto, destacou que o autor, que teria executado a professora, não havia sido encontrado.

O delegado assumiu o inquérito em abril deste ano. Até então, as investigações estavam a cargo do delegado João Batista de Camargo. A Polícia Civil de Tatuí começou a fazer parte do trabalho de elucidação em agosto de 2010.

Na época, o ex-delegado titular do município, José Alexandre Garcia Andreucci, passou a apoiar o trabalho da DIG. Por conta disso, Andreucci ouviu familiares do casal e testemunhas. Também requisitou exames e apreendeu materiais com “a finalidade de esclarecer o caso”.

Quando a PC tatuiana entrou no caso, a professora ainda era dada como desaparecida. Na época, por conta do estado do corpo, somente o exame de DNA pôde comprovar se o cadáver era ou não da professora. Andreucci, porém, informou que havia indícios de que o corpo era de Maria Angélica.

Além de a família da professora ter reconhecido as placas do carro dela, o delegado divulgou que uma médica legista constatara que se tratava de pessoa do sexo feminino. Um exame da arcada dentária também foi solicitado.

Conforme inquérito, Maria Angélica teria feito contato com o marido pela última vez às 13h do dia 29 de julho de 2010. Ela teria respondido que estava numa agência da “Caixa”, não especificando se seria estadual ou federal.

Familiares informaram à polícia que a professora havia ido ao banco para tratar da construção da casa dela, que estava em andamento. O imóvel concluído fica no Residencial Villa Monte Verde, localizado no bairro Morro Grande.

No início da noite daquele mesmo dia, o automóvel dela foi localizado por um morador do bairro Cerrado, área rural de Piracicaba. O sitiante teria verificado que o veículo estava em chamas e acionado a GCM (Guarda Civil Municipal).

O Corpo de Bombeiros teve dificuldades em chegar ao local e só conseguiu retirar o corpo depois de o veículo ser rebocado até o plantão de Piracicaba. No início das investigações, a polícia trabalhava com “todas as hipóteses”, mas em especial a de latrocínio (roubo seguido de morte) e de homicídio.

Depois das primeiras oitivas, a PC divulgou que a professora poderia ter dirigido até o local onde houve o crime. A área era rodeada por eucaliptos e cana-de-açúcar. O veículo chegou ao local, passando por uma estrada vicinal.

Entretanto, os investigadores não conseguiram descobrir se Maria Angélica teria dirigido espontaneamente até o local ou se havia sido coagida.

A polícia sustentou a tese de que a professora teria dirigido o próprio veículo, com base na posição do banco do motorista, que estava “puxado mais à frente”. Também agregou novos dados a partir de depoimentos obtidos nos meses seguintes, como o do homem que localizara o veículo em chamas.

Conforme o inquérito, o dono do sítio chamou a polícia porque ficou preocupado quando viu o foco de incêndio. A PC informou que o homem teria ido ao local para apagá-lo, dirigindo um trator, por conta da dificuldade de acesso.

Além do DNA e do exame da arcada dentária, o delegado que cuidava do caso solicitou raio-X, a cargo da Unicamp (Universidade de Campinas).

Isso porque os legistas encontraram uma perfuração no corpo, o que poderia indicar a presença de um projétil, reforçando as teses de homicídio ou latrocínio.

O sepultamento da professora Maria Angélica aconteceu no dia 3 de setembro, marcado por comoção. Os restos mortais da professora chegaram ao município por volta das 15h30 daquele dia, a partir de translado de Piracicaba.

Parentes, amigos, colegas de trabalho e alunos da professora lotaram o anfiteatro da Etec (Escola Técnica) “Salles Gomes” para prestar a última homenagem.

O corpo foi velado até as 16h30, seguindo para Itapetininga, onde houve o enterro. O sepultamento ocorreu às 17h, no município vizinho.

A DIG informou que o professor deve permanecer preso até que haja audiências. No entanto, ele pode solicitar habeas corpus.